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@Albertobusquets há 1 ano
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270 No ducentésimo septuagésimo dia, ele despertou. O quarto era o mesmo. Os lençóis, a bermuda, a janela que iluminava tudo. Percebendo a atividade daquele despertar, o gato animou-se e pulou à cama para aproveitar o minuto de carinho (tudo o que suportava por vez). Ainda com sono, espreguiçou, pousando sua mão direita no pelo macio que ronronava deitado ao seu lado. Aquela cauda o chicoteou como sempre. Era sua rotina. Era como toda manhã começava. Levantou-se. Banheiro, comida do gato, remédios. Tudo igual. Tudo diferente. Tudo novo, apesar da similaridade dos atos. Ele estava contente! Ele estava vivo! Ele está amando o mais sublime dos amores. No ducentésimo septuagésimo dia, ele teve a ducentésima septuagésima certeza: Não importa o quanto escrevesse, era pouco. O amor não tinha limites. Nem o desejo. Muito menos a saudade... No ducentésimo septuagésimo dia, ele finalmente aceitou sua imensidão interna, esperançando unir-se (e fazer amor diário) à Imensidão dela. Alberto Busquets. #Desafio 020

Comentários (1)

@CrisRibeiro · há 1 ano
Lindo o escrito, lindo o amor! 😍
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