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@purapoesia

Adriel Alves Magalhaes
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@purapoesia
há 1 ano
Público
dois mundos

sobre a mesa
riso indiscreto
abaixo dela
mão boba

sobre a mesa
caretas
embaixo
carícias

sobre a mesa
a sobremesa
abaixo
uma delícia

sobre a mesa
faces rubras
abaixo dela
impudicos

sobre a mesa
uma conversa
lá embaixo
o grito

sobre a mesa
descontração
por baixo
descontrole

sobre a mesa
olhos desencontrados
embaixo
corpos colados

sobre a mesa
uma mão gesticula
abaixo
a outra ejacula

sobre a mesa
conversa mole
debaixo
o duro e o melado

sobre a mesa
lado a lado
abaixo
trançados

sobre a mesa
transações
debaixo
transa

sobre a mesa
quem diria
logo abaixo
uma orgia!


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@purapoesia
há 1 ano
Público
não temo sangrar
o meu rubro é sincero
o pulso não sabe mentir

narro com o peito
vascularizo o sentir
bato na mesma tecla
inda que murro
em ponta de faca

deixo escoar
inda que doa
esta comoção

vale a ferida
incansável
do sentimento.
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@purapoesia
há 1 ano
Público
calmo deslizo
por tua água
duas carnes
macias
valsando
duas chamas
bailando
arquejantes

pelos eretos
corpos arfantes
indo e vindo
provando-se
incêndio
entre quatro paredes
de quatro
de ladinho
decúbito
missionária
louvando ao delírio
do gozo!

#
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Lições Marítimas

as ondas comem
minhas desesperanças
quebra e ronca
dorme o peso
acorda o sonho

maré convida a navegar
expulsa âncoras
há profundidades
habitando toda coisa

há tesouro apenas
a quem não teme naufragar
enfrentar o dissabor do sal
usá-lo de tempero
para uma doce conquista.
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Consumação

nossa transa iniciou no olhar
a carne magnética, a pele eriçada
corpos rogando pelo nó

as bocas colam, as línguas calam
na ardente linguagem do desejo
desce elétrico o doce prazer
umedece e enrijece o íntimo

encosto em ti, abraço tua chama
lento a tateio, lendo-a inteira
tua face, teu seio, o mamilo
a cintura, os pelos, os lábios
pequenos, macios, viscosos
os dedos dançam dentro de ti

a tua mão me devora feroz
forte agarra o membro
como fosse presa
selvagem o abocanha
serei a ti oferenda
sereia

incontrolados
fome e sede
nos unimos
únicos
uma só carne
quente e molhada
ofegos e afagos
fogo e gozo
gelo

esvai em tuas coxas
minha semente
mela a cama
floresce rubor
em tuas bochechas

o olor do ato
perfuma as colchas
só quero este encaixe
latejante
estar dentro de tua calidez
em perpétuo torpor

selamos de novo as bocas
sorvendo os hálitos satisfeitos
delirando desnudos
o mundo esquecido
reduzido a nós
entrelaçados.

#
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Reflexão

és tu mais do que um reflexo
oɥןǝdsǝ ɹǝs oɐ̰u ɐɹɐd 'ɹıʇǝןɟǝɹ
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Um Dia a Dia à Dois

na manhã eu acorde
sentindo a brisa de teu respiro

à tarde, caiamos na cama
de conchinha
ouvindo os amares dos sonhos

anoitecendo
teçamos nosso próprio céu
ascendendo ofegantes
até ver estrelas

no atravessar dos dias
cultivemos a flor da pele
pois quando um amor cresce
os dias ficam cada vez menores.
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@purapoesia
há 1 ano
Público
No Escurinho do Cinema

vestidinho comportado
nada por baixo

luzes apagam
eles acendem
sentam nas poltronas
ela nele

escurinho do cinema
comédia romântica
o filme em segundo plano

ovacionavam as cenas
ocultando gemidos
roupas úmidas
calor no frio
pulsava a carne
escorria o rio
fim

o filme?
terminou em branco

#
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Enlace

dois corpos
nus
crescentes
e o mundo
apequenando

dois fósforos
riscando
para apagar
o fogo

interjeições
e dois sujeitos
fazendo uma oração
ao prazer.
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@purapoesia
há 1 ano
Público
Versos para Um Corpo Ilimitado

esta carne
mero detalhe
vai além

fervilham desejos
transcendem paixões
orbitam sonhos

esta alma
ferida e remendada
tem rosas mais belas
que a flor da pele

neste invisível
sem metragens
cabe o universo
cabem deuses
cabe o mistério
cabe um poema
descabido

neste vaso
que vaza
por versos
transborda sangue
e vísceras
batuca o sentimento
de ser maior
do que todo
e limitado
sentido.
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