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Como o gelo faz pedras deslizarem no Vale da Morte

Registros de GPS e observações do inverno de 2013 para 2014 revelaram o papel de placas flutuantes em trilhas que intrigavam pesquisadores havia décadas.

avatar por Ellen
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Uma pedra aparece no fim de um sulco comprido, desenhado sobre um terreno quase plano. Há outras por perto, cada uma acompanhada de sua própria trilha. Em Racetrack Playa, no Parque Nacional do Vale da Morte, na Califórnia, essas marcas indicam deslocamentos reais. A dificuldade durante décadas foi acompanhar o instante em que as rochas começavam a se mover. [1]


O lugar é o leito de um lago geralmente seco, cercado por montanhas. A erosão faz blocos dessas encostas chegarem à superfície da planície, onde podem permanecer por longos períodos. Depois de certos episódios, surgem trajetos que mudam de direção e, às vezes, seguem percursos semelhantes. Uma fotografia do solo seco registra o resultado, mas deixa de mostrar a água e o gelo envolvidos no movimento. [1]


Em 2011, pesquisadores instalaram uma estação meteorológica e prepararam quinze pedras com aparelhos de GPS acionados pelo deslocamento. Como o parque não permitiu modificar as rochas nativas, a equipe trouxe blocos semelhantes de fora. Os instrumentos poderiam registrar um acontecimento raro mesmo quando ninguém estivesse no local. Algumas pedras passam uma década ou mais sem sair da posição. [2]


A oportunidade chegou no inverno de 2013 para 2014. Uma camada rasa de água cobriu parte do terreno e congelou durante noites frias. O aquecimento pelo sol fazia a cobertura de gelo se fragmentar. Grandes placas flutuantes, deslocadas pelo vento, encontravam pedras e as empurravam sobre a lama. A água precisava permitir a flutuação do gelo e deixar parte das rochas acima da superfície. [2]


Publicado em agosto de 2014 na revista PLOS ONE, o estudo descreveu gelo com apenas 3 a 6 milímetros de espessura. Os ventos associados ao processo eram de aproximadamente 4 a 5 metros por segundo, equivalentes a 14 a 18 quilômetros por hora. As pedras avançavam alguns metros por minuto, devagar o suficiente para dificultar a percepção de quem observasse de longe, sem um ponto fixo para comparar. [3]


Os registros mostram por que uma trilha comprida não corresponde necessariamente a um único deslocamento. Algumas pedras acumularam até 224 metros entre dezembro e janeiro, em vários episódios. Em 20 de dezembro de 2013, mais de sessenta rochas se moveram em um mesmo evento observado. O deslocamento das placas ajudava a produzir trajetórias semelhantes em pedras separadas por dezenas de metros. [3]


O contato também podia terminar. Uma placa se partia ao encontrar um obstáculo, passava sobre uma pedra baixa ou deixava de exercer força suficiente. Isso ajuda a explicar por que rochas próximas podiam terminar em posições diferentes. O gelo observado empurrava as pedras enquanto elas mantinham contato com o fundo. [3]


A pesquisa documentou o mecanismo em funcionamento, com imagens, medições meteorológicas e registros de posição. Sua abrangência tem um limite importante: os maiores blocos do local não foram vistos em movimento nessa investigação. O comunicado da equipe destacou essa pergunta ainda aberta, evitando atribuir automaticamente o mesmo comportamento a todas as rochas de Racetrack Playa. [2]


Há também um cuidado necessário para conservar o fenômeno. O Serviço Nacional de Parques orienta os visitantes a não mover nem retirar pedras e a evitar caminhar sobre a lama. Pegadas e marcas de veículos podem permanecer por anos na superfície frágil. Preservar o terreno permite que os próximos visitantes observem os sulcos e que novas pesquisas examinem deslocamentos futuros sem confundi-los com alterações humanas. [1]


Pedra equipada com GPS e seu rastro em Racetrack Playa. A superfície estava congelada na fotografia; o sulco se formou quando o gelo havia derretido ou flutuava. Foto: Mike Hartmann, figura 4 de Norris e colaboradores (2014), PLOS ONE. Licença CC BY 4.0. Imagem sem alterações. Fonte da imagem. Licença CC BY 4.0.


Fontes


1. National Park Service: The Racetrack


2. Scripps: Mystery Solved: “Sailing Stones” of Death Valley Seen in Action for the First Time


3. Norris RD, Norris JM, Lorenz RD, Ray J, Jackson B (2014). Sliding Rocks on Racetrack Playa, Death Valley National Park: First Observation of Rocks in Motion. PLOS ONE 9(8): e105948

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