ME AJUDEM A ESCOLHER UM NOME PARA ESTE POEMA
#Desafio 365 Dias (026 de 365)
Havia um amor miúdo no passeio;
Eu abaixei e o peguei, e o guardei,
Porque, talvez pudesse ser de proveito mais pra logo.
Não; não volto mais pra casa.
Cansei de estar sempre no ponto de partida.
Como podemos jogar fora, dia após dia,
Todos os passos que demos?
Hoje vou em frente.
Vou seguir adiante sem seguir ninguém.
Hoje vou andar devagar
Vou vagar deandar
Vou devoar.
Quando foi que nossas vidas viraram moscas?
Onde ficaram perdidos os bateres de asas de borboletas,
Tão calmos e de pouca ligeireza?
Em que esquina a vida passou a ser
rasante veloz de varejeira?
Ah! Hoje eu reparei num amor miúdo
Esquecido no canto da calçada,
Sem raízes nem frutos;
Atravessei seus sonhos como um espectro,
Sem saber que lhe fazia mal.
Nosso olhar só sabe olhar pra fora.
Hoje havia um amor miúdo
Pedindo esmolas de raios de sol em plena chuva.
Não tinha medo dos predadores que o cercavam,
Mas sabia que iria arder em febre até perecer.
Mas hoje pode ter sido ontem ou na vida passada, não sei;
A vida parou de andar como o ponteiro grande.
O ponteiro pequeno agora dá voltas como uma hélice de helicóptero.
E o ponteiro grande já virou digital, como a vida.
Na vida passada havia um amor miúdo
Em ruas que já não existem mais
Soletrando com dificuldade os pios das aves.
Melodia em andante Cantabile, para a qual
Não há pressa nem banda larga.
Quando foi que deixamos de piscar
Entre um sorriso e outro? Quando foi
Que as árvores pararam de dar sombras,
Que as estrelas pararam de nos dar desejos,
Que a vida parou de nos dar chances?
Ainda estou esperando,
Na curva, na chuva, na calçada.
Amor miúdo que sou, vejo outros eus passarem
Atravessando meu passado como espectros de alegria.
A toda velocidade.
@tibianchini
há 1 ano
Público
Comentários (1)
@MarU
· há 1 ano
Se eu, como leitora, for te perguntar sobre este poema, perguntarei sobre o poema do “Amor miúdo”. Adorei, by the way! 🥰👏👏👏
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