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@rodrigosantos há 9 meses
Público
Na neblina da minha memória – espessa, úmida, impura — há vultos que não me perdoam Pernas cruzadas atrás de portas fechadas Pálpebras que tremem quando deviam dormir Cada passo que dou nesse nevoeiro me leva a um quarto que jurei ter esquecido Ali, há um espelho embaçado, e no fundo dele meu próprio olhar, sem os olhos Ouço risos. Contidos. Quase piedosos Ou seriam soluços? A neblina, às vezes, tem cheiro de confissão Outras, de carne molhada e promessas partidas Digo a mim mesmo que não fui eu Mas há marcas nas paredes da mente e uma cadeira virada no centro do quarto Alguém esperava. Alguém não veio Ou veio e nunca saiu O que se esconde na neblina não é o passado É o desejo que finge ter morrido E espera, imóvel, de véu e luvas, que eu volte a tropeçar no mesmo abismo

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