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união é concreto
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quantidades dúvidas permeiam
viajam e esperneiam
quando negas
que te parece mais certo
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por que queres derrubar a lona
afrouxar o parafuso
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Edu Liguori
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RAFAEL ARAUJO
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amor é indivisível
união é concreto
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quantidades dúvidas permeiam
viajam e esperneiam
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que te parece mais certo
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por que queres derrubar a lona
afrouxar o parafuso
trazer para preto
aquela que deveria estrela do teu lado
não ser um ser previsível
que aceita o decreto
de viver sempre submisso
Edu Liguori
estava certo do que é correto
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sempre que me pego confuso
que é certo
que é errado
amor é indivisível
união é concreto
desejo é compromisso
quantidades dúvidas permeiam
viajam e esperneiam
quando negas
que te parece mais certo
incomoda mais vezes
por que queres derrubar a lona
afrouxar o parafuso
trazer para preto
aquela que deveria estrela do teu lado
não ser um ser previsível
que aceita o decreto
de viver sempre submisso
Edu Liguori
Após muitos afazeres e acomodações, ao entardecer ela sugeriu um café, foi ao fogão e pôs água para aquecer. A pose tradicional do pano de prato ao ombros, o pé apoiado na perna, como todos os mortais aguardam a água para passar um café.
Enquanto coava a bebida, pediu gentilmente que coletasse as xícaras, para isso ele passaria pelo corredor estreito onde ela estava e se Tesla ainda fosse vivo, ficaria alarmado com a energia que cintilou naquele pequeno espaço quando os dois corpos estiveram a poucos centímetros um do outro e certo que puderam respirar o mesmo ar que cada qual exalava.
Trêmulo, as pernas o traiam, retornou e beberam encabulados com o que havia atropelado a tarde na cozinha.
Agora, se fosse um filme, subiria uma música, uma canção, luzes mornas das cinco horas e o clima estaria perfeito para que definitivamente nossa história partisse para uma sólida trama.
Ao levar as xícaras para a pia, retornaria pelo mesma estrada em que os sinos badalaram minutos atrás, só que desta vez qual um condenado seguiu olhando firme nos olhos de sua sentença, a cada passo de aproximação a temperatura subia e apitos soavam ao longe, era como se Vivaldi estivesse compondo a primavera das quatro estações. Mais um metro, mais um passo e tão próximos estavam que seus lábios se tocaram.
O frenesi momentâneo e desconcertante deixou ambos surpresos e ele seguiu confuso ainda com a assinatura impressa dos lábios carnudos que acabara de saborear.
Não discutiram, comentaram ou revelaram seus pensamentos. Ele só sabia que havia muito tempo que não sentia o que acabara de brindar. Sequestrado pelo aroma, pelo toque mesmo que breve, compôs internamente a estrofe: se um poeta precisa estar vivo para escrever, nunca me senti mais poeta, após essa pétala que acabo de receber.
Como todos os homens encantados, frágeis se derretem e perdem seus poderes. Se tornou naquele horário, daquele ano, naquele dia e mês passageiro de um trem que o carregaria para onde desejasse, pois ela se tornara deusa, Afrodite, Perséfone e ele não diria não.
Nas datas que foram chegando e passando, houve carinho, abraços, mãos dadas, colo, sorrisos, revelações, sedução, cheiros e cafunés. Juntos e em todos os lugares onde as pessoas vivem, foram amigos, companheiros, confidentes, beberam, dançaram, choraram, riram, caminharam e distribuíram brincadeiras e provocações. Até que ele sentiu necessidade de afirmar que entre estes enlaces havia se apaixonado. Assim depressa, deste jeito sem filtros e afobado.
Havia uma reciprocidade silenciosa, se beijaram longamente algumas vezes, dormiram abraçados, cochicharam e se divertiram.
