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#desafio

Postagens públicas e visíveis que usam esta marca. Boa para capítulos, diários de criação, séries e publicações em andamento.
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@MarU há 4 dias
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#desafio 296 —Ventos de partida— Deixei o vento passar por mim. Em pele nua, à luz da lua, o reflexo clarim. No vento, sabor de maresia e aroma de Oceania. A noite queimava e ardia dentro de mim. O frescor do vento norte, traz no pensamento um sentimento forte, que insiste e não me deixa esquecer de ti. Com ele, me deparo comigo e tudo que não te digo, mas insisto em não deixá-lo partir. Hoje, o vento frio sussurrou ao meu ouvido, que tudo que tenho sentido, enterrarei nas areias dentro de mim. Soprarei pra você um sentido. Darei pra você o motivo e o deixarei ir-se daqui. Um dia, talvez o vento te conte, que segui… mas nem de longe esqueci o que senti. MarU
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@MarU há 5 dias
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#desafio 295 —Tempestade— E o vento sopra saudades. Vejo as nuvens de tempestade, de novo, sinto estremecer por dentro, de frio, e me acolho. E quando o vento chega, dança em meus cabelos soltos. Com o vento, embalo meu corpo e o sigo, dançando de novo. Vejo os raios na tempestade e não me assusto. As cores das nuvens fazem o dia escuro, mas eu acho bonito. É tarde, admito… mas ficarei, mais um pouco. Não espero mais nada, não culpo o universo. Apenas sinto, sentada aqui… e me permito. Observo, aprecio e me acolho. A tempestade vai passar e eu me molho. MarU
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@MarU há 1 semana
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#desafio 294 —Sin que me veas— La boca no habla, la palabra escrita no me revela nada, creo ficciones en mi cabeza. Ya no sé si vivo soñando despierta, o si morí durmiendo, en un sueño y ni lo advierta. Como alma en pena, me quedé parada frente a vos, y no hay nada que haga, que sea bastante para que me veas. Quizás, emocionada… yo estuviera equivocada, y confundí el sentimiento con cualquier otra cosa que no sea la misma. Con la cabeza baja, me aparto de tu camino, sintiéndome humillada, por mí misma… y me retiro. La boca que calla, habla más que mil palabras… y yo lo siento. Sobre todo, que perdí a mi amigo. MarU
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@MarU há 1 semana
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#desafio 293 —Meu céu— No meio da tarde, parei para respirar, olhei para o céu… como eu, no fundo azul, entre nuvens brancas, algumas escuras. Anunciarão tempestade? No peito o aperto e o desejo: que não venha agora… mais tarde. MarU
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@MarU há 2 semanas
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#desafio 292 —Mãe de carga— Então… ventava lá fora, estava escuro e fazia frio. A lua penitente com benevolência projetava sua luz e por alguns dias, iluminava o caminho. Ela estava cansada e segurava a mão um filho. Ela estava determinada a encontrar segurança e abrigo. A Terra girava, o sol a açoitava nos dias, as noites o frio. Ela não tinha nada, mas sempre encontrava um jeito de resistir e seguiu. Uma mulher com coragem encara a dor com amor e faz o milagre possível. Caminhando passo a passo, hora sangrando, hora sorrindo. Seu caminho é escolha e é difícil… mas guia-se pelo que vê de mais bonito: O filho. Se falar que não precisa de nada, está errada! Precisa apenas do amor, para completar o que era vazio. MarU
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@MarU há 2 semanas
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#desafio 291 —Rumo ao infinito— Não sou sereia, apesar do “mar”, mas estou voltando pra casa; longe da terra, cansada… não quero mais ter que andar por essa terra empoeirada usando salto. Nem nadar em águas salgadas, contra a correnteza no oceano vasto, que me arrasta. Quero adentrar o barco, navegar distante, onde minha alma veleja em uni-versos. Onde a doçura da água, ou o sal, sejam poemas e não dilemas. Onde eu apenas veja a beleza do mar, nas águas… aprofunde meus pensamentos, mergulhe em mim mesma e, às vezes, regue minha clareza em vinho tinto, na taça. Tomada por incertezas, mas ciente de que aqui, a navegar, não as necessito. No vento, me deixo levar. E vou... rumo ao infinito. MarU
