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Ela parece perfeita
eu exagerando
quem se importa
sou só um poeta
seguirei rimando
se abrir a porta
estarei a espreita
e aceitarei pulando
como quem desperta
de um sonho lindo
meigo e sorrindo
Edu Liguori
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Você não me percebe
embaixo das nuvens
somos mortais
entre as areias e os sais
eu vou e tu vens
um dia quem sabe
Edu Liguori
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Ser poeta é imaginar vidas que não existem
construir sonhos em nuvens brancas
viajar nas brisas de verão
voar entre as folhas e pétalas do jardim
cair em poços escuros
se afogar na lama densa
e mais uma vez sorrir porque ser poeta é simplesmente
nunca desistir
Edu Liguori
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Gosto de brincar
diversão nunca faz mal
diga-se que machucar outrem
não é brincadeira
fantasia é fazer o bem
é eu e você no vale do gozo
no rio dos sorrisos
na trilha do carinho
te quero aqui pertinho
já te disse
quem sabe
um dia
Edu Liguori
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Ele envelheceu
não é mais o mesmo
é preciso paciência
resgate
o poeta está vivo
o artista está alerta
a experiência está na gaveta
ele envelheceu
não esqueceu
não é mais a mesma
a vida acelerada
a pauta emergencial
o gosto pelo flash
ele envelheceu
guarda as memórias
saudades
deseja só
que quem sabe
ainda exista mais uma estrofe
Edu Liguori
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O poeta
que homem é esse
um dia colibri
uma noite corvo
as vezes sorri
outras estorvo
brinca com as palavras
mas não se diverte
por mais que aperte
sobram lhe as favas
que poeta é esse
o homem
Edu Liguori
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Não me rendo ao fácil
não sucumbo ao comum
não aceito o óbvio
não admito o medo
velho guerreiro
já dizia comunicar
é arma nuclear
tiro certeiro
exponho
sonho
componho
mais sonho
punk, funk,
ringue, estilingue
Pato Fu, Kung Fu
não importa qual porta
sim enfrento
sim comento
sem cimento
só fermento
Edu Liguori
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Malícia
Sob os cabelos
a nuca desnuda
onde dedos finos
alisam e escorrem
a malícia felina
uma unha afiada
entre os montes
percorre o vale
e da serra
entre pelos
atinge o planalto
até a foz da carne
cachoeira e sino
não há pecado
sob os cabelos
negros
badala o sino
do sorriso
e do gozo
Edu Liguori
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Se eu tivesse uma companheira
iria propor bem agora nessa hora
vamos caminhar na orla da praia
não no calçadão, mas na areia
molhar os pés até que a sede caia
e desejemos retornar para a ceia
o jantar dos corpos sujos de desejo
o beijo, o aperto, o suor, a demora
quem tem muita pressa se apavora
o amor é feito com calma e força
torça meu bem pode ser nossa vez
Edu Liguori
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Não gosto de gente passiva
temos tanto poder e tantas razões
não gosto de gente medrosa
temos poucas chances para viver
não gosto de gente fria
o corpo é uma erupção contida
provoque, revolucione, quebre
cicatrizes são lindas
goze sempre que possível
quando não for possível
tente outra vez
Edu Liguori
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