Entendia e lia que era perfeita. Tinha uma clareza imensa do mundo, culta, delicada, divertida, atrevida, inteligente, capaz, educada, consciente e belíssima. Iracema, Capitu, Gabriela, Diadorim e Pagu. Completa, absoluta e desejada.
Se aproximava a época mais temida, a partida. Me perdoe leitor por tê-lo omitido que ele estava em viagem. Ao se despedir choraram. Ele sentiu perder um membro do corpo, ou o coração. Embarcou despedaçado com receio do futuro não discutido.
Os primeiros próximos dias e por breve período foram de planos, intenções, provável partilha e sonhos. Seu coração estava emendado.
Mas as histórias nunca são assim, elas sempre tem uma revolução e a Bastilha caiu quando percebeu que a intensidade se esvaia com o tempo somado a distância.
Então com o impulso dos bravos decidiu lutar, sabre em mão que venham os dragões. E foi tentar buscar a fulô que o sequestrou.
E como diz aquele ditado, nada se perde, tudo se transforma.
A caminhada deu espaço para a razão, para os conselhos, para a visão, e por motivos até hoje não revelados, as lágrimas, a saudade, os planos foram resumidos na frase:
"Eu te amo, mas não desse jeito, não desta forma"
Edu Liguori
Enquanto coava a bebida, pediu gentilmente que coletasse as xícaras, para isso ele passaria pelo corredor estreito onde ela estava e se Tesla ainda fosse vivo, ficaria alarmado com a energia que cintilou naquele pequeno espaço quando os dois corpos estiveram a poucos centímetros um do outro e certo que puderam respirar o mesmo ar que cada qual exalava.
Trêmulo, as pernas o traiam, retornou e beberam encabulados com o que havia atropelado a tarde na cozinha.
Agora, se fosse um filme, subiria uma música, uma canção, luzes mornas das cinco horas e o clima estaria perfeito para que definitivamente nossa história partisse para uma sólida trama.
Ao levar as xícaras para a pia, retornaria pelo mesma estrada em que os sinos badalaram minutos atrás, só que desta vez qual um condenado seguiu olhando firme nos olhos de sua sentença, a cada passo de aproximação a temperatura subia e apitos soavam ao longe, era como se Vivaldi estivesse compondo a primavera das quatro estações. Mais um metro, mais um passo e tão próximos estavam que seus lábios se tocaram.
O frenesi momentâneo e desconcertante deixou ambos surpresos e ele seguiu confuso ainda com a assinatura impressa dos lábios carnudos que acabara de saborear.
Não discutiram, comentaram ou revelaram seus pensamentos. Ele só sabia que havia muito tempo que não sentia o que acabara de brindar. Sequestrado pelo aroma, pelo toque mesmo que breve, compôs internamente a estrofe: se um poeta precisa estar vivo para escrever, nunca me senti mais poeta, após essa pétala que acabo de receber.
Como todos os homens encantados, frágeis se derretem e perdem seus poderes. Se tornou naquele horário, daquele ano, naquele dia e mês passageiro de um trem que o carregaria para onde desejasse, pois ela se tornara deusa, Afrodite, Perséfone e ele não diria não.
Nas datas que foram chegando e passando, houve carinho, abraços, mãos dadas, colo, sorrisos, revelações, sedução, cheiros e cafunés. Juntos e em todos os lugares onde as pessoas vivem, foram amigos, companheiros, confidentes, beberam, dançaram, choraram, riram, caminharam e distribuíram brincadeiras e provocações. Até que ele sentiu necessidade de afirmar que entre estes enlaces havia se apaixonado. Assim depressa, deste jeito sem filtros e afobado.
Havia uma reciprocidade silenciosa, se beijaram longamente algumas vezes, dormiram abraçados, cochicharam e se divertiram.
Entendia e lia que era perfeita. Tinha uma clareza imensa do mundo, culta, delicada, divertida, atrevida, inteligente, capaz, educada, consciente e belíssima. Iracema, Capitu, Gabriela, Diadorim e Pagu. Completa, absoluta e desejada.
