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As raízes que ajudam os manguezais a viver entre a terra e o mar

Raízes-escora, pneumatóforos e estratégias contra o sal revelam adaptações diferentes às marés.

avatar por Ellen
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Imagem de destaque: raízes-escora de mangue-vermelho (Rhizophora mangle) no Parque Nacional Everglades, Flórida. Foto: Michael Johannes Osland / U.S. Geological Survey. Domínio público. Fonte: https://www.usgs.gov/media/images/prop-roots-red-mangrove-trees-everglades-national-park


Na borda de um manguezal, raízes arqueadas saem do tronco e encontram a lama entre a água e a vegetação. A fotografia feita nos Everglades, nos Estados Unidos, mostra o mangue-vermelho, Rhizophora mangle. Suas raízes-escora ajudam a sustentar a árvore em um ambiente que muda com as marés.


Um manguezal é formado por plantas adaptadas a zonas costeiras tropicais e subtropicais. Ali, água doce e salgada podem se misturar, enquanto o solo fica periodicamente inundado. A salinidade e o nível da água variam conforme o local, as chuvas e as marés. As espécies não respondem todas da mesma maneira a essas condições.


O solo encharcado apresenta um desafio importante: há pouco oxigênio disponível para as raízes subterrâneas. No mangue-vermelho, raízes que crescem a partir do tronco e alcançam o solo aumentam a estabilidade da planta. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, essas estruturas também ajudam a fornecer oxigênio às raízes em solos pobres nesse gás.


Outras árvores de manguezal usam formas diferentes. O mangue-preto, Avicennia germinans, produz pneumatóforos: prolongamentos de raízes que crescem para cima, saindo do solo. Quando expostos ao ar, eles participam das trocas gasosas. Não são simplesmente raízes-escora apontadas em outra direção; são estruturas distintas, associadas a outra espécie.


O sal impõe outro tipo de dificuldade. Algumas espécies restringem a entrada de sal quando absorvem água pelas raízes. Outras têm glândulas nas folhas capazes de eliminar parte do sal, às vezes deixando cristais visíveis. Essas estratégias não tornam todas as plantas igualmente tolerantes: a concentração de sal e o tempo de inundação influenciam onde cada uma consegue crescer.


Também há diferenças na reprodução. Em muitas espécies de mangue, a semente começa a se desenvolver enquanto ainda está ligada à planta-mãe. A estrutura jovem, chamada propágulo, pode se desprender e ser levada pela água. Se alcançar um lugar favorável e conseguir se fixar no sedimento, pode continuar crescendo ali. Nem todo propágulo que flutua encontra um local adequado.


O emaranhado de raízes cria pequenos espaços entre a terra e a água. Peixes e invertebrados podem usá-los como abrigo e área de alimentação; organismos como esponjas e algas também se fixam nas raízes submersas. O habitat muda conforme a maré e não oferece as mesmas condições em todos os pontos da floresta.


As raízes e a vegetação também podem reduzir a velocidade da água e favorecer o acúmulo de sedimentos. Em alguns manguezais, a produção de raízes subterrâneas e a chegada de sedimentos ajudam a elevar o solo ao longo do tempo. O USGS ressalta que isso pode auxiliar certos ambientes a acompanhar aumentos moderados do nível do mar, sem garantir proteção diante de qualquer cenário.


Observar a fotografia como um retrato de uma espécie é um bom começo: ela mostra as raízes-escora do mangue-vermelho, não todas as soluções das plantas de manguezal. Ao lado de estruturas visíveis, a tolerância ao sal e os ciclos de inundação ajudam a explicar como essas florestas ocupam a faixa entre o continente e o mar.


Fontes: descrição da fotografia e das raízes, USGS: https://www.usgs.gov/media/images/prop-roots-red-mangrove-trees-everglades-national-park ; adaptações aos estuários, NOAA: https://oceanservice.noaa.gov/education/tutorial_estuaries/est07_adaptations.html ; habitat e raízes do mangue-vermelho, NOAA Florida Keys: https://floridakeys.noaa.gov/plants/mangroves.html


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