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Pinheiros milenares sobrevivem com apenas parte do tronco viva

Nos bristlecones do oeste dos Estados Unidos, raízes e faixas de casca sustentam setores separados, enquanto a madeira conserva registros do clima.

avatar por Ellen
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Um tronco retorcido, quase todo sem casca, pode conservar uma faixa estreita de tecido vivo ligada a alguns galhos verdes. Essa forma de sobrevivência aparece nos pinheiros bristlecone da espécie Pinus longaeva, encontrados em montanhas da Califórnia, de Nevada e de Utah. Alguns indivíduos atravessam milhares de anos em lugares com frio intenso, ventos fortes e uma estação curta de crescimento.

O National Park Service descreve uma característica importante dessas árvores: sua organização em setores. Grandes raízes abastecem determinadas partes do tronco e da copa. Quando uma raiz morre, por exemplo após ficar exposta pela erosão, o setor associado a ela também pode morrer. Outras partes continuam funcionando. Em grandes altitudes, há exemplares sustentados por apenas um ou dois setores vivos, reconhecíveis por faixas de casca.

O crescimento lento ajuda a formar madeira muito densa, resistente à ação de insetos, fungos e decomposição. Em encostas rochosas onde poucas plantas conseguem se estabelecer, a vegetação espaçada também limita a continuidade do combustível para incêndios. Essas condições favorecem a longevidade dos bristlecones, embora não os tornem invulneráveis ao fogo ou a outras mudanças no ambiente.

A espécie também cresce em altitudes mais baixas, onde pode se desenvolver mais rapidamente. Segundo o parque Great Basin, esses indivíduos ficam mais expostos a incêndios e outros fatores que reduzem suas chances de atingir idades excepcionais. Uma árvore grande, portanto, pode ser bem mais jovem do que outra pequena e retorcida. Medir altura ou diâmetro, isoladamente, oferece uma indicação insuficiente da idade.

Os anos guardados na madeira

Para determinar essa idade, os pesquisadores examinam os anéis de crescimento. Nas árvores de regiões com estações bem marcadas, diferenças na formação da madeira ao longo do ano produzem faixas visíveis. Um instrumento chamado trado de incremento permite retirar uma amostra estreita, em forma de cilindro, sem derrubar a árvore. O NIST descreve amostras com cerca de cinco milímetros de largura.

A contagem exige cuidado. Em anos muito secos, um anel pode faltar; em certas condições, uma árvore pode formar faixas que parecem representar mais de um ano. Os especialistas comparam amostras de várias árvores da mesma região, procurando sequências correspondentes de anéis largos e estreitos. Essa técnica, chamada datação cruzada, permite atribuir os anéis aos anos corretos e corrigir interpretações de uma amostra isolada.

Madeira morta também participa dessa comparação. Quando seus padrões coincidem parcialmente com os de árvores vivas, as sequências podem ser encaixadas, prolongando o registro para antes do nascimento dos indivíduos atuais. O trabalho acontece no laboratório, com preparação das amostras, microscópios e medições precisas. O contexto de cada árvore continua sendo necessário para interpretar os resultados.

Um registro do clima

Os anéis ajudam ainda a reconstruir o clima. A NOAA explica que, em locais onde a água limita o crescimento, períodos chuvosos tendem a produzir anéis mais largos. Onde a temperatura é o fator limitante, a relação pode ser diferente. Pesquisadores comparam essas medidas com registros meteorológicos para verificar quais condições ambientais a madeira realmente acompanha.

Essa combinação de longevidade e comparação entre amostras permite estudar condições anteriores às medições meteorológicas modernas. Por isso, até fragmentos caídos têm valor científico. No parque Great Basin, a orientação é deixá-los onde estão. Uma visita pode terminar diante de um tronco aparentemente ressecado; sua madeira ainda pode ajudar a datar uma seca ocorrida muitos séculos antes.

Tronco de pinheiro bristlecone com madeira exposta, cercado de rochas claras e outras árvores sob céu azul.

Pinheiros bristlecone (Pinus longaeva) no parque nacional Great Basin, em Nevada. Imagem: USGS / Geology and Ecology of National Parks. Domínio público. Fonte e direitos: U.S. Geological Survey. Imagem sem alterações.

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