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@MarU há 3 semanas
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#desafio 290 —Se não fosse…— Se não fosse esse orgulho ferrenho e a sua indiferença, poderíamos estar vivendo o agora, juntos em corpo e presença. Pela manhã, acordaríamos nus e agarrados, refrescaríamos o hálito para os beijos e tomaríamos café, aos risos, muito animados. Nos despediríamos para um dia corrido, mas trocaríamos mensagens a cada minuto de tempo disponível. Para “nós”, nunca estaríamos ocupados, seríamos cúmplices de um amor compartilhado. Ao findar o trabalho, correríamos para o nosso encontro diário, falaríamos sobre qualquer coisa, nunca faltaria assunto, a não ser… que nossos olhos entrassem em contato. Aí, a temperatura subiria de nível e a conversa seria na cama, despidos… nos amaríamos com a fúria da paixão. Sentiríamos nossos corpos fundidos… e o cansaço, o tormento, e tudo que tivesse acontecido no dia, iria embora, gasto, até que descolássemos nossos corpos exaustos, descansaríamos. Minha cabeça em seu peito suado, onde ouviria seus batimentos acelerados, nossas pernas enroladas, suas mãos entrelaçadas em meus cachos, com o poder de quem pode simplesmente agarrar minha nuca e, recobrando as energias, recomeçar tudo de novo… até raiar um novo dia ou acabar o mundo todo. MarU
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@MarU há 3 semanas
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#desafio 289 —Projeto de amor— Ninguém estará pronto
 para o amor. Não... O amor é construção diária, é obra sem fundação, terreno sem projeto; dizem que Deus 
é arquiteto, mas não… o amor não tem nada a ver 
 com o divino! O amor é íntimo, está no âmago da alma, no cerne da consciência; o amor é individual 
para cada um
 que o experimenta. O amor é doação,
 não troca. O amor é compreensão 
e não cobra do outro 
consentimento. O amor acontece 
independente
 de ser recíproco. O amor não escolhe quando
 ou quem amar, segue o fluxo do indivíduo… e isso é um processo interno. Inferno, eu lhe digo! Dentro de si, o amor não se basta; ele quer se expandir, dividir com o amado
 seu sentimento, partilhar momentos, quer ser saciado 
por quem ele ama. O amor sozinho
 não é chama, precisa inflamar 
o ser amado, tem que ter lenha
 pra queimar a fogueira, tem que alimentar 
o amor, para haver
 labaredas. Amores construídos, prontos, não são amor; são qualquer outra coisa
 que seja... pois um projeto de amor tem que ser pensado, conciliando as vidas, as histórias, as memórias das pessoas envolvidas. O amor não é nada fácil… não! O amor é um elemento raro, na composição 
da vastidão humana. O amor, às vezes, engana, mas, quando é de verdade, o amor persiste na alma 
de quem ama, resiste, mesmo que escolha
 não alimentar a chama; queimará além dos tempos, consumirá o amante, será sarça ardendo 
dentro de si, constante... hipnotizantemente belo. Quem te perceber 
 em amor o verá flamejante em brilho externo do que transborda, queima além de si. MarU
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@MarU há 3 semanas
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#desafio 288 —Ainda que…— Ainda que não chame, sou chama flamejante. Hipnótica… te chamo, te aqueço, te queimo. Vem! Ainda que não olhe como eu te olho, em minhas lágrimas, molho minha carência e… em outros momentos minha indecência, entre minhas pernas. Ainda que não me queira, meus pés caminharão sem barreiras. Em terra fértil, fixarão raízes à minha maneira. Adentrando sulcos de solo arado, alcançarão profundos o inferno… dando frutos em solo sagrado. Ainda que o tempo passe e esteja ventando bastante… ainda que sinta, na pele, o frio cortante. Até sussurrar ao meu ouvido que passe, não morrerei de frio. Talvez apenas de saudades, com o coração apertado… para preencher o vazio. MarU
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@MarU há 3 semanas
