#Desafio 241
tudo
se
alinha
enfim
a
estrada
traz
você
para
mim
o
trem
desliza
manso,
sussurrante
a
paz
mora
aqui
dentro
eu
rio
solta,
displicente
o
amor
corresponde
totalmente
sonho
desperto
sem
fim
fogo
que
não
acaba
nunca
segue
em
mim
e cresce:
Chama
que dança
Crs Ribeiro
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#Desafio 240
Na xícara, o incêndio
Água não sacia.
Sede tateada
nas papilas do desejo:
em brasa.
O café me olha.
Afoga minha boca,
fala no aroma…
Fumaça escorre
pela pele da boca.
Minha língua
escuta o escuro.
No toque da mente,
um gosto de claridade.
No silêncio dos olhos,
o cheiro acorda.
Tudo gira:
o amargo acaricia,
o quente esfria,
o silêncio grita.
E no fundo da xícara,
um sol noturno arde.
É o café que sonha a mim.
Tudo é inverso:
o café me bebe.
Crs Ribeiro
Na xícara, o incêndio
Água não sacia.
Sede tateada
nas papilas do desejo:
em brasa.
O café me olha.
Afoga minha boca,
fala no aroma…
Fumaça escorre
pela pele da boca.
Minha língua
escuta o escuro.
No toque da mente,
um gosto de claridade.
No silêncio dos olhos,
o cheiro acorda.
Tudo gira:
o amargo acaricia,
o quente esfria,
o silêncio grita.
E no fundo da xícara,
um sol noturno arde.
É o café que sonha a mim.
Tudo é inverso:
o café me bebe.
Crs Ribeiro
#Desafio 239
Petição ao Desejo
Requeiro,
liminar,
que teu beijo
seja DEFERIDO.
Executado.
Cumprido.
Em
caráter
IRREVOGÁVEL
(assinado em suor).
Erga omnes.
Corpo,
alma,
LIBIDO.
(Em combustão)
Declaro
INCOMPETENTE
o juízo da razão.
Paixão:
transitada
em JULGADO.
Sem recurso.
Sem apelação.
Tua ausência:
CRIME INAFIANÇÁVEL
no peito rasgado
do meu peito
rasgado
do meu peito…
Ônus da prova?
Teu sorriso.
Produzido
em audiência íntima,
suspiro após suspiro,
gemido…
gemido…
Prova viva,
assinatura líquida,
carimbo do desejo.
Sentença:
AMOR VITALÍCIO
sem prescrição,
sem prazo,
sem súmula vinculante,
sem saída,
sem perdão.
SEM ABSOLVIÇÃO.
Sempre.
Jurisprudência única:
tua boca…
na minha…
na minha…
na minha…
NA MINHA…
Fim.
E ainda não acabou…
(Nunca acabará)
Crs Ribeiro
Petição ao Desejo
Requeiro,
liminar,
que teu beijo
seja DEFERIDO.
Executado.
Cumprido.
Em
caráter
IRREVOGÁVEL
(assinado em suor).
Erga omnes.
Corpo,
alma,
LIBIDO.
(Em combustão)
Declaro
INCOMPETENTE
o juízo da razão.
Paixão:
transitada
em JULGADO.
Sem recurso.
Sem apelação.
Tua ausência:
CRIME INAFIANÇÁVEL
no peito rasgado
do meu peito
rasgado
do meu peito…
Ônus da prova?
Teu sorriso.
Produzido
em audiência íntima,
suspiro após suspiro,
gemido…
gemido…
Prova viva,
assinatura líquida,
carimbo do desejo.
Sentença:
AMOR VITALÍCIO
sem prescrição,
sem prazo,
sem súmula vinculante,
sem saída,
sem perdão.
SEM ABSOLVIÇÃO.
Sempre.
Jurisprudência única:
tua boca…
na minha…
na minha…
na minha…
NA MINHA…
Fim.
E ainda não acabou…
(Nunca acabará)
Crs Ribeiro
#Desafio 238
Há um desejo que me arrebata
tão logo se faz dia.
Um querer que me esvazia e completa
sempre que me perco em teus olhos.
Preenche e falta
Ritmado,
gostoso,
ansioso.
