@rodrigosantos
há 9 meses
Público
Não esconda o que te escorre,
nem se esconda na penumbra.
Deixa que eu as veja
as lágrimas que te molham,
são chama que transborda e inunda.
Não temas se elas vierem
no auge, no sussurro, no grito.
Não são tristeza, amor,
são o corpo vivendo o rito
celebrando o êxtase da alma.
Eu as quero, cada gota.
Quero que sejam por mim,
que caiam devagar
como confissão sem fim.
Deixa que eu as beba nos teus suspiros,
que eu as receba sem pressa,
como quem colhe do mel o delírio
e recebe do sal o que resta.
São estas tuas lágrimas não outras,
meu abrigo e minha certeza:
que entre teus lentos gemidos
há ternura, entrega e beleza.
Não se envergonhe, amor,
se o prazer te molhar a face.
Há algo divino no ardor
que o desejo não tem disfarce.
Chora por mim, pra mim, comigo,
em uma mesma respiração ofengante.
Aproveitando o doce perigo,
do ápice em sonoro rompante.
Deixa escorrer, deixa vir,
deixa o corpo te trair...
Que eu saberei, no silêncio,
que eu te fiz sentir.
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