Se aproximava a época mais temida, a partida. Me perdoe leitor por tê-lo omitido que ele estava em viagem. Ao se despedir choraram. Ele sentiu perder um membro do corpo, ou o coração. Embarcou despedaçado com receio do futuro não discutido.
Os primeiros próximos dias e por breve período foram de planos, intenções, provável partilha e sonhos. Seu coração estava emendado.
Mas as histórias nunca são assim, elas sempre tem uma revolução e a Bastilha caiu quando percebeu que a intensidade se esvaia com o tempo somado a distância.
Então com o impulso dos bravos decidiu lutar, sabre em mão que venham os dragões. E foi tentar buscar a fulô que o sequestrou.
E como diz aquele ditado, nada se perde, tudo se transforma.
A caminhada deu espaço para a razão, para os conselhos, para a visão, e por motivos até hoje não revelados, as lágrimas, a saudade, os planos foram resumidos na frase:
"Eu te amo, mas não desse jeito, não desta forma"
Edu Liguori
Naquela manhã o sol ainda não havia se incomodado, poucas horas para já haver refletido o seu mais forte atributo. Em verdade estava tímido e permitindo um arredor cinzento.
Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir.
Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento.
Naquela manhã o sol ainda não havia se incomodado, poucas horas para já haver refletido o seu mais forte atributo. Em verdade estava tímido e permitindo um arredor cinzento.
Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir.
Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento.
Falavam com tal liberdade que pareciam velhos conhecidos, de verdade haviam se visto apenas uma vez em um evento no Paraná alguns anos atrás. Ocasião em que ele se permitiu perceber a beleza que a brindava, mas não ousou entendê-la como se cantarolasse uma canção de Chico Buarque. Apenas guardou este instante e seguiu os compromissos de uma vida monótona, mas que iniciava novos capítulos.
Mas retornemos à praia, ao vento fresco e algumas gotas que largaram o céu em desprezo e vieram a terra somente com o intuito de dar significado àquele encontro.
Enquanto riam de suas revelações, se encantavam pelo comum que compartilhavam e pela curiosidade surpreendente que brotou das areias claras de Atalaia e os envolveu entre goles de café.
Como qualquer história bem contada, revelaremos o que o consumia, faremos poesia de seus suspiros e da ansiedade que lhe corroía as entranhas e que definitivamente ele não esperava por tudo isso.
A pedido do nosso personagem não iremos nos pautar pelos atributos físicos e carnais, pois tal descrição reduziria e muito os pontos mais importantes desta narrativa. Apenas aponte-se que ela tinha as aparências de um personagem dos mais belos de Jorge Amado.
Isto posto, temos aqui que esclarecer que havia um choque de gerações. Ela faceira, em forma, respirando ainda os ares de quem está se apresentando as idades que moldam nossa vida adulta, os primeiros amores maduros, a independência, o próprio lar e a escolha de seus destinos. Ele, um poeta experiente que já havia viajado o mundo, sofrido amores e quedas daquelas que duram a recuperação.
Esta transparência se fez necessária para compreender como nasceu esta sedução natural e não planejada que cobriu como um manto azul tudo que se passou daquele ponto em diante.
Duas vidas apartadas por realidades e experiências forjadas em culturas distintas, ele urbano e cosmopolita, ela matuta, reduzida a poucos quilômetros.
Tudo que um dizia o outro observava e sorvia como se aquele café fosse um elixir luxuoso e exótico. Uma viagem na imaginação e prova de condimentos desconhecidos.
Sem controle pelo seus sentimentos inconscientes delineava ali uma pintura de Monet em sua mente e coração. Os tons que eram cinzas e molhados, podia-se dizer frios, ganhavam cores quentes, traços intensos, composição de uma paisagem paradisíaca e hipnótica.
