Avatar

@purapoesia

Adriel Alves Magalhaes
47 posts 0 seguidores 0 seguindo
Ainda não há seguidores.
Ainda não segue ninguém.
@purapoesia
há 1 mês
Público
Oba, Lá Vem Ele

O clichê não existe por acaso. Ele existe pois há uma necessidade de sua existência. O clichê se repete porque todos nós temos uma ânsia em vê-lo outra vez, nós rogamos para que aconteça. Então ele surge novamente como um alívio, uma doce previsibilidade ante as incertezas do momento seguinte. Ter tudo sobre controle é uma tara universal, um ópio, uma permissão para nos desmanchar. Quem não gostaria de viver sem ter pelo menos uma mínima coisa nas rédeas?

Sonha-se com um cargo no serviço público pois a remuneração e estabilidade são garantidos. Devaneia-se com a casa própria para não estar vulnerável à discricionariedade do aluguel imposto pelo senhorio. Bebês e crianças que têm à sua disposição uma rotina consistente dormem melhor, aprendem melhor e regulam mais eficientemente as suas emoções. A rotina e os clichês não são os vilões, são amparo.

O sistema e a sociedade condenam os clichês e a sua subespécie, a rotina. Para o sistema, é estar estagnado, é sinal de fracasso. Repetir uma fórmula um sem-fim de vezes parece quase um crime nesse mundo onde vivemos. No entanto, pouco se fala dos benefícios de adotar uma zona de conforto. Um filme, um livro ou uma série clichê é o porto seguro de muita gente. Reside em nós toda vida uma música que gostamos de repetir. Em um momento de vulnerabilidade é deveras importante recorrer à zona de conforto, é quase como se fosse colo e seio de mãe.

Deixo aqui minha saudação e o apreço aos clichês. Dê flores no Dia dos Namorados. Comemore o aniversário do mesmo jeito de sempre. Assista outra vez aquele filme que você sabe de cor. Leia novamente aquele livro que você já decorou de cabo a rabo. Puxe a cadeira para outra pessoa sentar. Abra a porta para uma pessoa passar. Clichê é repleto de gentilezas.

A gente repete tudo o que é bom. Fazemos isso talvez na caça impossível de sentir o gosto intenso da primeira vez. Não será a mesma coisa e abro protesto sempre sobre isso. No entanto, se desse sempre para repetir a primeira vez, ela nem de longe teria a valia e a importância que hoje a damos.

Sendo assim, vamos nos contentar com o copo d’água, ainda que não seja aquele oceano. Vamos nos contentar com a flor seca dentro do livro, mesmo não sendo colorida e viva como na floração da árvore. Vamos nos contentar com pouco, mas sempre sonhando com muito. É isto, é o clichê um açúcar, que pomos no amargor diário. Um fração de uma experiência que nos mudou de tal forma que insistimos em repeti-la. Uma fatia do bolo. Mas não é pouca coisa, nunca será. O clichê importa.
Abrir 0 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 5 meses
Público
Saiba mais sobre meu livro "entre idas & vidas" que se encontra em pré-venda pela editora Minimalismos:
Abrir 0 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 5 meses
Público
Venho anunciar a pré-venda do meu livro "entre idas & vidas". O exemplar pode ser adquirido previamente com 10% de desconto diretamente pelo site da editora Minimalismos: Abrir link
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 5 meses
Público
Convite

lhe tasco convite melado no beiço
você o sela com os gomos róseos
a salada atiça a saliva, abre o apetite

o óleo do êxtase escorre viscoso
arranco-lhe as cortinas, revelo tuas pintas
chapiscadas em arte escultural

os dedos ávidos desatam as vestes
como se dançássemos com o fogo
a chama nos consome

o beijo salta dos lábios ao ventre
me desnudas com fome
descasca um pomo saboroso
a carne salta comprida em tua face
afunda garganta abaixo
encharcando-a de ti

saciada, te faz o prato principal
adentro em teu sulco de sumo cálido
macero-a, extraio a libido
escorrermos juntos
pela encosta da pele.

#
Abrir 0 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 6 meses
Público
Selvageria

Cavalgava selvagem
Cravando a unha em minha crina
Me tendo entre as coxas
Me engolindo gulosa
Areia movediça
Estocava-se violenta
Apunhalando o pudor
Roçava e melava o ventre
Ia e voltava, se contraía
Tomei-me pelo torpor
E ela, sedenta, me tomou
Arfantes, desidratados, minguantes
Ali morremos de amor.
Abrir 2 curtidas 1 comentários
@purapoesia
há 7 meses
Público
Métrica

almejo desmedimento
à moda de sentimento
tramar fuga da exatidão
rebentar em incertezas

largarei as palhas do lar
para bater asas ao relento
saborear gota de chuva
pisar descalço
alar na pena dum pássaro
cultivar olhar plantífero
brotar da boca muda
o amanhã onírico

larga-me numa fogueira
não me oferte censura
ao inferno com as réguas!
o raio parta toda mensura!

obedecei ao desmandamento:
ser desmedido, ser desplanejo
amar perdidamente
desobedecer o certo

sê além de mero número
cava lonjuras dos quilos
dos sopros natalícios
dos quilômetros

és mais que distâncias
velocidades
metros cúbicos
frações
razões
segundos
minutos
horas

imensura-te!
Abrir 3 curtidas 1 comentários
@purapoesia
há 9 meses
Público


não quero outra coisa
senão seu corpo
não quero outra coisa
senão o mergulho
dentro de ti

almejo teu eriço
o mamilo enrijecido
o ofego e o gemido
o fogo de tua derme
os lábios melados

quero a sentir escorrendo
sobre minha carne dura
quero ouvir tua loucura
ver o delírio
de olhos fechados
e bocas abertas

mastiga-me
comemo-nos
embora não se sacie
nosso desejo febril.
Abrir 1 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 10 meses
Público
em teu corpo fogo
me permito queimar
arder em tua pele sol

a fricção frenética
fabrica incêndios
e correntezas
a flama beija a água

pulsamos forte
ecoamos
evaporamos
explodimos!

em silêncio.
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 10 meses
Público
#

Prova

sinto-a na ponta da língua
de tua rósea flor sei de cor

o prazer escorre dos teus lábios
deságua nos meus, inebriados
provamos do Éden
o desejo arrebata.
Abrir 5 curtidas 0 comentários
@purapoesia
há 10 meses
Público
a carne cresce
em tuas mãos cálidas
dá-me riso fogoso
saliva ante a refeição

veste-me com lábio veludo
inunda o membro em latejo
então me devora
com língua e saliva
sedenta

chupa-me
conforme teu desejo
incessante, selvagem
suga todo o meu prazer
e não te sacias

ó flor em chamas
te darei meu néctar
escorrerei por tua garganta
e tu, flor em chamas
não contente
abrirá tua pétala
ofertará o íntimo róseo
que em infinito gozo
hei de penetrar.

#
Abrir 5 curtidas 2 comentários