Pele de Papel
O lápis invade. A folha treme. Carne branca: pele de escrever.
Arranha. Penetra. Revela o que a alma não quer mostrar.
Promessas quebram. Palavras queimam. Nada fica. Tudo arde.
Às vezes é mais: gozo que explode, sol no quarto, grito no peito.
Escrevo para durar. Mal e sal na mesma boca.
O papel me veste, me assanha, me salva.
Imortal. Que morde.
Cris Ribeiro
Publicado originalmente por @crisiribeiro no Threads em 26/07/2026 às 22:06.