Dia Nacional da Visibilidade Trans
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RAFAEL ARAUJO
Lhe envolvo
com todas as coisas desconhecidas
que não são
e por não serem
mal não fazem
aproveite esse mistério
olhe meu olho sério
e o outro sorrindo
pra ti meu remédio
Edu Liguori
com todas as coisas desconhecidas
que não são
e por não serem
mal não fazem
aproveite esse mistério
olhe meu olho sério
e o outro sorrindo
pra ti meu remédio
Edu Liguori
Foi com o riso solto
que ela me prendeu
fiz tudo
fui tudo
me joguei
o rio correu solto
até o mar e se perdeu
dei tudo
contudo
me afoguei
Edu Liguori
que ela me prendeu
fiz tudo
fui tudo
me joguei
o rio correu solto
até o mar e se perdeu
dei tudo
contudo
me afoguei
Edu Liguori
Afundou em meio a seca do planalto
no asfalto negro a cinquenta e cinco graus
mergulhou a face na aspereza do piche entre pedras
sentiu a carne rasgar e o ranger dos ossos
A dor do tombo que leva todos ao martírio
dos sentimentos feridos e vilipendiados
um precipício próximo e nada incomum
era mais um a se ver vítima do concreto
Sem mais perspectivas ou ilusões chorou
na miragem da vida urbana e cívica
um dia sonhou com uma realidade possível
acreditou que entre os veículos havia um caminho
Morreu sozinho no tráfego dos corpos e almas
que se digladiam egoísmos e incompreensões
não há amor na metrópole cinza dos homens e mulheres
que são incapazes de aceitar, permitir e perdoar
Edu Liguori
no asfalto negro a cinquenta e cinco graus
mergulhou a face na aspereza do piche entre pedras
sentiu a carne rasgar e o ranger dos ossos
A dor do tombo que leva todos ao martírio
dos sentimentos feridos e vilipendiados
um precipício próximo e nada incomum
era mais um a se ver vítima do concreto
Sem mais perspectivas ou ilusões chorou
na miragem da vida urbana e cívica
um dia sonhou com uma realidade possível
acreditou que entre os veículos havia um caminho
Morreu sozinho no tráfego dos corpos e almas
que se digladiam egoísmos e incompreensões
não há amor na metrópole cinza dos homens e mulheres
que são incapazes de aceitar, permitir e perdoar
Edu Liguori
A rua virou um rio
corre água escura da chuva
um verão longo e triste
inundado de ausências
sem choro
observo a correnteza
sobre o asfalto a sujeira
carregada além
não mais lamento
estou parado na varanda
de uma vida sem sal do mar
sem brilho, sem sabor, sem cor
a rua virou um rio
que trocou o oceano pelos bueiros
que trocou o bolero pelo silêncio
sem choro, sem samba, sem música
uma vida que finda
e não tenho mais esperança
ela não dança
ela não vem
Edu Liguori
corre água escura da chuva
um verão longo e triste
inundado de ausências
sem choro
observo a correnteza
sobre o asfalto a sujeira
carregada além
não mais lamento
estou parado na varanda
de uma vida sem sal do mar
sem brilho, sem sabor, sem cor
a rua virou um rio
que trocou o oceano pelos bueiros
que trocou o bolero pelo silêncio
sem choro, sem samba, sem música
uma vida que finda
e não tenho mais esperança
ela não dança
ela não vem
Edu Liguori
Naquele mundo distópico
não havia amor passado
ninguém queria, ninguém sentia
amor virou instante
nada mais é filantrópico
sem o corpo amassado
nada mais intenso havia
morreu o tal romance
eles já não se encontram
a faísca é então digital
signos, pura semiótica
momentos de compreensão
no gozo solitário se concentram
perdeu-se o instinto animal
relação simples simbiótica
alívio sem rompantes de paixão
tudo em nome do medo
o receio de por fim viver
sempre é muito cedo
para deixar acontecer
evitam assim cicatrizes
não reproduzem emoções
atores e atrizes
elaboradas interpretações
não há mais amor
já temos outras dores
