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@rodrigosantos

Rodrigo Santos
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@rodrigosantos
há 4 meses
Público
O Sussurro de Poetas Amaldiçoados

Dizem que, nas noites de profundo desejo,
os poetas retornam à terra,
arrastando correntes de versos
e promessas enfeitiçadas,
mas jamais cumpridas.

Eu os ouço
quando o vento desliza sobre tua pele,
quando o ar se curva em tua nuca
e murmura meu nome num arrepio.

Teu corpo escuta antes de entender.
Treme.
Há algo profano em desejar assim.
Tua pele verte calor,
teu olhar me prende em silêncio,
e a boca se abre lentamente,
suspiro entre prece e delírio.

Eu me confesso inteiro:
pecador e servo do teu toque,
minha respiração se perde
entre teus ombros e umbigo.

O amor, dizem, é divino…
mas o que sinto por ti
nasceu dos segredos
que os anjos guardam só pra si.

Assim como no Dia dos Namorados,
há promessas que se desfazem na boca,
palavras que se vertem como vinho,
e suspiros que se tocam no escuro.

Trocaremos maldições antigas,
selos de alma,
poemas que nunca deveriam ser declamados.

E quando a noite enfim se derramar sobre nós,
deixa que eu te leia em voz baixa,
como fazem os poetas amaldiçoados,
que amam sabendo
que todo amor
é também um feitiço
que escorre,
gota a gota,
da boca ao coração.
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@rodrigosantos
há 7 meses
Público
Me deixa te ler devagar, sem pressa,
Folhear teus silêncios, desvendar tua promessa.
Teu corpo é poema que perfuma o ar,
Com ritmo, melodia e cheiro de mar.

Tua pele é página escrita em desejo,
Teus olhos, dois versos que guardam um beijo.
Me empresta tua história sem fim,
Para eu escrever um crossover em mim.

Me deixa te ler no escuro da sala,
Com os dedos nos traços da tua fala.
Te ler com a boca, com o corpo e com a mão,
Ser tinta, ser verbo, ser tua canção.

Te ler no compasso do teu arrepio,
No sopro ofegante, no toque tardio.
Descobrir teus segredos sem censura,
Beber tua alma na minha loucura.
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Eu posso ser o homem que te envolve
Que sussurra baixinho, te comove
Posso ser o mistério que te instiga
Ou a calma de um beijo que acaba com a briga

Posso ser aquele que te guia na estrada
Ou o par de braços que te envolve na madrugada
Posso ser o riso que explode do nada
Ou o silêncio bom na tua caminhada

Eu posso ser o forte que te segura
Ou o frágil que confessa a ternura
Posso ser o dono do teu desejo
Com toque firme, uma palavra, um beijo

Posso ser o ousado, o provocante
Ou só teu abrigo mais constante
Te amar no escuro sem desviar
E te fazer tremer desde um olhar

Mas no meio de tudo o que posso ser,
Se você olhar bem vai perceber:
Por trás do homem, do charme, do jeito maduro...
Eu ainda sou apenas um menino…
Querendo brincar em teu mundo seguro
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Não esconda o que te escorre,
nem se esconda na penumbra.
Deixa que eu as veja
as lágrimas que te molham,
são chama que transborda e inunda.

Não temas se elas vierem
no auge, no sussurro, no grito.
Não são tristeza, amor,
são o corpo vivendo o rito
celebrando o êxtase da alma.

Eu as quero, cada gota.
Quero que sejam por mim,
que caiam devagar
como confissão sem fim.

Deixa que eu as beba nos teus suspiros,
que eu as receba sem pressa,
como quem colhe do mel o delírio
e recebe do sal o que resta.

São estas tuas lágrimas não outras,
meu abrigo e minha certeza:
que entre teus lentos gemidos
há ternura, entrega e beleza.

Não se envergonhe, amor,
se o prazer te molhar a face.
Há algo divino no ardor
que o desejo não tem disfarce.

Chora por mim, pra mim, comigo,
em uma mesma respiração ofengante.
Aproveitando o doce perigo,
do ápice em sonoro rompante.

