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Nervos em segmentos dão novas pistas sobre os movimentos dos polvos

Uma pesquisa com Octopus bimaculoides encontrou módulos nervosos ao longo dos braços e uma organização espacial das conexões de suas ventosas.

avatar por Ellen
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Imagem de destaque: polvo de duas manchas da Califórnia (Octopus bimaculoides), fotografado no Santa Monica Pier Aquarium. Fotografia de contexto da espécie, não um registro do experimento. Foto: Jeremy Selan (Jeremyse), domínio público, via Wikimedia Commons.

Fonte da imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:CaliforniaTwoSpotOctopus1.jpg


Um braço de polvo pode se alongar, encurtar, torcer e dobrar em diferentes pontos. Sem as articulações rígidas que orientam nossos cotovelos e punhos, ele muda de forma para aproximar suas ventosas de objetos e superfícies. Controlar tantas possibilidades é um problema biológico que os pesquisadores ainda procuram entender.

Uma pista apareceu em um estudo publicado em 15 de janeiro de 2025 na Nature Communications. Ao examinar Octopus bimaculoides, espécie conhecida como polvo de duas manchas da Califórnia, cientistas da Universidade de Chicago identificaram uma organização segmentada no cordão nervoso que percorre cada braço.

Mudar o corte mudou o que se via

A descoberta começou com uma dificuldade prática. Cassady Olson e Natalie Grace Schulz tentavam observar fatias transversais dos braços ao microscópio, mas as amostras se desprendiam das lâminas. Segundo o relato da universidade, a equipe passou a usar cortes no sentido do comprimento. Essa mudança tornou visível um padrão que, na outra orientação, era difícil perceber.

Os corpos dos neurônios formavam colunas sucessivas, separadas por faixas com tecido conjuntivo, vasos e saídas de nervos. As conexões que partiam de segmentos vizinhos seguiam trajetórias diferentes até os músculos. A disposição sugere uma atuação coordenada entre módulos para controlar regiões do braço.

Também havia ordem nas conexões das ventosas. Nervos provenientes de diferentes posições alcançavam partes distintas de cada ventosa, preservando um mapa espacial. Os autores chamaram essa organização de “suckerotopy”, uma referência à palavra inglesa para ventosa.

Esse detalhe ajuda a dimensionar a tarefa do sistema nervoso. As ventosas podem alterar a própria forma e se mover individualmente. Além de aderir, elas recebem informações químicas e táteis dos objetos tocados. Para um animal que explora o fundo do mar com os braços, coordenar contato, percepção e movimento tem uma utilidade evidente.

Uma comparação com as lulas

A equipe examinou ainda Doryteuthis pealeii. Nessa lula, encontrou segmentação nos braços e na extremidade dos tentáculos, onde se concentram ventosas. Na haste dos tentáculos, sem essa concentração, o padrão não aparecia claramente. A comparação sustenta uma associação entre os módulos nervosos e o controle de estruturas flexíveis revestidas de ventosas.

O tamanho do desafio já havia sido documentado em outra pesquisa, publicada em 2020 na Scientific Reports. A análise de duas horas de vídeo de O. bimaculoides em laboratório registrou 16.563 deformações dos braços. Os quatro tipos básicos, dobrar, torcer, alongar e encurtar, apareceram nos oito braços e nas três regiões avaliadas ao longo de cada um.

Ter a mesma capacidade, contudo, não significava usar cada parte com a mesma frequência. Nesse experimento, a região próxima ao corpo apresentava proporcionalmente mais alongamentos e encurtamentos, enquanto dobramentos eram mais frequentes adiante. O repertório observado resulta da combinação dessas deformações, ajustada à tarefa que o animal realiza.

A pesquisa de 2025 oferece uma base anatômica para investigar como tamanha flexibilidade é coordenada. A hipótese dos cientistas é que a comunicação entre segmentos contribua para movimentos contínuos e controle localizado. Demonstrar a organização das conexões é um passo nesse caminho; ainda é preciso esclarecer como elas funcionam durante diferentes comportamentos.

Fontes

Neuronal segmentation in cephalopod arms. Nature Communications, 2025-01-15.

https://www.nature.com/articles/s41467-024-55475-5

Octopus arms have segmented nervous systems to power extraordinary movements. University of Chicago, Biological Sciences Division, 2025-01-15.

https://biologicalsciences.uchicago.edu/news/octopus-arms-segmented-nervous-system

Octopus arms exhibit exceptional flexibility. Scientific Reports, 2020-11-30.

https://www.nature.com/articles/s41598-020-77873-7

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