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Poema de Cris Ribeiro

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Abro o caderno aponto o lápis mordo a borracha mastigo tédio cru.

O dia cinza-arrogante tem um bebê chorando o caminhão de lixo passando um carro berrando “saldão imperdível”.

Na pia a torneira pinga. Um compasso perfeito para minha falta de inspiração que tenta me convencer: não tenho nada a dizer.

Mas, veja só o peito me trai: desperta ensolarado como se houvesse um azul lá fora que não recebeu o memorando do caos.

Cris Ribeiro


Publicado originalmente por @crisiribeiro no Threads em 27/07/2026 às 22:32.

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