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@tibianchini há 3 dias
Público
Eu havia feito um miniconto (tinha limites de palavras, então eu fiquei bem "preso") e pretendia inscrever em um concurso... Mas perdi o prazo. Me digam: valeu a pena ter perdido o prazo mesmo, né? Isso jamais venceria nenhum concurso. *** NOITES BRANCAS *** Gosto de dar livros de presente. Há dois anos, por exemplo, me lembro de ter dado um "Noites Brancas", que tinha há muito tempo, para um namorado de três meses. Hoje estou sozinha. Mas é dia dos namorados, então decidi dar um presente a mim mesma. Um livro, é claro. Entro no sebo. Seção russa. E, de repente... Encontro o livro numa prateleira, espremido entre Tolstoi e Gorki. A lombada é a mesma, o vinco no canto também. Abro na primeira página e quase rio: minha letra ainda está lá, prometendo “pra sempre” como quem rabisca um lembrete qualquer. "Que este livro te lembre que os sonhadores também merecem ser encontrados." O dono do sebo não sabe explicar como o exemplar chegou ali. Não importa. Eu nem pechincho: compro o livro de volta e sento na cafeteria ao lado. Sob a dedicatória antiga, escrevo outra, menor: “Para quem ficou. Finalmente me encontrei." Fecho o livro e sorrio. O café esfria. Penso que talvez o amor seja isso: devolver o presente ao remetente certo.

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