uma vida sem humor
muitas telas e computadores
a poesia tenta e resiste
com seu pedido desesperado
provoca e ainda insiste
em busca do último enamorado
Edu Liguori
não havia amor passado
ninguém queria, ninguém sentia
amor virou instante
nada mais é filantrópico
sem o corpo amassado
nada mais intenso havia
morreu o tal romance
eles já não se encontram
a faísca é então digital
signos, pura semiótica
momentos de compreensão
no gozo solitário se concentram
perdeu-se o instinto animal
relação simples simbiótica
alívio sem rompantes de paixão
tudo em nome do medo
o receio de por fim viver
sempre é muito cedo
para deixar acontecer
evitam assim cicatrizes
não reproduzem emoções
atores e atrizes
elaboradas interpretações
não há mais amor
já temos outras dores
uma vida sem humor
muitas telas e computadores
a poesia tenta e resiste
com seu pedido desesperado
provoca e ainda insiste
em busca do último enamorado
Edu Liguori
O único poema que me vem hoje a mente
ainda não foi escrito, fala do amor que não veio
e por isso a mão dormente não escreve, não sente
só imagino a hipótese de calado me aninhar em teu seio
sei que não há um sonho mais doce do que o que cometi
te cantei cem fábulas e me apaixonei deveras por ti
enfim reflito pausadamente sobre quão doce foi tua verdade
que mesmo ao dizer não, depositou carinho e realidade
esse poema desconhecido, jamais celebrado ou rimado
ficará para a história obscuro e não será lido ou amado
ele conta sem dizer nada a aventura deste poeta que ousou
conquistar sua amada pedindo que ela fosse livre (e ela voou)
Edu Liguori
ainda não foi escrito, fala do amor que não veio
e por isso a mão dormente não escreve, não sente
só imagino a hipótese de calado me aninhar em teu seio
sei que não há um sonho mais doce do que o que cometi
te cantei cem fábulas e me apaixonei deveras por ti
enfim reflito pausadamente sobre quão doce foi tua verdade
que mesmo ao dizer não, depositou carinho e realidade
esse poema desconhecido, jamais celebrado ou rimado
ficará para a história obscuro e não será lido ou amado
ele conta sem dizer nada a aventura deste poeta que ousou
conquistar sua amada pedindo que ela fosse livre (e ela voou)
Edu Liguori
Quero te comer feito rapadura
quebra-queixo, gostosura
lamber os beiços babados
estremados, desleixados
ser teu carma, teu ódio, teu amor
arma dura, sódio, teu calor
quero te saborear feito líquido
sorver e beber todo teu fluido
suco de manga, maçã e pêssego
botar fim no teu último sossego
comer tua alma, tua paz, tua flor
consumir e exterminar tua dor
ser homem, ser mago, ser paixão
tu mulher, colher, minha mão
nessa loucura incontida e safada
minha fada, nossa foda, uma estrada
dou um trago, te estrago e sorrio
tu rebolas, gargalhas o que sentiu
um par ímpar de tão incomum
sertão, mar, camarão e jerimum
enquanto começo a te navegar
venha com fé e força delirar
não há nada que se possa perder
quebra-queixo, deixo, entreter
Edu Liguori
quebra-queixo, gostosura
lamber os beiços babados
estremados, desleixados
ser teu carma, teu ódio, teu amor
arma dura, sódio, teu calor
quero te saborear feito líquido
sorver e beber todo teu fluido
suco de manga, maçã e pêssego
botar fim no teu último sossego
comer tua alma, tua paz, tua flor
consumir e exterminar tua dor
ser homem, ser mago, ser paixão
tu mulher, colher, minha mão
nessa loucura incontida e safada
minha fada, nossa foda, uma estrada
dou um trago, te estrago e sorrio
tu rebolas, gargalhas o que sentiu
um par ímpar de tão incomum
sertão, mar, camarão e jerimum
enquanto começo a te navegar
venha com fé e força delirar
não há nada que se possa perder
quebra-queixo, deixo, entreter