Deixa escorrer, deixa vir,
deixa o corpo te trair...
Que eu saberei, no silêncio,
que eu te fiz sentir.
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Te vi passar, e juro pelo que há de sagrado,
que o mundo ficou de joelhos.
Tinhas nos passos a delicadeza das virgens
e no olhar o crime perfeito.

Uma rosa, sim. Mas daquelas que sangram.
Rosa com espinho envenenado,
plantada no jardim das mulheres impossíveis,
que beijam como quem morde a jugular do destino.

Teu perfume? O pecado no confessionário.
Tua pele? Novena sem perdão.
A flor que brota do túmulo das santas,
e, ao mesmo tempo, o estopim de uma tragédia grega.

Delicada? Sim. Como a lâmina que corta a alma.
Feroz? Como a noiva apaixonada em noite de núpcias.

Ah, se eu te arrancasse do jardim e te roubasse para mim!
Seria absolvido por qualquer tribunal,
porque mulher assim não se resiste:
é rosa feita de amor e penitência.
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Na neblina da minha memória –
espessa, úmida, impura —
há vultos que não me perdoam
Pernas cruzadas atrás de portas fechadas
Pálpebras que tremem quando deviam dormir

Cada passo que dou nesse nevoeiro me leva
a um quarto que jurei ter esquecido
Ali, há um espelho embaçado,
e no fundo dele meu próprio olhar, sem os olhos

Ouço risos. Contidos. Quase piedosos
Ou seriam soluços?
A neblina, às vezes, tem cheiro de confissão
Outras, de carne molhada e promessas partidas

Digo a mim mesmo que não fui eu
Mas há marcas nas paredes da mente
e uma cadeira virada no centro do quarto
Alguém esperava. Alguém não veio
Ou veio e nunca saiu

O que se esconde na neblina não é o passado
É o desejo que finge ter morrido
E espera, imóvel, de véu e luvas,
que eu volte a tropeçar no mesmo abismo
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
em QUEDA

ele cai
não grita. não chora.
só cai.
porque aprendeu cedo
que dor é coisa para calar.

asas partidas,
ossos rangendo sob o peso do mundo,
o sangue não escorre, seca por dentro.

há dias em que a vida
arranca seu voo com dentes,
e o enterra de pé,
pois não importa o que aconteça,
ele deve permanecer de pé.

mas, ainda assim,
em silêncio,
ele sente.

e tudo bem se o peito arder,
se os olhos tremerem,
se o chão for o único colo.

porque as lágrimas não choradas
são em si um mar inteiro,
e mesmo sem asas
há dignidade em tentar levantar.
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
I
Eu te vi no silêncio empoeirado da tarde,
tua pele polida, firme, dourada,
curvada em silêncio, vestida de arte,
em formas perfeitamente esculpidas.

II
Havia em ti uma firmeza antiga,
e um perfume de casa e saudade.
Toquei-te, tímido e tu tremeste,
entre o risco do amor e a eternidade.

III
Aproximei-me por dentro de frestas,
invadindo teus cantos mais ocultos.
Beijei teus segredos, um a um,
como condenado que recebe indulto.

IV
Tu me permitiste dia após dia.
E eu, faminto de ti, fui ficando.
Cada toque meu te fazia ceder,
e tua beleza... ia desmoronando.

V
Disse-te: “É amor”. Tu calaste.
Disse-te: “É destino”. Tu rangeu.
Mesmo sem fala, tu respondias
com cada lasca que se perdeu.

VI
Perdoa-me, minha rainha de madeira,
por esse amor que te fez ruir.
Eu cupim , óh mesa, vivi em ti:
e te amei até te fazer sumir.

*****
Quem poderia imaginar que um cupim seria capaz de fazer poesia...
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@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Estamos mais perto do que nunca.
O cheiro doce exala da sua pele.
Posso sentir seu coração.
Ouço-o batendo, pulsando, me chamando.

Olho em seus olhos, profundos, selvagens.
Sinto que posso penetrar sua alma.

Sinto o calor crescendo em seu corpo,
e no meu.

Estamos tão perto...
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