Cortei os dedos
para não apontar feridas.
Cortei a língua
para não dizer o indizível.
E fui perdendo pedaços
nessa arte miserável
de permanecer
onde já não me queriam.
Quem sabe agora eu caiba?
Quem sabe,
reduzida a quase nada,
não desperte o horror
de quem me queria inteira
apenas para me partir?
Cris Ribeiro
Cortei os dedos
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