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Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro

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LITERÁRIA

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29/0801:03
#Desafio 237

Cronista de mim

Nasci.
O petróleo escorria
nas veias da história:
crises,
ditaduras,
silêncios.

O susto do primeiro choro.
A vida entrando
sem medir tamanho.

Cresci.
Cresci entre silêncios,
cresci entre descobertas,
cresci aprendendo:
o corpo fala,
mesmo quando a boca cala.

Meu país tropeçava
na democracia.
Eu tropeçava no espelho,
tentando reconhecer
quem era aquela
que me olhava de volta.

Vieram os vinis:
febre girando,
ritmo rodando.
Vieram as cores da TV:
sonhos pintando,
vidas cintilando.
A sombra de Chernobyl
rasgava o céu de medo.

E dentro de mim,
uma inquietação
que não cabia
em caderno de escola,
sem margens, sem fim,
sem fim.

O mundo desabava muros,
eu erguia os meus
para me proteger.

O mapa se redesenhou
na poeira de Berlim.
E eu, língua incendiada,
querendo amor sem moldura,
querendo amor
sem fronteira.

Vieram guerras distantes,
aviões em lâminas no céu,
planeta em chamas,
fogo, fogo, fogo,
gritando por ar.

Vivi meus próprios incêndios,
aprendi a respirar poesia.
Descobri Drummond,
e soube:
dentro de mim
cabiam multidões.

O século virou,
eu virei junto:
mãe de mim,
mulher de cicatrizes,
mulher de coragem.

A internet conectava continentes,
eu queria
me conectar comigo.

Torres caíram,
presidentes desabaram,
veio o silêncio da pandemia:
solidão partilhada
em janelas virtuais,
saudade feita de pixels.

Hoje caminho
entre máquinas que aprendem,
climas que mudam,
humanos que se perdem de si.

Carrego os anos como amantes:
alguns me feriram,
outros me deixaram marcas
que aprendi a lamber devagar.

Fui me despindo das ilusões,
enquanto a humanidade se vestia
de cabos,
calos,
cores,
satélites,
redes,
rodas.

Ainda aqui.
Ainda danço.
Danço sobre cinzas.
Danço sobre telas.
Ainda.

Sou carne
que arde em segredo.
Sou cronista de mim.

Cada ruga: um capítulo.
Cada fenda: um desejo.

E se ainda há precipício,
eu atravesso.
Atravesso em prosa,
Atravesso em poesia.

Porque viver, aprendi,
é narrar-se,
Narrar-se.
Antes que o silêncio
conte por mim.

Cr💞s Ribeiro
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#Desafio 226

#🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤

BEIJOS QUE FAZEM SENTIDOS

Visão
Tua boca… se aproxima.
Se aproxima.

Meus olhos… ardem.
Ardem de te ver.

Teu lábio inferior, carnudo,
brilha, fruta proibida.

A distância entre nós:
um fio.
Fio que vibra,
fio que arrebenta.

Quando rompe,
meu corpo já não é o mesmo.
Nunca mais.

Olfato
O cheiro da tua pele… me invade.
Invade antes do toque.

Calor.
Suor.
Traço de pele queimada pelo desejo.

Selvagem.
Teu.
Convite.
Ameaça.

Eu respiro… e já é demais.

Tato
Então… o toque.

Minha pele… arrepia.
Cada poro… pede mais.

Meus seios reagem antes de mim,
rígidos, apontando,
sabendo.

Sabendo onde tua mão
ou tua língua
vão chegar.

Respiro.
Sinto.
Entrego.

Ondas.
Ondas que explodem.

Paladar
Te provo.

Sal.
Noite.
Promessa… de perdição.

Tua língua brinca.
Comanda.

Invade.
Retira.
Retorna.
Invade de novo.

Fode minha boca que responde,
avida,
rebola,
sempre contra a tua.

Audição
O som… é explícito:
molhado, urgente.

Ahhh…
Ahhh…

Gemidos…
escorrem
entre teus dentes.

A umidade escorre,
escandalosa,
denuncia minha fome.

A pressão aumenta.
Aumenta.

Tuas mãos prendem minha nuca.
Teu corpo… cola no meu.

Sabor profundo.
Mais sujo.
Mais nosso.

Tua língua… me toma inteira.
Teu beijo… me engole.
Me engole.

Sem piedade.

Me arqueio.
Me entrego.

Gozo.
Antes… do fim.

Gozo… na tua boca.
No som.
No gosto.
No toque.
No cheiro.
Na visão… de ti.

E percebo, arfando,
que todo o meu corpo
agora é teu idioma.
Meu idioma.

Cr💞s Ribeiro
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15/0811:24
#Desafio 225

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