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Leões de metal levavam água às mãos nos banquetes medievais

Recipientes chamados aquamanis combinavam escultura, fundição e os costumes de lavar as mãos à mesa e nas cerimônias religiosas.

avatar por Ellen
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Um leão de boca aberta, juba marcada por linhas finas e cauda elevada guarda espaço para água dentro do corpo. A peça, feita em Nuremberg por volta de 1400 e hoje pertencente ao Metropolitan Museum of Art, tem cerca de 32 centímetros de altura. Seu formato elaborado servia a uma tarefa bem concreta: fornecer água para lavar as mãos.

Esse tipo de recipiente recebe o nome de aquamanil, formado a partir das palavras latinas para água e mão. Exemplares medievais europeus foram produzidos entre os séculos XII e XV, sobretudo em regiões de língua alemã. Centenas sobreviveram. As formas incluem animais conhecidos, criaturas imaginárias e figuras humanas, entre elas cavaleiros montados, que acomodavam o reservatório e os pontos de abertura.

Lavar as mãos tinha lugar definido nas refeições. Em banquetes, muitos alimentos eram levados à boca com os dedos, como explica o Los Angeles County Museum of Art ao apresentar um aquamanil de sua coleção. A água era, portanto, necessária durante uma atividade cotidiana. A escolha de um recipiente ornamentado também permitia exibir o trabalho e os recursos empregados na mesa.

Nas casas da nobreza e nos refeitórios monásticos, as refeições podiam começar e terminar com a lavagem das mãos. O costume também fazia parte da etiqueta cortesã. Na liturgia cristã, o gesto tinha sentido ritual. Esses usos ajudam a explicar por que objetos com uma função tão simples receberam tanta atenção dos artesãos e apareceram em ambientes diferentes.

O leão do Met foi fundido em liga de cobre. Segundo a descrição do museu, sua fabricação começou com um modelo de argila, recoberto de cera. Por fora, o artesão aplicou material que incluía argila, cinzas e fragmentos de tijolo. O aquecimento retirava a cera, abrindo o espaço destinado ao metal líquido. Esse procedimento é conhecido como fundição por cera perdida.

Era preciso obter um corpo oco capaz de armazenar água. O núcleo interno definia esse vazio e, depois da fundição, seu material era retirado. Estudos técnicos publicados pelo Getty mostram que detalhes, espessuras e pontos de ligação podiam variar conforme a complexidade da figura. As radiografias ajudam a enxergar a construção das peças, inclusive regiões inacessíveis a uma observação comum.

A pesquisa também identificou reparos e tampões de metal. Em exemplares de Nuremberg, pequenas peças circulares fechavam aberturas deixadas pela retirada dos suportes que mantinham o núcleo na posição correta. O acabamento exigia outras ferramentas para regularizar a superfície e trabalhar os detalhes. Essas marcas preservadas permitem investigar escolhas de oficina que o objeto pronto nem sempre deixa evidentes.

As soluções para colocar e retirar água variavam. No aquamanil do LACMA, de cerca de 1250, o líquido entrava por uma abertura superior e saía por um bico ligado à boca do leão. Uma serpente arqueada sobre as costas participava da alça. O museu observa que os leões formam o maior grupo sobrevivente, com diferenças de postura, expressão e desenho da juba.

O exemplar de Nuremberg fotografado aqui pertence à The Cloisters Collection desde 1994. Sua ficha registra 5,3 quilos e paredes de metal com apenas alguns milímetros de espessura. A escala, a alça e o interior oco ajudam a perceber o trabalho envolvido em transformar uma figura de animal num recipiente utilizável. A função do recipiente ajuda a reconstituir um gesto habitual das mesas medievais.

Aquamanil dourado em forma de leão, com boca aberta, juba gravada e alça ornamentada sobre as costas, fotografado sobre fundo cinza.

Aquamanil em forma de leão, Nuremberg, cerca de 1400, em liga de cobre. The Metropolitan Museum of Art, The Cloisters Collection, 1994 (1994.244). Imagem em domínio público, Met Open Access. Fonte: objeto 469949. Met Open Access CC0. Imagem sem alterações.

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