@rodrigosantos
há 4 meses
Público
O Sussurro de Poetas Amaldiçoados
Dizem que, nas noites de profundo desejo,
os poetas retornam à terra,
arrastando correntes de versos
e promessas enfeitiçadas,
mas jamais cumpridas.
Eu os ouço
quando o vento desliza sobre tua pele,
quando o ar se curva em tua nuca
e murmura meu nome num arrepio.
Teu corpo escuta antes de entender.
Treme.
Há algo profano em desejar assim.
Tua pele verte calor,
teu olhar me prende em silêncio,
e a boca se abre lentamente,
suspiro entre prece e delírio.
Eu me confesso inteiro:
pecador e servo do teu toque,
minha respiração se perde
entre teus ombros e umbigo.
O amor, dizem, é divino…
mas o que sinto por ti
nasceu dos segredos
que os anjos guardam só pra si.
Assim como no Dia dos Namorados,
há promessas que se desfazem na boca,
palavras que se vertem como vinho,
e suspiros que se tocam no escuro.
Trocaremos maldições antigas,
selos de alma,
poemas que nunca deveriam ser declamados.
E quando a noite enfim se derramar sobre nós,
deixa que eu te leia em voz baixa,
como fazem os poetas amaldiçoados,
que amam sabendo
que todo amor
é também um feitiço
que escorre,
gota a gota,
da boca ao coração.
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