@rafaelaraujoescritor
há 1 ano
Público
O Soneto das Máscaras
Eis que eles ainda estão aqui presos em indagações que se julgam no direito de proferir: ― Para quê? Por quê?
Essas questões são abstratas e servem como um refúgio, onde eles esperam encontrar a salvação de um abismo criado por sua imaginação voraz.
Todos esses adúlteros inconformados não fazem ideia de que a roda sempre existiu e permanecerá igual mesmo que a mudança aconteça. Esta naturalidade que tanto buscam já não é mais natural.
Seria mais fácil se eles seguissem o roteiro planejado para não perder tanto tempo de sua simples e humilde realidade. Afinal, a única certeza que existe é que tudo já está definido e ninguém pode fugir do seu destino.
― Para todo efeito, eles são o que nós queremos que sejam.
No entanto, nem todos são iguais, pois existem aqueles que transcendem em um sentido mais amplo da realeza e esses pertencem à aristocracia da majestade. Eles são bem diferentes dos seres inferiores que só buscam questionar a ordem natural do sistema.
Esses, por sua vez, até tentam incorporar sua revolta em gritos ecoantes, mas sempre vão escutar a mesma resposta: ― Porque sempre foi assim e pronto!
Afinal, não precisa lutar contra aquilo que se mostra verdadeiro, tampouco desejar algo tão irreal quanto os sonhos, pois tudo ficará mais evidente quando finalmente compreenderem o nosso papel: — Sou o espelho que preenche o vazio do rosto de quem deseja ser mais do que um simples plebeu nem um bobo da corte.
Prosa Poética - Projeto: Sons, Vozes e Silêncio
Comentários (1)
@MarU
· há 1 ano
Lindo, lindíssimo o “Soneto das mascaras”, me remeteu filosoficamente, a alegoria da caverna de Platão. As máscaras como um diálogo dos seres que veem espectros de sombras que julgam deuses assustadores, pois não tem coragem de sair da sombra e ver o que há por trás da luz que os reflete. Uma composição inteligentíssima e muito bem elaborada.
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