Eu odeio cortar cebolas
Elas parecem inofensivas à primeira vista. Apenas camadas lisas e pálidas. Mas basta o primeiro corte para que algo invisível suba aos olhos. Ardem. Queimam. Ainda assim, não se pode parar. Há sempre um prato esperando, uma obrigação para ser cumprida.
Ninguém pergunta se dói, ninguém se importa se os olhos marejam. Apenas esperam que continue, que siga firme, que corte cada pedaço sem hesitar. Dizem que há técnicas para evitar as lágrimas: mastigar pão, resfriar a lâmina, prender a respiração. Mas, no fim, nada impede a ardência. Apenas se aprende a piscar menos, a disfarçar melhor.
"Não seja fresco. É só uma cebola." Claro. Sempre é "só" alguma coisa. Só um problema. Só um peso. Só um homem.
Camada após camada, segue o corte. Raiva, frustração, medo. A cebola não liga. O mundo não liga. Só esperam que eu continue cortando, que eu termine o que comecei.
E no fim, mesmo depois de picada, o cheiro fica nos dedos...
Ah, eu odeio cortar cebolas.
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Rodrigo Santos
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Inspiração Enterna
Jaci, a deusa-lua, navegava pelo céu em sua canoa de luz, espalhando seu brilho sobre as águas dos rios e lagos. Mas sua atenção sempre voltava para um único ponto na terra: as margens do grande rio, onde Abaeté, o jovem pescador de olhos profundos como o próprio céu, lançava sua rede sob o luar.
No silêncio da noite, Jaci descia à terra para observá-lo, escondendo-se entre as sombras das árvores. O tempo passou, e seu amor por ele cresceu como a maré. Mas ela sabia que Abaeté era mortal e que, um dia, a correnteza do tempo o levaria para longe dela.
Temendo perdê-lo, Jaci subiu até as alturas e suplicou a Tupã, o grande espírito dos céus:
— Pai de tudo o que existe, eu o imploro, conceda a Abaeté a imortalidade! Deixe-o viver ao meu lado para sempre!
Tupã olhou para a deusa de cabelos prateados e sorriu com mistério.
— Teu desejo será atendido, Jaci. Abaeté viverá para sempre.
Radiante, Jaci retornou à terra, ansiosa para encontrar seu amado. Mas, ao chegar à beira do rio, seu coração se despedaçou. Abaeté estava ali, transformado em uma imponente serra. Tupã havia concedido sua imortalidade… através do sono eterno.
Jaci chorou, chamou seu nome, tentou despertá-lo, mas nada podia quebrar o encanto. Seu amor viveria para sempre, mas sem que ele jamais pudesse vê-la novamente.
Desde então, todas as noites, Jaci desce até a terra e acaricia o rosto adormecido de Abaeté, sussurrando palavras de amor que ele nunca ouvirá. Sua tristeza cresce e se espalha pelo céu, e sua luz começa a se apagar.
Assim, a cada mês, a lua murcha de dor, tornando-se pequena e frágil, até minguar e desaparecer completamente. Mas, como o amor de Jaci nunca morre, ela renasce, voltando a brilhar cheia de encanto, em um ciclo tão eterno quanto o amor dos amantes eternos separados pelo que não podem ser.
No silêncio da noite, Jaci descia à terra para observá-lo, escondendo-se entre as sombras das árvores. O tempo passou, e seu amor por ele cresceu como a maré. Mas ela sabia que Abaeté era mortal e que, um dia, a correnteza do tempo o levaria para longe dela.
Temendo perdê-lo, Jaci subiu até as alturas e suplicou a Tupã, o grande espírito dos céus:
— Pai de tudo o que existe, eu o imploro, conceda a Abaeté a imortalidade! Deixe-o viver ao meu lado para sempre!
Tupã olhou para a deusa de cabelos prateados e sorriu com mistério.
— Teu desejo será atendido, Jaci. Abaeté viverá para sempre.
Radiante, Jaci retornou à terra, ansiosa para encontrar seu amado. Mas, ao chegar à beira do rio, seu coração se despedaçou. Abaeté estava ali, transformado em uma imponente serra. Tupã havia concedido sua imortalidade… através do sono eterno.
Jaci chorou, chamou seu nome, tentou despertá-lo, mas nada podia quebrar o encanto. Seu amor viveria para sempre, mas sem que ele jamais pudesse vê-la novamente.
Desde então, todas as noites, Jaci desce até a terra e acaricia o rosto adormecido de Abaeté, sussurrando palavras de amor que ele nunca ouvirá. Sua tristeza cresce e se espalha pelo céu, e sua luz começa a se apagar.
Assim, a cada mês, a lua murcha de dor, tornando-se pequena e frágil, até minguar e desaparecer completamente. Mas, como o amor de Jaci nunca morre, ela renasce, voltando a brilhar cheia de encanto, em um ciclo tão eterno quanto o amor dos amantes eternos separados pelo que não podem ser.