@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Te vi passar, e juro pelo que há de sagrado,
que o mundo ficou de joelhos.
Tinhas nos passos a delicadeza das virgens
e no olhar o crime perfeito.
Uma rosa, sim. Mas daquelas que sangram.
Rosa com espinho envenenado,
plantada no jardim das mulheres impossíveis,
que beijam como quem morde a jugular do destino.
Teu perfume? O pecado no confessionário.
Tua pele? Novena sem perdão.
A flor que brota do túmulo das santas,
e, ao mesmo tempo, o estopim de uma tragédia grega.
Delicada? Sim. Como a lâmina que corta a alma.
Feroz? Como a noiva apaixonada em noite de núpcias.
Ah, se eu te arrancasse do jardim e te roubasse para mim!
Seria absolvido por qualquer tribunal,
porque mulher assim não se resiste:
é rosa feita de amor e penitência.
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