Misantropoesia
Ó, sistema solar funciona assim:
o astro-rei vai expandir no seu fim.
Ao seu redor, corpos celestes
reproduzem seu comportamento ruim.
Aprisiona em sua órbita
tudo que puder,
na gravidade da situação.
Tem planeta que tenta capturar satélite
e também os lança
pra lá de Plutão.
Planeta-anão, planeta-anão,
rebaixado.
Quantas luas Júpiter tem ostentado?
Saturno do lado,
anéis à mostra,
atraindo astros pra crosta.
Tudo girando em torno
da estrela de quinta grandeza,
que tem grandeza imposta,
apenas uma estrela
numa galáxia numerosa.
No vácuo não se propaga o som,
só a velocidade da luz
do brilho de uma massa gasosa.
Meio nebulosa,
pisca em movimento,
o passado parecendo presente
no momento.
Não dá pra mencionar espaço-tempo
sem influenciar nossos pensamentos.
O astronauta é um anti-sistema,
vai de foguete enfrentar o problema:
a marca de uma empresa no emblema
e o erro ortográfico do poema.
O anarquista: futuro lixo espacial,
um macacão com capacete,
dentro, um fóssil animal.
À deriva, boiando no universo,
com a bandeira hipócrita de:
“só faço o verso”.
Mãe Terra sofrendo com guerra,
a política sendo caos
na ordem do inverso.
Urna eletrônica não tem voto impresso,
que é gravidade zero,
vai pra lua.
Entre um eclipse e outro,
o apocalipse flutua.
O plano da Terra plana tem um topo,
adoradores de uma bola de fogo
que também deve estar jogando o jogo.
Tá no lucro
por não perceber que tá no logro.
Nada muda
com a teoria da realidade simulacro.
Há quem queira ver buraco nos negros
e negros no buraco.
No buraco da minhoca,
a cobra falou com o macaco.
Enquanto seres gigantescos
não prometem quaisquer cuidados,
fracos alienígenas
expiram o oxigênio escasso.
Formas de vida
não têm fórmula de vida.
Bora escolher um lado,
uma ideia convencida.
Na distância da palavra,
medida em milênios por segundo,
fabricamos mais trilionários
do que erradicamos a fome no mundo.
Culpamos o menino Ney,
a Copa, a lei.
Não sei como se fez
a lei de que escravizado é vagabundo
na escala um por seis.
Queria um robô chinês
ocupando o cargo de vocês,
parlamentares.
Poder pro povo
que pinta o corpo e usa cocares,
obedecendo títulos
sem questionar pesares.
Esquerda e direita
são direções pros mesmos lugares.
E se o tema é sistema,
crises particulares:
você faz parte do colonizador
que ia ao mar ver a morte
por poder se sentir forte.
O que inveja não ataca:
muita sorte.
Na nave dividida
entre terra e mar,
e a gente na fronteira,
cercando e desenhando bandeira.
Essa é vermelha,
essa tem caveira.
Países são empresas,
presidentes ocupam
a ponta da cadeira.
Exército só existe
porque arma não é brincadeira.
Aí proíbe o civil armado,
mas não o fabricante do luto.
Produzem carros
que chegam a duzentos quilômetros por hora.
Daí lucro com o luto
não tem teto.
Pro excesso,
nem pra escassez.
Misantropoesia:
vou me isolar bem longe de vocês.
Com a roupinha de astronauta,
uma coroa na cabeça,
porque eu sou meu próprio rei.
@CrisRibeiro
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Propósito
Eu sei por que não desisto:
Porque não consigo e não posso,
Porque me sinto vivo ao te querer.
Porque você precisa ser feliz.
Porque não gosto de você pelo que você acredita,
Pelo que você prega
Ou pelo que já viveu.
Gosto de você pelo que você é.
Mas tem algo que eu quero mais do que a você
É te ver feliz.
Te ver livre.
Te ver ser toda essa mulher que você merece ser.
Da próxima vez, tocarei mais seu corpo,
Beijarei mais suas mãos
Olharei mais nos seus olhos, sem desvios
Falarei que te amo, mesmo sem palavras.
Te incitarei e sussurrando no seu ouvido,
Te farei suar e palpitar, mas não de medo.
Não de medo de mim, mas de ti.
Farei isso, mesmo que tudo
Seja apenas no meu pensamento.
Um dia eu terei sua boca
Seu corpo
E a chance de te fazer feliz.
E quando eu te olhar nos olhos,
E te ver feliz e realizada,
Eu entenderei porque não desisti.
Eu sei por que não desisto:
Porque não consigo e não posso,
Porque me sinto vivo ao te querer.
Porque você precisa ser feliz.
Porque não gosto de você pelo que você acredita,
Pelo que você prega
Ou pelo que já viveu.
Gosto de você pelo que você é.
Mas tem algo que eu quero mais do que a você
É te ver feliz.
Te ver livre.