Como o marlim que se perde pela boca, não havia mais linhas, pautas ou margens, seu texto fluía em resposta aos encantos que o consumiam. O magnetismo nativo daquele encontro estava sem remédio, contaminados seguiram sem noção do relógio distribuindo afetos e contos.
Em certo ponto, já sem as rédeas do trote, confessou que estava demasiado feliz, inebriado pela conversa, pelo brilho dos dentes e pelos cabelos voadiços. Percebeu que era muito cedo para tanto, mas ela se recompôs e aceitou com ternura o elogio, retribuindo o prazer pelo convescote.
Decidiram retornar à casa e a volta foi silenciosa. Provavelmente com cérebros barulhentos em disfarce.
Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir.
Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento.
Naquela manhã o sol ainda não havia se incomodado, poucas horas para já haver refletido o seu mais forte atributo. Em verdade estava tímido e permitindo um arredor cinzento.
Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir.
Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento.
Falavam com tal liberdade que pareciam velhos conhecidos, de verdade haviam se visto apenas uma vez em um evento no Paraná alguns anos atrás. Ocasião em que ele se permitiu perceber a beleza que a brindava, mas não ousou entendê-la como se cantarolasse uma canção de Chico Buarque. Apenas guardou este instante e seguiu os compromissos de uma vida monótona, mas que iniciava novos capítulos.
Mas retornemos à praia, ao vento fresco e algumas gotas que largaram o céu em desprezo e vieram a terra somente com o intuito de dar significado àquele encontro.
Enquanto riam de suas revelações, se encantavam pelo comum que compartilhavam e pela curiosidade surpreendente que brotou das areias claras de Atalaia e os envolveu entre goles de café.
Como qualquer história bem contada, revelaremos o que o consumia, faremos poesia de seus suspiros e da ansiedade que lhe corroía as entranhas e que definitivamente ele não esperava por tudo isso.
A pedido do nosso personagem não iremos nos pautar pelos atributos físicos e carnais, pois tal descrição reduziria e muito os pontos mais importantes desta narrativa. Apenas aponte-se que ela tinha as aparências de um personagem dos mais belos de Jorge Amado.
Isto posto, temos aqui que esclarecer que havia um choque de gerações. Ela faceira, em forma, respirando ainda os ares de quem está se apresentando as idades que moldam nossa vida adulta, os primeiros amores maduros, a independência, o próprio lar e a escolha de seus destinos. Ele, um poeta experiente que já havia viajado o mundo, sofrido amores e quedas daquelas que duram a recuperação.
Esta transparência se fez necessária para compreender como nasceu esta sedução natural e não planejada que cobriu como um manto azul tudo que se passou daquele ponto em diante.
Duas vidas apartadas por realidades e experiências forjadas em culturas distintas, ele urbano e cosmopolita, ela matuta, reduzida a poucos quilômetros.
Tudo que um dizia o outro observava e sorvia como se aquele café fosse um elixir luxuoso e exótico. Uma viagem na imaginação e prova de condimentos desconhecidos.
Sem controle pelo seus sentimentos inconscientes delineava ali uma pintura de Monet em sua mente e coração. Os tons que eram cinzas e molhados, podia-se dizer frios, ganhavam cores quentes, traços intensos, composição de uma paisagem paradisíaca e hipnótica.
Como o marlim que se perde pela boca, não havia mais linhas, pautas ou margens, seu texto fluía em resposta aos encantos que o consumiam. O magnetismo nativo daquele encontro estava sem remédio, contaminados seguiram sem noção do relógio distribuindo afetos e contos.
Em certo ponto, já sem as rédeas do trote, confessou que estava demasiado feliz, inebriado pela conversa, pelo brilho dos dentes e pelos cabelos voadiços. Percebeu que era muito cedo para tanto, mas ela se recompôs e aceitou com ternura o elogio, retribuindo o prazer pelo convescote.
