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espelhos, miragens e quimeras
o quadro torto me retrata
a imagem refletida
não me reflete
minha juventude irrevogável
perfura os poros
esta face transpira o peito
os cardinais e ordinais
ofuscados pelos cardeais
pela bússola sísmica
apontando à direção indecisa
a carne irá secar
contra todo ferrenho desejo
o destino é ser
semente caule flor fruto e
semente
o horizonte se despe
à olho nu
quando o encontro
já não é o mesmo
me contento
em pescar miragens
me contento
em ser a caça
mas não irei sem antes
ter uma quimera entre as presas.
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perdidamente
se for para perder o ar
seja em teu beijo
se for para perder o medo
seja em teu abraço
se for para perder a cabeça
seja em tua cama.
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contemplação
paro
sinto o coração da minha filha
com a ponta dos dedos
percussão veloz
enquanto vejo um quadro
de nós
fotografo o sol na cortina
dançando ao canto do vento
tudo se movimenta
e quedamos estáticos
subversivos
o quintal está pra passarinho
estou para pedra
não movo um mindinho
ela pode despertar
e quero que sonhe
o quanto possa
enquanto possa
há cordões umbilicais
junto ao útero do infinito
as lâminas tem sede de corte
resisto
pelo seu pulso, pelo seu sumo
me ato a esta carne etérea
cedo as tripas ao vento
batizo a pele com o momento.
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#
prazer crescente
guia-me à nascente do teu gozo
onde cachoeiram prazeres
banha-me sob este véu
d'águas quentes e viscosas
faz-me planta viçosa, ereta
eriçando em busca do céu
rega-me, a banharei com sementes
o solo fértil de teu corpo regarei
com minh'água alva
cultivarei teu róseo jardim.
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ahora ala
o que ficou, passara
o adiante, pássaro
o passado desmembrado
obsoleto
o presente asado
o
v
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hora do rush
empurra empurra em pé na lotação
sufoco no metrô corre à estação!
tráfego louco pé no freio no acelerador pé no freio no acelerador
verde corre corre corre
não mira a árvore
o verde é outro
amarelo não pense avance
fortuna é estar à frente
vermelho enlouquece
e nem é paixão
pernas pernas mais pernas tropeçam apressadas
tudo é pressa pressa é tudo depressa!
tudo tem preço na peça dos mascarados
aviões trens motos e carros
anda tudo desmontado
não me peça as peças
ando meio enferrujado
depressa depressa depressa!
depressão
como raio atropela árvore
bem no meio no meio
do anseio
o semáforo sinal farol subterfúgio
qualquer coração apressado
afogado em sangue
alta pressão
afobado desregula desvirgula despedaça
no poste logo após o vermelho
enfurece enlouquece enferruja
igual paixão.
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#
Beija-flor
sob o afrodisíaco gosto
dos lábios aveludados
perco a razão entre tuas dunas
afogado na flagrância doce
de tua úmida indecência
beijo tua flor
com uma fome silvestre
chupo o pólen
o néctar me eriça
leva às nuvens.
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se ame sem escusa
avesso à contrapartida
se ame em teor de ave
em forma d'asa e ninho
se ame destemendo o fogo
e a fumaça colonize a Terra
se ame para sempre
e como nunca
no parco tempo
usucapido o amor
decore-se
com verbos de cor
os metros cúbicos
correm ralo adentro
antes que esgote
antes do encontro
amemos
perdidamente.
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hora de dormir
a noite é uma criança
inquieta
o dia remói no travesseiro
a algazarra particular
vizinho indesejado
o amanhã nasce prematuro
amanhece natimorto
e o crepúsculo o enterra
nossos tarôs tão convencidos
reprovam outra vez
muito se fala sobre a fronha
os olhos fechados
apenas uma desculpa
para abrir a boca
sem dar um pio.
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Ponto sem Nós
humanidade, um pulso
na canção das estrelas
uma ínfima reticência
no obsidiano cosmo
o calor que sinto
o corpo o qual amo
a refeição por qual salivo
a brisa assanhadora
a maresia inebriante
a conversa passarinhal
o anil, a pérola, o fogo
tudo tão belo
mas nada será
além dum ponto
numa costura sem fim.
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