Te ver ser toda essa mulher que você merece ser.
Da próxima vez, tocarei mais seu corpo,
Beijarei mais suas mãos
Olharei mais nos seus olhos, sem desvios
Falarei que te amo, mesmo sem palavras.
Te incitarei e sussurrando no seu ouvido,
Te farei suar e palpitar, mas não de medo.
Não de medo de mim, mas de ti.
Farei isso, mesmo que tudo
Seja apenas no meu pensamento.
Um dia eu terei sua boca
Seu corpo
E a chance de te fazer feliz.
E quando eu te olhar nos olhos,
E te ver feliz e realizada,
Eu entenderei porque não desisti.
Como dizia o Dobby...
Não há lugar melhor para se estar do que com os amigos.
Que noite! 殺
Não há lugar melhor para se estar do que com os amigos.
Que noite! 殺
Métrica
almejo desmedimento
à moda de sentimento
tramar fuga da exatidão
rebentar em incertezas
largarei as palhas do lar
para bater asas ao relento
saborear gota de chuva
pisar descalço
alar na pena dum pássaro
cultivar olhar plantífero
brotar da boca muda
o amanhã onírico
larga-me numa fogueira
não me oferte censura
ao inferno com as réguas!
o raio parta toda mensura!
obedecei ao desmandamento:
ser desmedido, ser desplanejo
amar perdidamente
desobedecer o certo
sê além de mero número
cava lonjuras dos quilos
dos sopros natalícios
dos quilômetros
és mais que distâncias
velocidades
metros cúbicos
frações
razões
segundos
minutos
horas
imensura-te!
almejo desmedimento
à moda de sentimento
tramar fuga da exatidão
rebentar em incertezas
largarei as palhas do lar
para bater asas ao relento
saborear gota de chuva
pisar descalço
alar na pena dum pássaro
cultivar olhar plantífero
brotar da boca muda
o amanhã onírico
larga-me numa fogueira
não me oferte censura
ao inferno com as réguas!
o raio parta toda mensura!
obedecei ao desmandamento:
ser desmedido, ser desplanejo
amar perdidamente
desobedecer o certo
sê além de mero número
cava lonjuras dos quilos
dos sopros natalícios
dos quilômetros
és mais que distâncias
velocidades
metros cúbicos
frações
razões
segundos
minutos
horas
imensura-te!
#Desafio 229
*Sinais*
Já faz muito tempo
desde que me apaixonei
pela última vez.
Parei para pensar…
e não sei se reconheço mais…
quais serão os sinais:
Se saberei identificar
quando alguém gostar
um pouco mais de me ver?
Se me abrigando
nesses olhos
e me sentindo num colo,
é corresponder?
Se ouvirei
nas entrelinhas
de uma melodia
e decodificarei
uma mensagem escondida?
E se eu cantarola-la
por todo um dia…
poderei distinguir
de empatia
aquele olhar
que me abriga?
Será que conseguirei
interpretar
se houver
reciprocidade afetiva?
Será que verei
a vontade
de ficar
na minha vida?
Me darei liberdade
de viver de verdade
um novo amor?
Eu tenho
essa minha
armadura de amiga…
que me mantém
protegida.
Vejo a vida
como poeta,
apaixonada
por natureza.
A vida me encanta,
vejo nas pessoas
extrema beleza.
E por que não…
esperanças?
Emocionada,
como diriam…
carente não!
Tenho
um enorme coração…
e ele segue pulsando,
mostrando-se vivo,
talvez, assim…
guiando-me, sigo-o.
Ainda que não esteja
traçando
nos meus planos.
Até não restarem
mais dúvidas,
ou enganos,
de que o que sinto,
sejam os sinais
da paixão
me tomando.
Com cautela,
amando-o,
me privo.
MarU
*Sinais*
Já faz muito tempo
desde que me apaixonei
pela última vez.
Parei para pensar…
e não sei se reconheço mais…
quais serão os sinais:
Se saberei identificar
quando alguém gostar
um pouco mais de me ver?
Se me abrigando
nesses olhos
e me sentindo num colo,
é corresponder?
Se ouvirei
nas entrelinhas
de uma melodia
e decodificarei
uma mensagem escondida?
E se eu cantarola-la
por todo um dia…
poderei distinguir
de empatia
aquele olhar
que me abriga?
Será que conseguirei
interpretar
se houver
reciprocidade afetiva?
Será que verei
a vontade
de ficar
na minha vida?
Me darei liberdade
de viver de verdade
um novo amor?
Eu tenho
essa minha
armadura de amiga…
que me mantém
protegida.
Vejo a vida
como poeta,
apaixonada
por natureza.
A vida me encanta,
vejo nas pessoas
extrema beleza.
E por que não…
esperanças?
Emocionada,
como diriam…
carente não!
Tenho
um enorme coração…
e ele segue pulsando,
mostrando-se vivo,
talvez, assim…
guiando-me, sigo-o.