Preenche e falta
Compassado,
faminto,
urgente.
Até se iludir saciado:
pleno,
repleto,
íntegro.
E minguar… de novo.
Minha vontade só se satisfaz em você.
E não se satisfaz.
E não se cala,
quando a noite vem.
Crs Ribeiro
Há um desejo que me arrebata
tão logo se faz dia.
Um querer que me esvazia e completa
sempre que me perco em teus olhos.
Preenche e falta
Ritmado,
gostoso,
ansioso.
Preenche e falta
Compassado,
faminto,
urgente.
Até se iludir saciado:
pleno,
repleto,
íntegro.
E minguar… de novo.
Minha vontade só se satisfaz em você.
E não se satisfaz.
E não se cala,
quando a noite vem.
Crs Ribeiro
#Desafio 237
Cronista de mim
Nasci.
O petróleo escorria
nas veias da história:
crises,
ditaduras,
silêncios.
O susto do primeiro choro.
A vida entrando
sem medir tamanho.
Cresci.
Cresci entre silêncios,
cresci entre descobertas,
cresci aprendendo:
o corpo fala,
mesmo quando a boca cala.
Meu país tropeçava
na democracia.
Eu tropeçava no espelho,
tentando reconhecer
quem era aquela
que me olhava de volta.
Vieram os vinis:
febre girando,
ritmo rodando.
Vieram as cores da TV:
sonhos pintando,
vidas cintilando.
A sombra de Chernobyl
rasgava o céu de medo.
E dentro de mim,
uma inquietação
que não cabia
em caderno de escola,
sem margens, sem fim,
sem fim.
O mundo desabava muros,
eu erguia os meus
para me proteger.
O mapa se redesenhou
na poeira de Berlim.
E eu, língua incendiada,
querendo amor sem moldura,
querendo amor
sem fronteira.
Vieram guerras distantes,
aviões em lâminas no céu,
planeta em chamas,
fogo, fogo, fogo,
gritando por ar.
Vivi meus próprios incêndios,
aprendi a respirar poesia.
Descobri Drummond,
e soube:
dentro de mim
cabiam multidões.
O século virou,
eu virei junto:
mãe de mim,
mulher de cicatrizes,
mulher de coragem.
A internet conectava continentes,
eu queria
me conectar comigo.
Torres caíram,
presidentes desabaram,
veio o silêncio da pandemia:
solidão partilhada
em janelas virtuais,
saudade feita de pixels.
Hoje caminho
entre máquinas que aprendem,
climas que mudam,
humanos que se perdem de si.
Carrego os anos como amantes:
alguns me feriram,
outros me deixaram marcas
que aprendi a lamber devagar.
Fui me despindo das ilusões,
enquanto a humanidade se vestia
de cabos,
calos,
cores,
satélites,
redes,
rodas.
Ainda aqui.
Ainda danço.
Danço sobre cinzas.
Danço sobre telas.
Ainda.
Sou carne
que arde em segredo.
Sou cronista de mim.
Cada ruga: um capítulo.
Cada fenda: um desejo.
E se ainda há precipício,
eu atravesso.
Atravesso em prosa,
Atravesso em poesia.
Porque viver, aprendi,
é narrar-se,
Narrar-se.
Antes que o silêncio
conte por mim.
Crs Ribeiro
Cronista de mim
Nasci.
O petróleo escorria
nas veias da história:
crises,
ditaduras,
silêncios.
O susto do primeiro choro.
A vida entrando
sem medir tamanho.
Cresci.
Cresci entre silêncios,
cresci entre descobertas,
cresci aprendendo:
o corpo fala,
mesmo quando a boca cala.
Meu país tropeçava
na democracia.
Eu tropeçava no espelho,
tentando reconhecer
quem era aquela
que me olhava de volta.
Vieram os vinis:
febre girando,
ritmo rodando.
Vieram as cores da TV:
sonhos pintando,
vidas cintilando.
A sombra de Chernobyl
rasgava o céu de medo.
E dentro de mim,
uma inquietação
que não cabia
em caderno de escola,
sem margens, sem fim,
sem fim.
O mundo desabava muros,
eu erguia os meus
para me proteger.
O mapa se redesenhou
na poeira de Berlim.