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#desafio 287 —Histórias de amor— Quantas histórias de amor como a nossa, são segredo? Palavras escritas em textos, escondidas nas entrelinhas… que só nós dois compreendemos. Quantos amores não viveram e viverão o que vivemos? Quantos… me diga? Desde que o mundo é mundo, o coração vagabundo escolhe suas vítimas. É do instinto humano, amar o que não é possível, o inalcançável, proibido. Que terão sido dos amores não vividos? Histórias e mitos. Quem serei eu na sua história? Presente, futuro, passado… Serei eu digna, de algum espaço na memória? Serei anjo ou diabo? Será nosso amor indigno de ser sequer lembrado? Ou pior… serei nada, pois nada aconteceu. Um nome do passado, esquecido na lista de contatos bloqueados… — Na minha história, você é o amor que me trouxe à vida. Viverei todos os dias com saudades do que nunca teve princípio… nem fim, em mim. MarU
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@MarU há 4 semanas
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#desafio 286 —Segundos Infinitos— Olhando o firmamento, meu pensamento me trai por um momento. Sinto o calor invadir meu corpo, os dentes travados, sorvo a sensação de outros dentes no meu pescoço. A língua lasciva subindo para a orelha, arrepios íntimos, pulsares invasivos, a umidade descendo entre minhas pernas, mamilos acesos, pelos arrepiados. Em fração de segundos, somos corpos suados, rolando línguas no céu de nossas bocas. Nestes breves segundos, somos presente, passado, futuro. Somos tudo, sem sermos nada além de pensamentos dentro de mim. Te sinto aqui, inteiro. Te vivo em mim nestes momentos, pequenos momentos que me fazem transbordar além das estrelas, ao infinito. MarU
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@MarU há 4 semanas
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#desafio 285 — Ex-vizinha — Pequeno conto em forma de carta. Maio, 20 de 1314. Olá, vizinho! Está em casa? Lembra de mim? Costumávamos deixar a porta apenas encostada para quando quiséssemos nos visitar, mas eu mudei. Não tem muito tempo, mas foi tempo o bastante para não saber mais de você. Espero que esteja bem! Talvez nossa amizade seja daquelas antiquadas, sem ligações ou mensagens curtas de “bom dia!”. Talvez sejamos de cartas longas, falando sobre a vida, dessas que levamos um mês ou mais escrevendo e que, quando postamos, o correio demora para fazer a entrega e, às vezes, até extravia, mas que, ao ler o nome do remetente, recebemos sorrindo e lemos, com o coração acelerado, cada detalhe. Agora que não estou mais à sua porta, não sei se também está sentindo falta do tempo em que fomos vizinhos e não precisávamos de portas; éramos “de casa”. Confesso que tenho sentido. Eu mudei. Não estou assim tão mais longe, mas, por algum motivo, não consegui me desfazer do meu apartamentinho. Ao sair, não pude fechar a porta; deixei apenas encostada, para o caso de sentir minha falta, precisar respirar nos dias que te sufocam. Mesmo sendo um apartamento vazio das coisas, lembranças não faltam em cada cantinho. Sei, pois eu mesma ainda visito usando qualquer desculpa ou motivo. Entro pela porta escura em silêncio, fecho os olhos e respiro… Por alguns instantes, viajo no tempo. Revivo cada momento bonito; os mais doloridos, coloridos pelo sorriso trazido por você; os frios, aquecidos pelos momentos em que nos deixamos aquecer. Você estava lá comigo, organizando a bagunça que não me deixava ver o que importa. Este velho apartamento, caindo aos pedaços, me deixou muitas saudades ainda agora… Nunca te dei as minhas chaves, mas tem uma cópia no capachinho. Sei que deve estar ocupado, mas, se puder, dê uma passada de vez em quando para ver se está tudo certinho… Agradeço! Ou… se for muito difícil e quiser fechar a porta de vez com a chave do capachinho, vou entender. Não ficarei chateada contigo. Será o fechamento de um ciclo, a carta branca para eu vender. Hoje passei em frente ao seu andar. Fitei o número no elevador, mas não apertei. Não quero te incomodar. Sua vida é muito corrida para receber quem quer que seja sem avisar. Ia passar esta carta por baixo da sua porta, mas não deixei. Tive receio de encontrá-la fechada. Deixei a carta na portaria do nosso condomínio. Nela tem o endereço da minha nova casa. Sinta-se sempre bem-vindo, meu velho amigo. Onde eu estiver, nunca vou te esquecer. Amo você! Sua ex-vizinha. MarU
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@ellenelowen · há 4 semanas
Essa porta encostada ficou muito viva. Gostei de como o texto não pede resposta, mas deixa uma chave onde a saudade possa encontrar caminho.
