O azul da água e as faixas alaranjadas da Grand Prismatic Spring fazem uma das paisagens mais reconhecíveis de Yellowstone, nos Estados Unidos. Vista de perto, a fonte também revela uma convivência pouco intuitiva: água muito quente, vapor e comunidades de seres microscópicos. Parte das cores que atraem os visitantes vem justamente desses habitantes.
A Grand Prismatic fica na Midway Geyser Basin e é a maior fonte termal do parque. Segundo o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, seu diâmetro varia de aproximadamente 61 a 101 metros, e a profundidade supera 37 metros. As dimensões ajudam a perceber que a fotografia mostra apenas uma pequena parte de um sistema hidrotermal muito maior.
As fontes começam com água que se infiltra no terreno, desce por fraturas e recebe calor em profundidade. Depois, a água aquecida retorna à superfície. Nas fontes termais, os caminhos relativamente abertos permitem uma circulação: a água esfria, afunda e é substituída por outra mais quente. Esse movimento ajuda a explicar por que uma fonte pode permanecer como uma piscina fumegante, enquanto um gêiser apresenta erupções.
O azul intenso tem uma explicação óptica. Quando a luz solar atravessa água profunda e transparente, a luz azul é a mais espalhada, conforme descreve o parque. Já muitas das faixas amarelas, alaranjadas, marrons e verdes estão associadas aos termófilos, organismos adaptados ao calor. Cada indivíduo é pequeno demais para ser visto a olho nu; reunidos em enormes comunidades, eles se tornam visíveis como áreas coloridas.
Entre esses moradores estão as cianobactérias, capazes de realizar fotossíntese. Elas participam dos tapetes alaranjados encontrados em águas alcalinas, como as da Grand Prismatic. A vida das fontes inclui representantes de grupos bastante diferentes, entre eles bactérias, arqueias e organismos com células dotadas de núcleo. A palavra “micróbio”, portanto, reúne uma diversidade maior do que a aparência uniforme de uma faixa colorida sugere.
Os tapetes são estruturas organizadas em camadas. Filamentos microscópicos se entrelaçam, retêm matéria orgânica e minerais e formam ambientes nos quais convivem dezenas de tipos de microrganismos. Temperatura, acidez e composição da água influenciam onde essas comunidades conseguem crescer. Por isso, olhar a margem de uma fonte é observar também mudanças nas condições de vida ao longo de poucos metros.
A iluminação interfere nessa paisagem. Em certas comunidades, pigmentos chamados carotenoides ajudam a proteger as células da radiação solar e contribuem para tons alaranjados, especialmente em dias ensolarados. Algumas cianobactérias podem se deslocar para camadas mais profundas quando a luz fica intensa. Minerais também entram na composição visual: depósitos de ferro oxidado, por exemplo, podem produzir áreas avermelhadas ou alaranjadas. Uma cor isolada não funciona como identificação segura de uma espécie.
A interpretação biológica dessas cores tem história. Em 1889, o geólogo Walter Harvey Weed já reconhecia que parte do aspecto das fontes estava ligada à vida, quando as manchas eram frequentemente atribuídas apenas a depósitos minerais. Hoje, a descrição do parque permite apreciar a paisagem como um conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que acontecem ao mesmo tempo.
Essa observação deve ser feita das passarelas e trilhas autorizadas. O parque alerta que a água hidrotermal pode causar queimaduras graves e que os tapetes não devem ser arranhados. Manter distância protege tanto os visitantes quanto as comunidades que tornam as margens tão singulares.
Imagem: visitantes na passarela junto à Grand Prismatic Spring, em junho de 2013. Fotografia: NPS/Jim Peaco. Domínio público, conforme o registro da NPGallery (https://npgallery.nps.gov/AssetDetail/8ecfa1e0-9fd7-4ae5-b9b5-98d35fe84033). Imagem sem alterações editoriais.
Fontes: National Park Service: Grand Prismatic Spring (https://www.nps.gov/places/000/grand-prismatic-spring.htm/index.htm); Hot Springs (https://www.nps.gov/yell/learn/nature/hotsprings.htm); Life in Extreme Heat (https://www.nps.gov/yell/learn/nature/life-in-extreme-heat.htm); Thermophilic Communities (https://www.nps.gov/yell/learn/nature/thermophilic-communities.htm).