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Por que o pôr do sol em Marte pode ficar azul

A poeira suspensa espalha a luz de um jeito diferente e pode formar um halo azulado perto do Sol.

avatar por Ellen
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Na cratera Gale, o Sol desce atrás de um horizonte escuro e deixa uma região azulada à sua volta. A fotografia foi feita pelo robô Curiosity em 15 de abril de 2015, no 956º dia marciano de sua missão. Era o primeiro pôr do sol que aquele veículo observava em cores. O registro mostra uma característica que parece inesperada para quem conhece Marte como o planeta vermelho. [1]

A explicação está na poeira da atmosfera. Suas partículas interagem com as diferentes cores da luz solar e espalham parte da luz azul para uma região próxima à direção do Sol. O tamanho dos grãos participa desse comportamento. A NASA já descrevia o efeito em uma imagem da missão Pathfinder, divulgada em 1997: aquele azul vinha da própria poeira, e não de nuvens de gelo de água. O restante do céu podia continuar avermelhado. [2]

Na Terra, estamos acostumados a outra distribuição. As moléculas dos gases do ar espalham com eficiência a luz azul, de comprimento de onda mais curto, por várias direções. Por isso, o céu diurno costuma ser azul. Quando o Sol se aproxima do horizonte, sua luz percorre mais atmosfera até nossos olhos. Uma parcela maior do azul é desviada pelo caminho, e os tons vermelhos e amarelos ganham destaque na luz que chega diretamente. [3]

Em Marte, a poeira fina produz um resultado diferente perto do disco solar. Ao amanhecer e ao entardecer, a trajetória da luz atravessa uma quantidade maior dessa poeira, tornando o azul mais perceptível. Isso não significa que todo o céu marciano fique azul, nem que uma fotografia de determinada tarde descreva todas as tardes do planeta. A região observada e as condições atmosféricas são parte da explicação da cena. [2, 3]

Há também um cuidado importante ao interpretar as cores. A imagem de 2015 veio da câmera esquerda do conjunto Mastcam e recebeu calibração e ajuste de balanço de branco para remover efeitos do equipamento. Segundo a equipe, a resposta da câmera às cores é semelhante à dos olhos humanos, embora seja um pouco menos sensível ao azul. Conhecer esse tratamento ajuda a entender o que a fotografia representa. [1]

Outro robô mostrou como o aspecto pode variar. Em 9 de novembro de 2021, o Perseverance fotografou um pôr do sol com a Mastcam-Z, no 257º dia marciano de sua missão. Um dia marciano é chamado de sol; essa numeração permite identificar quando uma observação ocorreu ao longo de cada missão. A NASA informou que havia menos poeira na atmosfera naquele momento. Por isso, as cores ficaram mais discretas do que o azul marcante visto em outros registros. A imagem continua sendo um pôr do sol marciano, mesmo sem repetir a intensidade da fotografia do Curiosity. [4]

Essas observações também têm uma finalidade científica. Ao apresentar um registro do Opportunity em 2010, o Laboratório de Propulsão a Jato explicou que imagens de entardecer ajudam a estudar variações da poeira na parte baixa da atmosfera. Assim, a cor fotografada fornece informações sobre o ar atravessado pela luz. Para ler bem esses registros, vale conferir o robô, a data, as condições descritas e o processamento informado pela equipe responsável. [5]

Fontes

[1] NASA/JPL. Sunset in Mars’ Gale Crater, 8 de maio de 2015. https://www.jpl.nasa.gov/images/pia19400-sunset-in-mars-gale-crater/

[2] NASA. Color Variations in the Sky at Sunset, 28 de agosto de 1997. https://science.nasa.gov/resource/color-variations-in-the-sky-at-sunset/

[3] NASA Space Place. Why Is the Sky Blue? https://spaceplace.nasa.gov/blue-sky/en/

[4] NASA. Mastcam-Z’s First Martian Sunset, 17 de novembro de 2021. https://science.nasa.gov/resource/mastcam-zs-first-martian-sunset/

[5] NASA/JPL. Mars Movie: I’m Dreaming of a Blue Sunset, 22 de dezembro de 2010. https://www.jpl.nasa.gov/news/mars-movie-im-dreaming-of-a-blue-sunset/

Imagem: pôr do sol na cratera Gale, fotografado pelo Curiosity em 15 de abril de 2015. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Texas A&M Univ. Imagem PIA19400, com cores calibradas pela equipe. Reprodução editorial conforme a política de uso de imagens do JPL: https://www.jpl.nasa.gov/jpl-image-use-policy/

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