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Hoje um anjo me assoprou
que o tempo é só o que passou
não importa mais o que se perdeu
porque se você não viveu, não aconteceu
pense nas múltiplas possibilidades
nas benditas e ocasionais felicidades
viva o que te atingiu
que te fez sorrir, que você curtiu
esqueça quem não te lembrou
não dê crédito a quem não te beijou
abrace o amigo ou amiga que apareceu
pois este sim te benzeu
Edu Liguori
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Nesta sexta serei autêntico
nem igual muito menos idêntico
tal qual Juvenal desfilar em carnaval
enfrentar de frente qualquer vendaval
te cruzo, te furo, te encaro
sem receio vou a pé sem carro
na noite paulistana fora da cabana
pode chover granizo ou banana
serei doce amargo poeta
olhos vivos passada completa
nas palavras buscarei os mais altos cumes
brilharei como um bando de vaga-lumes
nesta cesta trago doces e salgados
para todos os gostos apurados
são fragmentos do passado e do presente
tudo teu meu amigo sorridente
Edu Liguori
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Hoje amanheceu escuro
o cinza invadiu o céu
e águas escorriam pelo muro
na boca estranho gosto de fel
o prenúncio macabro
se provou verdadeiro
quando os olhos que abro
não enxergam seu paradeiro
não sou covarde o bastante
para me esconder em meu canto
e me enrolar feito barbante
de volta no carretel sem encanto
vou em pé observar
mas sem mais compor
para tentar conquistar
um amanhã depois que o dia se for
Edu Liguori
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Mascando um chiclete faço doer a mandíbula
pensamento masoquista que tortura minha mente doentia
o tempo passou e aparentemente nada mais faz sentido
sou hoje julgado e criticado como se não houvesse contribuído
cegos, estamos cegos? não queremos ver? não podemos ver?
de príncipe reinante a mero roto malfalado
num movimento de marolas chegamos a praia
mortos nas areias quentes hoje nos enterram
um vulcão adormecido despertou a sua fúria
lava incandescente que jorra pujante a nossa frente
os ossos enterrados serão cozidos e cremados
deste carbono passado surgirá quem sabe uma ilha
nesta nova natureza o sol fará nascer uma goma
...de mascar até doer uma nova mandíbula
Edu Liguori
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O que alimenta nossa alma?
a calma pelo estabelecido
ou a loucura do desconhecido?
contenta minha aura
saber da ternura de outrem
quem pode fugir do destino?
em desatino e confuso sigo
mas certo de conseguir
meu aconchego e doce lar
ela existe e está a sorrir
devagar chego e me aproximo
um breve aperto no peito
íntimo contato que suspeito
será crucial razão para de novo
palpitar o coração
Edu Liguori
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Ao fechar a porta sem olhar pra trás, percebi o quanto é difícil viver...
a pedra jogada no lago
o primeiro pássaro a se lançar
a pedra do dominó que dispara a reação em cadeia
toda ação tem reação
toda luz vem da escuridão
como viver sem teu afago?
meu filho que vi crescer e fiz abraçar
numa revolução crescente que incendeia
a gata de rua adotada
sem nada entender ou prever
me olhou desconfiada
será que ainda vou lhe ver?
no carro sentido centro
o trabalho a dor a confusão
lágrimas brotavam de dentro
e encabulado as removia com emoção
dura sexta feira
terrível não entender
caminho sem eira nem beira
em busca do mais novo e corajoso viver
Edu Liguori
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Quebrar muros nunca foi tarefa fácil
A marreta funciona bem e depressa
Difícil é lidar com a sujeira que fica
Lascas por todo lado provando os danos
Unhas sangrando de dor por estarem no local errado, na hora errada
Cabelos encardidos de poeira do passado
Um só banho não remove as marcas da destruição
É preciso paciência, calma e determinação
O corpo permanece por um tempo cansado
A obra nunca parece realmente terminada
São pequenos desvios e enganos
Cicatrizes e cheiro de arnica
Dores a curar com água quente em compressa
No romance ou no concreto não há tarefa fácil
Edu Liguori
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Um silêncio ensurdecedor
toma conta de mim
em meio a fúria e dor
num momento sem fim
São os ossos rangendo
ao redor do coração ferido
o amor morrendo
neste corpo partido
Lamento extenso
vem de dentro urrando
um músculo tenso
que comprime dilacerando
Hoje é noite
sou vítima ou assassino?
Hoje sinto o açoite
do duro escolhido destino
Mas ainda pulsa
a esperança bandida
de que após tanta repulsa
encontrarei a estrela perdida
Edu Liguori
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Gira mundo
Roda pião
Cada dia é uma volta
Cada noite uma revolta
Neste mundo
Sem solução
Cada ato é uma aposta
Cada pergunta sem resposta
Canto hoje calado
Minha dor escondida
Mas não desisto da vida
Que vai renascer colorida
Levantarei amanhã ainda abalado
Mas com o pulmão cheio de ar
Certo da escolha sem pestanejar
Em frente destemido a remar
Edu Liguori
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Bendito o inventor das janelas
quem terá sido
ao adicionar o balcão
então atingiu a perfeição
jovens donzelas
Gabrielas
um mundo de sorrisos
timidez e descoberta
ela vê enrubescida
ele descendo a ladeira
vem em sua direção
com paixão
ele todo matreiro
caminha com altivez
espera a donzela conquistar
num aceno de chapéu
janelas trazem o mundo pra dentro de casa
janelas abrem os corações antes escondidos
janelas são a proa do navio que as ondas arrebentam
janelas
um lugar ao sol no colo do universo
Edu Liguori
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