Decidiram retornar à casa e a volta foi silenciosa. Provavelmente com cérebros barulhentos em disfarce.
Um anjo negro com suas asas enormes
sobrevoa minha mente e faz sombra em meu corpo
não é feio de feições disformes
mas sim encanto sem qualquer ângulo torto
olhos castanhos claros esverdeados
sombras azuis que denotam o céu
lábios longos sedutores encarnados
face angelical com sorriso diabólico sob um véu
seus braços finos balançam suavemente
seus dedos delicados me chamam pra perto
uma linda e sinuosa mulher serpente
convite irrecusável de resultado incerto
me entrego hipnotizado e indefeso
carrega meu corpo e espírito
qual é seu preço qual será o peso
do prazer implícito em seu feitiço bendito
negros cabelos esvoaçantes
doce beijo da morte
musa aterrorizante
seduziu e me capturou a sua sorte
não sei se quero um dia me libertar
se porventura há noite com melhor destino
ser escravo desta bela a me comandar
ou só em puro desatino
Edu Liguori
sobrevoa minha mente e faz sombra em meu corpo
não é feio de feições disformes
mas sim encanto sem qualquer ângulo torto
olhos castanhos claros esverdeados
sombras azuis que denotam o céu
lábios longos sedutores encarnados
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seus dedos delicados me chamam pra perto
uma linda e sinuosa mulher serpente
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me entrego hipnotizado e indefeso
carrega meu corpo e espírito
qual é seu preço qual será o peso
do prazer implícito em seu feitiço bendito
negros cabelos esvoaçantes
doce beijo da morte
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seduziu e me capturou a sua sorte
não sei se quero um dia me libertar
se porventura há noite com melhor destino
ser escravo desta bela a me comandar
ou só em puro desatino
Edu Liguori
Uma coisa que me fascina
tu vive algumas décadas
faz faz faz
não faz não faz não faz
e puft
acaba
era só isso
e tudo isso
sorte de quem
entendeu e viveu
Edu Liguori
tu vive algumas décadas
faz faz faz
não faz não faz não faz
e puft
acaba
era só isso
e tudo isso
sorte de quem
entendeu e viveu
Edu Liguori
Não tenho mais idade para ter sonhos
ou desejos devassos
meus pensamentos estão ligados a imagens que não me pertencem mais
meu tempo já acabou
a moral e os costumes
estes vermes
cada cerveja que bebo
cada ar que respiro
me transformam neste velho poeta
em um mundo que não perdoa
que julga e dilacera
calado cumpro minha pena
a caneta e um coração defasado
sem beijos
suspiros
ou atiros
uma pessoa que se desencaixou
sem lugar neste mundo
a música acabou
Edu Liguori
ou desejos devassos
meus pensamentos estão ligados a imagens que não me pertencem mais
meu tempo já acabou
a moral e os costumes
estes vermes
cada cerveja que bebo
cada ar que respiro
me transformam neste velho poeta
em um mundo que não perdoa
que julga e dilacera
calado cumpro minha pena
a caneta e um coração defasado
sem beijos
suspiros
ou atiros
uma pessoa que se desencaixou
sem lugar neste mundo
a música acabou
Edu Liguori
Não é pecado que tão tarde
ainda não havia lido Machado
há tanto que não sei nesse mundo
nem tenho pretensão de tudo saber
mas agora recente degustei
de tal acervo pequenos exemplos
em um momento em que
demonstrava o tempo
cada minuto parecia
não direi um século
mas uma hora
e outro em que questionava
entro num drama
ou saio de uma comédia
assim quem não estava a fazer lição
cresceu dois tentos
ao digerir que o tempo é assim flexível
e o sentimento deveras controverso
obrigado Joaquim Maria
este humilde poeta agradece
Edu Liguori
ainda não havia lido Machado
há tanto que não sei nesse mundo
nem tenho pretensão de tudo saber
mas agora recente degustei
de tal acervo pequenos exemplos
em um momento em que
demonstrava o tempo
cada minuto parecia
não direi um século
mas uma hora
