@rodrigosantos
há 1 ano
Público
Diziam que o canto das sereias era irresistível, que nenhum homem poderia escapar ao seu chamado. Eu, tolo, acreditei. Naveguei por mares perigosos, atento aos sussurros que flutuavam sobre as ondas, esperando pelo momento em que a música me tomaria. Mas nada me preparou para o silêncio dela.
Ela estava ali, sentada sobre as pedras negras, cabelos úmidos caindo em cascatas sobre os ombros. Seus olhos eram mais profundos que o oceano, mas sua boca… fechada. Nenhuma melodia, nenhum convite. Apenas o silêncio.
E esse silêncio me devorou.
As outras sereias cantavam ao longe, tentando me atrair, mas eu já não ouvia nada além da ausência dela. Meu coração batia forte contra o peito, implorando por um som, qualquer som. Uma palavra. Um sussurro. Mas ela apenas me olhava.
Dei um passo na água, depois outro. O silêncio dela me puxava como correnteza. Cada onda fria que quebrava contra minhas pernas era um aviso tardio. O silêncio era um feitiço muito mais cruel que o canto. Um canto prometia prazer e esquecimento. O silêncio dela prometia apenas o vazio.
Meus joelhos cederam quando a água chegou ao meu peito. As sereias cantavam frenéticas agora, como se tentassem avisar. Mas já era tarde. Eu pertencia ao silêncio dela.
O último som que ouvi foi o silêncio das águas me engolindo enfim.
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