Público
Confusão na comunicação
distúrbios afetivos coletivos
tensão, tesão sem perdão
instintos distintos ou comuns
o caos organizado do amor
a loucura customizada do calor
somos todos vítimas voluntárias
nos sujeitamos as discussões centenárias
amamos o suor nervoso e crescente
que percorre a testa sinuoso e irritante
odiamos o silêncio pernicioso do oponente
que naquele combate se julgou o mais importante
guerra dos sexos sem nexos
caminho, peregrinação interminável
desista, persista, insista, conquista
não importa nada no vale tudo
mudo, calado, gritado, exaltado
será sempre uma arma que desalma
palavras duras, pontudas, carnudas
o jogo do homem
o jogo da mulher
Condenados
nunca há vencedores ou derrotados
somente os conflitos apaixonados
Edu Liguori
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Público
Hoje um anjo me assoprou
que o tempo é só o que passou
não importa mais o que se perdeu
porque se você não viveu, não aconteceu
pense nas múltiplas possibilidades
nas benditas e ocasionais felicidades
viva o que te atingiu
que te fez sorrir, que você curtiu
esqueça quem não te lembrou
não dê crédito a quem não te beijou
abrace o amigo ou amiga que apareceu
pois este sim te benzeu
Edu Liguori
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Público
Nesta sexta serei autêntico
nem igual muito menos idêntico
tal qual Juvenal desfilar em carnaval
enfrentar de frente qualquer vendaval
te cruzo, te furo, te encaro
sem receio vou a pé sem carro
na noite paulistana fora da cabana
pode chover granizo ou banana
serei doce amargo poeta
olhos vivos passada completa
nas palavras buscarei os mais altos cumes
brilharei como um bando de vaga-lumes
nesta cesta trago doces e salgados
para todos os gostos apurados
são fragmentos do passado e do presente
tudo teu meu amigo sorridente
Edu Liguori
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Público
Hoje amanheceu escuro
o cinza invadiu o céu
e águas escorriam pelo muro
na boca estranho gosto de fel
o prenúncio macabro
se provou verdadeiro
quando os olhos que abro
não enxergam seu paradeiro
não sou covarde o bastante
para me esconder em meu canto
e me enrolar feito barbante
de volta no carretel sem encanto
vou em pé observar
mas sem mais compor
para tentar conquistar
um amanhã depois que o dia se for
Edu Liguori
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Público
O que alimenta nossa alma?
a calma pelo estabelecido
ou a loucura do desconhecido?
contenta minha aura
saber da ternura de outrem
quem pode fugir do destino?
em desatino e confuso sigo
mas certo de conseguir
meu aconchego e doce lar
ela existe e está a sorrir
devagar chego e me aproximo
um breve aperto no peito
íntimo contato que suspeito
será crucial razão para de novo
palpitar o coração
Edu Liguori
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Ao fechar a porta sem olhar pra trás, percebi o quanto é difícil viver...
a pedra jogada no lago
o primeiro pássaro a se lançar
a pedra do dominó que dispara a reação em cadeia
toda ação tem reação
toda luz vem da escuridão
como viver sem teu afago?
meu filho que vi crescer e fiz abraçar
numa revolução crescente que incendeia
a gata de rua adotada
sem nada entender ou prever
me olhou desconfiada
será que ainda vou lhe ver?
no carro sentido centro
o trabalho a dor a confusão
lágrimas brotavam de dentro
e encabulado as removia com emoção
dura sexta feira
terrível não entender
caminho sem eira nem beira
em busca do mais novo e corajoso viver
Edu Liguori
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Público
Quebrar muros nunca foi tarefa fácil
A marreta funciona bem e depressa
Difícil é lidar com a sujeira que fica
Lascas por todo lado provando os danos
Unhas sangrando de dor por estarem no local errado, na hora errada
Cabelos encardidos de poeira do passado
Um só banho não remove as marcas da destruição
É preciso paciência, calma e determinação
O corpo permanece por um tempo cansado
A obra nunca parece realmente terminada
São pequenos desvios e enganos
Cicatrizes e cheiro de arnica
Dores a curar com água quente em compressa
No romance ou no concreto não há tarefa fácil
Edu Liguori
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