e outro em que questionava
entro num drama
ou saio de uma comédia
assim quem não estava a fazer lição
cresceu dois tentos
ao digerir que o tempo é assim flexível
e o sentimento deveras controverso
obrigado Joaquim Maria
este humilde poeta agradece
Edu Liguori
Confesso o silêncio que rodeia por aqui
preço alto dos pecados que cometi
som da ausência infinita
que machuca, que irrita
procuro um par de olhos puros
pra banhar de luz e salvar os apuros
mas há escuridão sem alvorada
dor e perdição sem uma morada
tédio, angústia sufocante
corpo embrulhado em fita isolante
os lírios estão perfumados e brancos
inebriam os sentidos aos solavancos
soluços, lágrimas, convulsões
contorcem os músculos, apressam estações
sinto frio, calor, medo, arrepios
um longo emaranhado de fios
desata, desapega, imploro por uma saída
mas nada vejo a não ser tua partida
onde estás, por que não vem
quem sou se não há mais ninguém
grande revolução que revela os perigos
palavras, verbos, conjunções e artigos
texto que brota fúnebre e caótico
percorre os nervos deste poeta sinótico
chega, basta, poupe-me e a todos os amantes
que só desejam reviver as jovens emoções de antes
quero, desejo um pouco de carinho
não há mais sentido em estar tão sozinho
Edu Liguori
preço alto dos pecados que cometi
som da ausência infinita
que machuca, que irrita
procuro um par de olhos puros
pra banhar de luz e salvar os apuros
mas há escuridão sem alvorada
dor e perdição sem uma morada
tédio, angústia sufocante
corpo embrulhado em fita isolante
os lírios estão perfumados e brancos
inebriam os sentidos aos solavancos
soluços, lágrimas, convulsões
contorcem os músculos, apressam estações
sinto frio, calor, medo, arrepios
um longo emaranhado de fios
desata, desapega, imploro por uma saída
mas nada vejo a não ser tua partida
onde estás, por que não vem
quem sou se não há mais ninguém
grande revolução que revela os perigos
palavras, verbos, conjunções e artigos
texto que brota fúnebre e caótico
percorre os nervos deste poeta sinótico
chega, basta, poupe-me e a todos os amantes
que só desejam reviver as jovens emoções de antes
quero, desejo um pouco de carinho
não há mais sentido em estar tão sozinho
Edu Liguori
Caatinga e sua terra seca rachada
resiste o inverno sem água sem vida
pele sem carinho felicidade partida
solidão de corpo e mente desamparada
cactus e poeira pelo chão
pouco sobrevive no deserto
ele respira fundo sem ninguém por perto
acalma, persiste espera compaixão
animal morto agora é só ossada
esqueleto partido no meio da imensidão
sujeito único, conjunto unitário em suspensão
sem amor vaga a alma penada
implora misericórdia, reza pela primavera
a nação e povo do planalto central
homem em desespero e estado final
as lágrimas lembram o que uma vez tivera
na natureza cruel do sertão
carcarás e abutres sobrevoam
sonhos e esperanças abençoam
no amor e na paixão
ninguém sabe como, mas a flor sempre volta
assim alimenta a insistente sobrevivência
ninguém entende como, nem a ciência
mas o tempo sim traz de novo a reviravolta
Edu Liguori
resiste o inverno sem água sem vida
pele sem carinho felicidade partida
solidão de corpo e mente desamparada
cactus e poeira pelo chão
pouco sobrevive no deserto
ele respira fundo sem ninguém por perto
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animal morto agora é só ossada
esqueleto partido no meio da imensidão
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implora misericórdia, reza pela primavera
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homem em desespero e estado final
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na natureza cruel do sertão
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ninguém entende como, nem a ciência
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