Edu Liguori
O que será dessa vez
o relógio já marca mais de uma da manhã
a goteira persistente irrita os nervos
o barulho da chuva lá fora molha os intestinos
pega a seda, enrola um cigarro e fuma
a cama foi abandonada, está de novo sobre o teclado
não tem absolutamente nada para dizer
apenas precisa escrever
sem razão aparente o sono não vem
os minutos passam juntos com os carros
a garganta arranha a fumaça já exagerada
a luz amarela do abajur e vermelha do computador
Espanha
não, nada de espanhol
só o lençol bagunçado
a mente ansiosa, entediado
de mais uma noite longa e molhada
os poetas não dormem
bebe mais um copo d'água
outro trago e o silêncio misturado
com o maldito som da goteira
outra noite igual a tantas outras
a mente que trabalha um verão
e atrapalha o sono frio
do dono destas palavras sem sentido
não sabe como encerrar o poema
já deu boa noite há muito tempo
engole seco o pigarro amargo
coça a cabeça vazia de ideias
esqueça, só mais um anoitecer
de poeta
e os poetas não dormem
falecem
Edu Liguori
o relógio já marca mais de uma da manhã
a goteira persistente irrita os nervos
o barulho da chuva lá fora molha os intestinos
pega a seda, enrola um cigarro e fuma
a cama foi abandonada, está de novo sobre o teclado
não tem absolutamente nada para dizer
apenas precisa escrever
sem razão aparente o sono não vem
os minutos passam juntos com os carros
a garganta arranha a fumaça já exagerada
a luz amarela do abajur e vermelha do computador
Espanha
não, nada de espanhol
só o lençol bagunçado
a mente ansiosa, entediado
de mais uma noite longa e molhada
os poetas não dormem
bebe mais um copo d'água
outro trago e o silêncio misturado
com o maldito som da goteira
outra noite igual a tantas outras
a mente que trabalha um verão
e atrapalha o sono frio
do dono destas palavras sem sentido
não sabe como encerrar o poema
já deu boa noite há muito tempo
engole seco o pigarro amargo
coça a cabeça vazia de ideias
esqueça, só mais um anoitecer
de poeta
e os poetas não dormem
falecem
Edu Liguori
No espaço vazio que penso que ocupo
há muito mais do que creio ou conheço
cego não enxergo nem me preocupo
não sei se existe um fim e ou um começo
deitado e calado aqui de olhos fechados
não sei se havia verdade ou pura ficção
enquanto a pé atravessava o cerrado
uma linda zebra era beijada por um leão
destemido me jogo sem saber o caminho
sigo sonhando a viagem mais colorida
ilusão da razão perdida num gesto de carinho
depois dela sou assim uma tela divertida
louco entorpecido perdido na geografia
surge o mar com ondas de espumas brancas
flutua Afrodite em sonora e elevada harmonia
danço sob o encanto de suas fartas ancas
agora sou deus sou Botticelli sou só um homem
então beijo a zebra o leão a letra e o chão
são as drogas ou os desejos que me consomem
no mar por fim me afogo entre a deusa e a paixão
Edu Liguori
há muito mais do que creio ou conheço
cego não enxergo nem me preocupo
não sei se existe um fim e ou um começo
deitado e calado aqui de olhos fechados
não sei se havia verdade ou pura ficção
enquanto a pé atravessava o cerrado
uma linda zebra era beijada por um leão
destemido me jogo sem saber o caminho
sigo sonhando a viagem mais colorida
ilusão da razão perdida num gesto de carinho
depois dela sou assim uma tela divertida
louco entorpecido perdido na geografia
surge o mar com ondas de espumas brancas
flutua Afrodite em sonora e elevada harmonia
danço sob o encanto de suas fartas ancas
agora sou deus sou Botticelli sou só um homem
então beijo a zebra o leão a letra e o chão
são as drogas ou os desejos que me consomem
no mar por fim me afogo entre a deusa e a paixão
Edu Liguori