No Hospício Especial de Cura,
Onde as paredes respiram memórias,
Os loucos distribuem ternura,
E seus espelhos sussurram histórias.
As grades são feitas de algodão-doce,
E risadas ecoam como encantos no ar.
O médico é poeta, mas mesmo se não fosse
Estaria do outro lado, maluco a declamar
A sanidade permanece, assim tão cobiçada,
Entre, pesadelos, sonhos e delírios.
E como poderia, ao final, ser alcançada
Se a razão parece ser tão grave como um vírus?
Os remédios? Poções mágicas de idiotas gargalhadas
A conclusão é que é melhor ficarmos aqui, unidos
Será que essas loucuras são sempre bem acompanhadas?
E os loucos tem os dias bem vividos?
Os outros, os "normais", são os verdadeiros prisioneiros
Presos em máscaras do formal
Mas aqui, nós nos sentimos tão mais verdadeiros
Os loucos que se fazem do irreal
Então, quando à porta, bate o mundo, lá fora
Percebemos: "Os loucos são os outros."
Nós somos livres e entregamos tudo no agora
Nesse hospício, de incríveis bons encontros
Eder B. Jr.
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 19/06/2024. A página antiga registra a data sem horário.