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@eduliguori

EDU LIGUORI
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@rafaelaraujoescritor RAFAEL ARAUJO
Público
Quero te comer feito rapadura
quebra-queixo, gostosura
lamber os beiços babados
estremados, desleixados
ser teu carma, teu ódio, teu amor
arma dura, sódio, teu calor
quero te saborear feito líquido
sorver e beber todo teu fluido
suco de manga, maçã e pêssego
botar fim no teu último sossego
comer tua alma, tua paz, tua flor
consumir e exterminar tua dor
ser homem, ser mago, ser paixão
tu mulher, colher, minha mão
nessa loucura incontida e safada
minha fada, nossa foda, uma estrada
dou um trago, te estrago e sorrio
tu rebolas, gargalhas o que sentiu
um par ímpar de tão incomum
sertão, mar, camarão e jerimum
enquanto começo a te navegar
venha com fé e força delirar
não há nada que se possa perder
quebra-queixo, deixo, entreter

Edu Liguori
Público
O que será dessa vez
o relógio já marca mais de uma da manhã
a goteira persistente irrita os nervos
o barulho da chuva lá fora molha os intestinos
pega a seda, enrola um cigarro e fuma
a cama foi abandonada, está de novo sobre o teclado
não tem absolutamente nada para dizer
apenas precisa escrever
sem razão aparente o sono não vem
os minutos passam juntos com os carros
a garganta arranha a fumaça já exagerada
a luz amarela do abajur e vermelha do computador
Espanha
não, nada de espanhol
só o lençol bagunçado
a mente ansiosa, entediado
de mais uma noite longa e molhada
os poetas não dormem
bebe mais um copo d'água
outro trago e o silêncio misturado
com o maldito som da goteira
outra noite igual a tantas outras
a mente que trabalha um verão
e atrapalha o sono frio
do dono destas palavras sem sentido
não sabe como encerrar o poema
já deu boa noite há muito tempo
engole seco o pigarro amargo
coça a cabeça vazia de ideias
esqueça, só mais um anoitecer
de poeta
e os poetas não dormem
falecem

Edu Liguori
Público
No espaço vazio que penso que ocupo
há muito mais do que creio ou conheço
cego não enxergo nem me preocupo
não sei se existe um fim e ou um começo
deitado e calado aqui de olhos fechados
não sei se havia verdade ou pura ficção
enquanto a pé atravessava o cerrado
uma linda zebra era beijada por um leão
destemido me jogo sem saber o caminho
sigo sonhando a viagem mais colorida
ilusão da razão perdida num gesto de carinho
depois dela sou assim uma tela divertida
louco entorpecido perdido na geografia
surge o mar com ondas de espumas brancas
flutua Afrodite em sonora e elevada harmonia
danço sob o encanto de suas fartas ancas
agora sou deus sou Botticelli sou só um homem
então beijo a zebra o leão a letra e o chão
são as drogas ou os desejos que me consomem
no mar por fim me afogo entre a deusa e a paixão

Edu Liguori
Público
Fechamos o balanço até 2024!
"Noites em Claro" vendeu 63 livros em versão impressa
"Perdições" foram 8 impressos e 10 digitais + 704 páginas lidas no KU
Vamos continuar sonhando e esperando que mais leitores entrem em contato com nossa obra.
Agradeço de coração todos que compraram os livros, mais ainda aqueles que comentaram, avaliaram e ajudam na divulgação.
Somos pequenos, mas temos muito orgulho do que já entregamos!
Feliz 2025 para todos os amantes da literatura e da poesia!
Público
Em uma tarde destas olhou para fora
e não via mais os olhos de Perséfone
não era um caso de repente cegueira
nem falta de luz ou demasiada poeira
simplesmente já não era mais Hades
seus olhos se transmutaram recentes
os olhares não buscavam sequestro
uma visão reveladora lhe anunciava
as pálpebras fechadas em um sonho
encontro e não busca desesperada
faleceu o caçador de paixões e cor
surgiu a liberdade do permitir sentir
sem cobrar ou ter foi somente ser

Edu Liguori