Abro o caderno
Ponto o lápis
mordo a borracha
Mastigo tedio cru.
O dia cinza-arrogante
tem um bebê chorando
o caminho de lixo passando
um carro berrando
"saldão imperdível!".
Na pia
uma pinga rasgada.
Um compasso perfeito
para minha falta de inspiração
que tenta me convencer:
Não tenho nada a dizer.
Mas, veja só
O peito me trai:
desperta ensolarado
como se houvesse
um azul lá fora
que não recebeu
o memorizando do caos.
Cris Ribeiro
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Eder B. Jr.
Pele de Papel
O lápis invadir.
Uma folha treme.
Carne branca:
Pele de escrevever.
Arranha.
Penetra.
Revela o que a alma
não quero mostrar.
Promessas quebram.
Palavras queimam.
Nada fica.
Tudo arde.
Às vezes é mais:
gozo que explode,
sol nenhum quarto,
Grito no peito.
Escrevo para durar.
Mal e sal
Na mesa boca.
Ó papel-vestido,
me assanha,
"me salva".
Imortal.
Que morte.
Cris Ribeiro
#poesiabrasileira #poesia #peledepapel
O lápis invadir.
Uma folha treme.
Carne branca:
Pele de escrevever.
Arranha.
Penetra.
Revela o que a alma
não quero mostrar.
Promessas quebram.
Palavras queimam.
Nada fica.
Tudo arde.
Às vezes é mais:
gozo que explode,
sol nenhum quarto,
Grito no peito.
Escrevo para durar.
Mal e sal
Na mesa boca.
Ó papel-vestido,
me assanha,
"me salva".
Imortal.
Que morte.
Cris Ribeiro
#poesiabrasileira #poesia #peledepapel
Desejo
Espaço entre duas pedras.
É ali.
que a espera prende a respiração
e o coração inventar memória
do que ainda não nem vivo.
Há um toque
que chega antes da mãe.
Demora no olhar,
desarruma a lúcida,
Desfigura os relógios
e faz o tempo
Errar o próximo passo.
Diante de você,
Toda razão desaprende um falar.
Como palavras encolhem.
O silêncio
diz o que nenhuma boca branca.
O desejo não nasce da falta.
Nasce da Promessa.
Fazer futuro
pedindo passagemm
dentro do presente.
Entrada
Diz-me o que queres.
Uma metáfora desistir.
O poema já não basta.
E o desejo
Vira pele.
Cris Ribeiro
Espaço entre duas pedras.
É ali.
que a espera prende a respiração
e o coração inventar memória
do que ainda não nem vivo.
Há um toque
que chega antes da mãe.
Demora no olhar,
desarruma a lúcida,
Desfigura os relógios
e faz o tempo
Errar o próximo passo.
Diante de você,
Toda razão desaprende um falar.
Como palavras encolhem.
O silêncio
diz o que nenhuma boca branca.
O desejo não nasce da falta.
Nasce da Promessa.
Fazer futuro
pedindo passagemm
dentro do presente.
Entrada
Diz-me o que queres.
Uma metáfora desistir.
O poema já não basta.
E o desejo
Vira pele.
Cris Ribeiro
@rejoverso, escrevi de manhã, mas como te responder? 凉. Aqui é mais discreto, ninguém lê. 藍
Poesia é feminina.
Nasce com uma fissura
que se cobre de dor,
amor ou procura.
Poesia é parideira.
Um rebento na anca,
outro na cadeira.
A barriga
disputa lugar
com os braços
atarefados,
cansados
de dar conta
das mazelas
vazias de
todo
dia.
Cris Ribeiro
Poesia é feminina.
Nasce com uma fissura
que se cobre de dor,
amor ou procura.
Poesia é parideira.
Um rebento na anca,
outro na cadeira.
A barriga
disputa lugar
com os braços
atarefados,
cansados
de dar conta
das mazelas
vazias de
todo
dia.
Cris Ribeiro
Bom dia!
#Desafio 317
Um dia,
eu fui o incêndio no teu riso,
a hora que te salvava do mundo,
o canto onde tua paz se escondia
com medo de acabar.
Um dia,
teus olhos queimavam quando achavam os meus;
tua pele pedia a minha
como quem precisa de ar;
teu amor, inteiro e cego,
me queria sem sobra.
Um dia,
riscamos o futuro a quatro mãos:
casa, cachorro, bebê…
e ganhamos mais do que coube nos planos,
fomos tão longe
que deixamos o mapa pra trás.
No fim,
perdemos o norte, o rumo, o nome.
E do amor
sobrou só o rito amargo da lágrima,
esse veneno fiel
que insiste em lembrar
o que já não volta.
Cris Ribeiro
Um dia,
eu fui o incêndio no teu riso,
a hora que te salvava do mundo,
o canto onde tua paz se escondia
com medo de acabar.
Um dia,
teus olhos queimavam quando achavam os meus;
tua pele pedia a minha
como quem precisa de ar;
teu amor, inteiro e cego,
me queria sem sobra.
Um dia,
riscamos o futuro a quatro mãos:
casa, cachorro, bebê…
e ganhamos mais do que coube nos planos,
fomos tão longe
que deixamos o mapa pra trás.
No fim,
perdemos o norte, o rumo, o nome.
E do amor
sobrou só o rito amargo da lágrima,
esse veneno fiel
que insiste em lembrar
o que já não volta.
Cris Ribeiro
#Desafio 316
Que orgulho imenso participar da 18ª Semana da Poesia 2025, ainda mais sob o signo de MULHER.
Uma coletânea de reflexões que sangram e florescem: nossa luta, nossa voz, nossos sonhos, nossas verdades.
Somos muitas. Somos MUITO.
E seguiremos sendo, mesmo quando tentam nos calar, mesmo quando nos chamam de loucas por não aceitarmos a injustiça.
Loucura é se curvar. Nós atravessamos. Obrigada TJ/MG por tanto. Feliz em fazer parte de uma instituição que incentiva e promove a cultura. @tjmgoficial
Uma coletânea de reflexões que sangram e florescem: nossa luta, nossa voz, nossos sonhos, nossas verdades.
Somos muitas. Somos MUITO.
E seguiremos sendo, mesmo quando tentam nos calar, mesmo quando nos chamam de loucas por não aceitarmos a injustiça.
Loucura é se curvar. Nós atravessamos. Obrigada TJ/MG por tanto. Feliz em fazer parte de uma instituição que incentiva e promove a cultura. @tjmgoficial
#314
Aprendi a ser só,
tão a fio,
tão a fundo,
que meu peito
virou casa silenciosa
e até a luz
anda na ponta dos pés.
Quando tento
me povoar de gente,
tropeço nas sombras mansas
esparramadas
nos sofás da alma.
É bom; eu sei.
Minha companhia
é firme, quente,
é colo que não vacila.
E ainda assim,
no tropeço doce das letras,
um cheiro de porta entreaberta
me chama.
Talvez por ela
um dia alguém entre,
de mansinho,
sem me desalojar
de mim.
Cris Ribeiro
Aprendi a ser só,
tão a fio,
tão a fundo,
que meu peito
virou casa silenciosa
e até a luz
anda na ponta dos pés.
Quando tento
me povoar de gente,
tropeço nas sombras mansas
esparramadas
nos sofás da alma.
É bom; eu sei.
Minha companhia
é firme, quente,
é colo que não vacila.
E ainda assim,
no tropeço doce das letras,
um cheiro de porta entreaberta
me chama.
Talvez por ela
um dia alguém entre,
de mansinho,
sem me desalojar
de mim.
Cris Ribeiro