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@MarU há 1 mês
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#desafio 284 —Arcana— Autoras eternas morrem cedo demais, são infinitas em suas letras. Nisso, no ofício da escrita, sei que sou pequena, e isso talvez me ajude a ir mais longe... na idade. Ninguém se busca nas minhas letras, ninguém cita minhas palavras nem em minha presença. Ninguém leu o que escrevi, nem você, que me inspira todos os dias. Ninguém sabe da minha tristeza. Ninguém pensa: quem terá sido seu amor? Como ela era quando menina? Ninguém sequer imagina quem realmente eu seja. Sou uma ilustre desconhecida. Viverei por muito tempo ainda, não tenho mesmo um público leitor, para ao menos ser esquecida. Escrevo e leio eu mesma o que escrevo, com medo que eu me esqueça. Principalmente quando o coração aperta, na esperança de sentir menos dor. Quem sabe encontrar em meus escritos uma resposta que esclareça, ou reviver na lembrança o ardor que me aqueça. Sem aceitar, enfim, a irrelevância do que sei ser pra você ou pra quem não me lê. E assim, quem sabe, serei longínqua em anos, passarei dos 100 escrevendo poemas arcanos. MarU Marjane Satrapi e Clarice Lispector, mesma idade, na morte 56, em comum a tristeza de ambas. Clarice teve câncer. Marjane, ainda não é clara a causa, só o motivo, que podemos linkar comum. Fiquei pensando, sobre outras mulheres revolucionárias na escrita, que partiram cedo demais, N motivos, mas a melancolia fazia parte do que as identifica. Escrevi um texto, reflexo. Não exatamente sobre elas, mas sobre o ofício de escrever. As ilustres, serão eternas, ainda que venham a morrer cedo demais RIP🥀
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@literunico · há 1 mês
Que texto!
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@MarU há 1 mês
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#desafio 283 —Quatrocentas mil palavras— Quatrocentas mil palavras,
 alinhadas como soldados
 diante de uma guerra
 já perdida. Na linha de frente,
 nada é mais trucidante
 que o silêncio
 que grita
 no reflexo diante do espelho. Esse silêncio 
não é descrito em palavras, 
mas em sentimentos impotentes
 diante das circunstâncias. A vida cala 
e, calando, fala alto 
para que a alma incruste
 no subconsciente a resposta 
e aceite, conformada… que não há o que fazer. MarU
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@MarU há 1 mês
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#desafio 282 —Sóbria— Hoje não teremos vinho. Irei me embriagar das palavras malditas, sorver cada letra em meia taça de decote, até que te derrame do meu peito. Hoje meu leito é frio, como a tua capacidade de esquecer o meu cio, de não ceder a esse desejo vil e permanecer intacto. Hoje, romperemos nosso pacto, como quem goza antes do outro em descompasso e não se importa com o chamado em pulso, que clama ao ápice em conjunto. Virando-se para o lado. Hoje, prometi te tirar da minha cabeça. Mentirei para mim mesma, como fiz ontem, cruzando forte as minhas pernas, fluindo e escorrendo entre as frestas o que não controlo. Assumo. Hoje, queria que fosse ontem e com a garrafa de vinho aberta, te beber entre cobertas, embriagada de amor, embalados por músicas bregas, cavalgaríamos toda a noite, entrelaçados sem pudor. Quem dera ontem não tivesse acabado e dos sonhos hoje eu não tivesse despertado. Quem dera estivesse ainda embriagada. Mas não vou beber hoje sequer uma taça, amortecendo o desejo no fundo de uma garrafa, tingindo meus lábios de rubi, exalando o hálito perfumado de uva, fermentando na saliva a quentura que te convida a viver. Esta é outra noite tediosa. Estou sóbria e lúcida, sem você. MarU
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@MarU há 1 mês
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#desafio 281 —Questão— Mar profundo no oceano dos seus olhos, mais uma vez mergulho, me molho… sozinha. Te busco e não encontro. Como poderia a tempestade me ver? Na imensidão deste mundo, sou mais um ser vagabundo com coragem de viver. Por mais que me molhe, a água fria em minha pele quente escorre. Dissolvo, crente, que parte de mim mistura-se à água, mas não serei tempestade nem assim, nem serei chuva, molhada. Trovões são música, conversa metafísica, mensagens escondidas em raios e nuvens escuras. Não são raios de sol, mas a luz da lua me reflete um pouco de brilho. Que, translúcida, interpreto sem entender… e cismo serem seu toque de carinho comigo. Aqueço um pouquinho… Recebendo as migalhas de um divino ser, ou não ser. Eis aí minha questão com você. MarU
