@CrisRibeiro
há 1 ano
Público
#Desafio 063
Vela de barco:
tensionada, amarrada, presa.
Nó de azelha
firmando, puxando, enterrando.
Mas quem vai prender o vento?
Quem vai domar a vertigem do mar?
Que me rasgue a carne,
que me curvem os ossos.
Nada estanca o gozo das águas,
o incêndio branco do sol,
o azul que engole a dor e a saudade:
esse chamado obsceno do infinito.
Minha alma desaprendeu a ter bordas:
é fome, é riso de coisa solta.
Guio a direção sem pretender o porto.
Quero a perda, a queda, o voo;
quero o devaneio de nunca chegar.
E, se nunca chegar,
que seja porque me perdi,
que seja porque o chão se fez ilusão.
E eu, vento, me faço mar,
e não há mais volta…
Porque já não sou quem partiu.
Cr💞s Ribeiro
Comentários (1)
@Albertobusquets
· há 1 ano
Uma lindeza preciosa! 💞⛵☀️
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