E eu, língua incendiada,
querendo amor sem moldura,
querendo amor
sem fronteira.
Vieram guerras distantes,
aviões em lâminas no céu,
planeta em chamas,
fogo, fogo, fogo,
gritando por ar.
Vivi meus próprios incêndios,
aprendi a respirar poesia.
Descobri Drummond,
e soube:
dentro de mim
cabiam multidões.
O século virou,
eu virei junto:
mãe de mim,
mulher de cicatrizes,
mulher de coragem.
A internet conectava continentes,
eu queria
me conectar comigo.
Torres caíram,
presidentes desabaram,
veio o silêncio da pandemia:
solidão partilhada
em janelas virtuais,
saudade feita de pixels.
Hoje caminho
entre máquinas que aprendem,
climas que mudam,
humanos que se perdem de si.
Carrego os anos como amantes:
alguns me feriram,
outros me deixaram marcas
que aprendi a lamber devagar.
Fui me despindo das ilusões,
enquanto a humanidade se vestia
de cabos,
calos,
cores,
satélites,
redes,
rodas.
Ainda aqui.
Ainda danço.
Danço sobre cinzas.
Danço sobre telas.
Ainda.
Sou carne
que arde em segredo.
Sou cronista de mim.
Cada ruga: um capítulo.
Cada fenda: um desejo.
E se ainda há precipício,
eu atravesso.
Atravesso em prosa,
Atravesso em poesia.
Porque viver, aprendi,
é narrar-se,
Narrar-se.
Antes que o silêncio
conte por mim.
Crs Ribeiro
#Desafio 236
#Desafio 235
No rastro
que deixei,
não há arrependimento:
vejo desejo
que não se apaga.
E se me perguntarem
se farei de novo,
responderei
com a boca
cheia de noite:
sim, sempre.
Porque foi
do meu jeito…
e o meu jeito
é fome.
Crs Ribeiro
No rastro
que deixei,
não há arrependimento:
vejo desejo
que não se apaga.
E se me perguntarem
se farei de novo,
responderei
com a boca
cheia de noite:
sim, sempre.
Porque foi
do meu jeito…
e o meu jeito
é fome.
Crs Ribeiro
#Desafio 234
Disseram
“calma”,
entendi
“alma”:
fui tempestade.
Quando rogaram
“espere”,
eu já tinha partido.
A solidão,
às vezes,
me foi amante
mais fiel
que qualquer
corpo quente.
E ainda assim,
meus desejos
não pedem
licença.
Crs Ribeiro
Disseram
“calma”,
entendi
“alma”:
fui tempestade.
Quando rogaram
“espere”,
eu já tinha partido.
A solidão,
às vezes,
me foi amante
mais fiel
que qualquer
corpo quente.
E ainda assim,
meus desejos
não pedem
licença.
Crs Ribeiro
#Desafio 233
#Desafio 232
Eco
Peregrino.
Desavisado.
Entregava-se
ao mundo,
com a doçura
de ignorar
o perigo.
Olhar frágil,
quase um sussurro.
Falando
de destinos,
de dons divinos…
Cada gesto:
um traço vulnerável,
um convite
à intimidade,
desafinando
a solidão.
No fundo:
apenas um menino.
Ferido,
febril,
pele lanhada
de curiosidade
de medo.
Bebia vinho,
fogo líquido
que dissipa calor.
Saboreando dor
e prazer,
sem permitir
engasgar…
De…
Novo…
De…
Novo…
Engasgar…
De…
Novo…
Com a própria
vida.
Crs Ribeiro
Eco
Peregrino.
Desavisado.
Entregava-se
ao mundo,
com a doçura
de ignorar
o perigo.
Olhar frágil,
quase um sussurro.
Falando
de destinos,
de dons divinos…
Cada gesto:
um traço vulnerável,
um convite
à intimidade,
desafinando
a solidão.
No fundo:
apenas um menino.
Ferido,
febril,
pele lanhada
de curiosidade
de medo.
Bebia vinho,
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Saboreando dor
e prazer,
sem permitir
engasgar…
De…
Novo…
De…
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Engasgar…
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Novo…
Com a própria
vida.
Crs Ribeiro