@rodrigosantos
há 9 meses
Público
I
Eu te vi no silêncio empoeirado da tarde,
tua pele polida, firme, dourada,
curvada em silêncio, vestida de arte,
em formas perfeitamente esculpidas.
II
Havia em ti uma firmeza antiga,
e um perfume de casa e saudade.
Toquei-te, tímido e tu tremeste,
entre o risco do amor e a eternidade.
III
Aproximei-me por dentro de frestas,
invadindo teus cantos mais ocultos.
Beijei teus segredos, um a um,
como condenado que recebe indulto.
IV
Tu me permitiste dia após dia.
E eu, faminto de ti, fui ficando.
Cada toque meu te fazia ceder,
e tua beleza... ia desmoronando.
V
Disse-te: “É amor”. Tu calaste.
Disse-te: “É destino”. Tu rangeu.
Mesmo sem fala, tu respondias
com cada lasca que se perdeu.
VI
Perdoa-me, minha rainha de madeira,
por esse amor que te fez ruir.
Eu cupim , óh mesa, vivi em ti:
e te amei até te fazer sumir.
*****
Quem poderia imaginar que um cupim seria capaz de fazer poesia...
Comentários (1)
@JuNaiane
· há 9 meses
Uau, que lindo!
Entre para comentar.