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@MarU há 1 mês
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#desafio 280 —Fim de verão— Mais uma vez me molhei em suas tempestades. Agora o vento sopra e sinto frio e saudades. Ouço o assovio dos ventos, e o frio me toca a pele e o peito. Arrepio por fora e sinto lentos meus batimentos. Já é tempo de me trocar e ir embora. O medo do tempo feio não mais me apavora, estou cansada de tanta demora. Primavera em mim virou história, outono em fim deixou memórias. Faz parte do fim o inverno de agora. Faz parte de mim o inferno de Caim que me controla. Ainda amo tempestades, noites escuras, a lua, as sombras, as músicas e as mãos que me lembram as suas. Ainda amarei por muito tempo o que restou de você em mim. Ainda amarei, mas não poderei continuar assim, sem respostas. MarU
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@MarU há 3 meses
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#desafio 279 —Faltas— Me faltam as palavras, você vem e as completa… filósofo, pensador, poeta. Me faltam raios de luz, você adentra minhas sombras e me conduz até uma fresta. Me falta energia, você me doa melodias e re-energiza meu dia. Me falta coragem, você me apresenta suas artes e cura-me da loucura covarde. Me falta seu beijo, e com tudo que és me acende o desejo que arde e eu queimo. Me falta você, mas no fundo sei que te tenho, e sabes que me tens também. Das faltas, das falhas, das coisas da vida que são ingratas… de tudo que me desgasta, de tudo que não entendo, inclusive dentro do ensurdecedor silêncio… Sempre te vejo e vejo que me vê. Nos teus olhos, meu reflexo está completo. Nos meus, você. MarU
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@MarU há 4 meses
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#desafio 278 *Me perdoe, eu te amo e sou grata* Me perdoe a ausência, estive internada em minha própria consciência, tentando entender meus espaços vagos, os pensamentos revirados, que me causam turbulência. Me perdoe o atraso, perdi algo? Pois sinto que me perdi enquanto vago. Houveram encontros e o desencontro do que estava marcado confundiu-me, por acaso. Me perdoe, não quero ser-te o fardo. O passado, carregarei comigo para todos os lados, enquanto o fôlego que me doa vida não me for tirado. …mas não viverei ao seu lado, não nesta vida, irei poupa-lo! Me perdoe, eu te amo e sou grata. Eu te amo e você sabe o quando me dói ter que abdicar do complemento deste amor, que seria dividir os dias que me restam ao seu lado. Construir juntos nossa história, nos foi negado. Me perdoe, eu te perdoo também e se os céus me trouxerem o seu nome, com a força do que mais me consome, te receberei meu bem. … e amarei outra vez como ontem, sem culpa, nem minha nem sua, poderemos ser felizes também. MarU
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@MarU há 4 meses
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#Desafio 277 *Universo inexplorado* Detinha o firmamento, neste céu cinzento, olhar vago de lua. A vida via nua e crua. Da vigília interminável, já havia cansado, mas seria impensável cogitar que durma. O dia atravessava sonhando, a noite acordava chorando, na cama, não tinha aconchego, no fundo tinha medo da sua loucura. A solidão já chamava de amiga, caminhando sozinha na vida, dentre tantas partes partidas, no espelho, não se via refletida. À noite lhe restava o silêncio, o grito de dentro urgia, queria entender o sentimento, que não caber lhe aturdia. Imenso o poder de decidir seguir, mesmo quando tudo parecia ruir, se refazendo, se reconstruía. Apesar da dor de sentir, de olhos fechados podia ouvir, a melodia que ecoava de tudo no vento. Sendo tão vasta, um universo inexplorado adornado com amor e poesia como seu centro. Via láctea da sua alma, Precisava ter calma, havia ainda, muito a ser desvendado em si mesma. MarU
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