Ainda que não esteja
traçando
nos meus planos.
Até não restarem
mais dúvidas,
ou enganos,
de que o que sinto,
sejam os sinais
da paixão
me tomando.
Com cautela,
amando-o,
me privo.
MarU
#Desafio 230
*Fadiga*
Prendo
os cabelos
de lado,
me olho
no espelho,
deixando
a roupa cair
do corpo,
parando
nos pés
descalços.
Afasto,
com as pontas
dos dedos,
caminho suave
para o chuveiro.
Giro o registro,
testo a
temperatura
com a mão.
O vapor
toma o banheiro,
sinto na pele
gotículas
em formação.
Molho o corpo,
dos ombros
para baixo.
A água
que cai…
renova
meu vigor.
Me ensaboo,
me enxáguo…
e satisfeita,
desligo tudo
e saio.
Com o corpo
molhado,
te vejo,
deitado…
e ofereço
minha pele,
meu cheiro
e sabor,
para você
seca-los…
com a língua…
e depois
cavalga-lo,
até o raiar
do dia,
ou se acabar
em mim,
de fadiga…
afogado
de paixão.
MarU
*Fadiga*
Prendo
os cabelos
de lado,
me olho
no espelho,
deixando
a roupa cair
do corpo,
parando
nos pés
descalços.
Afasto,
com as pontas
dos dedos,
caminho suave
para o chuveiro.
Giro o registro,
testo a
temperatura
com a mão.
O vapor
toma o banheiro,
sinto na pele
gotículas
em formação.
Molho o corpo,
dos ombros
para baixo.
A água
que cai…
renova
meu vigor.
Me ensaboo,
me enxáguo…
e satisfeita,
desligo tudo
e saio.
Com o corpo
molhado,
te vejo,
deitado…
e ofereço
minha pele,
meu cheiro
e sabor,
para você
seca-los…
com a língua…
e depois
cavalga-lo,
até o raiar
do dia,
ou se acabar
em mim,
de fadiga…
afogado
de paixão.
MarU
Maldita ansiedade
distorcendo a verdade;
me faz errar os passos
e cambalear aos tropeços
Se eu me olho no espelho
quase não me reconheço;
brincando com meus medos
retorcendo os meus dedos
Verdades entalhadas
falsidades pre-moldadas,
a mente colapsada,
memória fragilizada
Se sentir é minha fraqueza
viverei nessa certeza:
morrerei sensível,
mas não fingirei
ser menos que isso —
Voltarei ao início.
#desafio 365/230
distorcendo a verdade;
me faz errar os passos
e cambalear aos tropeços
Se eu me olho no espelho
quase não me reconheço;
brincando com meus medos
retorcendo os meus dedos
Verdades entalhadas
falsidades pre-moldadas,
a mente colapsada,
memória fragilizada
Se sentir é minha fraqueza
viverei nessa certeza:
morrerei sensível,
mas não fingirei
ser menos que isso —
Voltarei ao início.
#desafio 365/230
Depois de você
me recusei a escrever
qualquer palavra de amor,
como quem repudia sentir
mas se apega à dor
Só para te manter aqui,
nessa presença latente
que ainda pulsa vida,
vibra e arde
dentro de mim.
E cada batida em meu peito
é como se marcasse o tempo
Quantas ainda restam
até que você me abandone
também, aqui
do lado de dentro?
#desafio 365/231
me recusei a escrever
qualquer palavra de amor,
como quem repudia sentir
mas se apega à dor
Só para te manter aqui,
nessa presença latente
que ainda pulsa vida,
vibra e arde
dentro de mim.
E cada batida em meu peito
é como se marcasse o tempo
Quantas ainda restam
até que você me abandone
também, aqui
do lado de dentro?
#desafio 365/231
Rebelde demais
para ser dominada
sensível demais
para não ser amada
como uma fera enjaulada
com uma alma cansada
cansada demais para insistir
naquilo só que insiste
em me ferir.
#desafio 365/233
para ser dominada
sensível demais
para não ser amada
como uma fera enjaulada
com uma alma cansada
cansada demais para insistir
naquilo só que insiste
em me ferir.
#desafio 365/233
Tange
Com maestria
A alma
Que o guia
Abre a fissura
Descobre
Ensimesmado
Eu diria
Cava fundo
Até o brilho
Que surge de dentro
Arrepia
A pele
E toca
Dilatando a pupila
Tesouro, que irradia
O despertar
Do que morria.
Não somos somente, o que os olhos vêem.
Eliz Leão
Com maestria
A alma
Que o guia
Abre a fissura
Descobre
Ensimesmado
Eu diria
Cava fundo
Até o brilho
Que surge de dentro
Arrepia
A pele
E toca
Dilatando a pupila
Tesouro, que irradia
O despertar
Do que morria.
Não somos somente, o que os olhos vêem.
Eliz Leão