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@cynthiabrum há 9 meses
Público
A sala era um universo próprio. Luzes suaves dançavam pelas paredes, como estrelas tímidas perdidas em uma galáxia de sombras. O ar carregava uma vibração quase elétrica, pulsando em sincronia com os corações ali presentes. Ela estava sentada no chão, os joelhos dobrados, o vestido leve repousando ao redor como a ondulação serena de um lago. Ele estava de pé, próximo demais para que a distância fosse confortável, mas longe o suficiente para que o toque fosse apenas um pensamento. - Não se aproxime. - ela disse, a voz mal sussurrando. - Ou você quebrará o feitiço. Ele sorriu, mas seus olhos escureceram, como se as palavras dela fossem o próprio feitiço. - E se eu não quiser que ele continue inteiro? Ela desviou o olhar, mas não antes que ele capturasse a chama nos olhos dela — um fogo que parecia consumir tudo ao seu redor. O calor cresceu entre eles, invisível, mas impossível de ignorar. - Teus lábios - ele disse - parecem feitos de poesia. Ela riu, mas o som morreu na garganta. - E os teus são proibidos. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Ele deu um passo à frente, e o chão parecia tremer sob o peso desse movimento. Ela ergueu a mão, não em defesa, mas em rendição. - Se você me tocar, a realidade vai ruir. - E se eu quiser que ela de fato desmorone? Ele estava próximo agora, o suficiente para que ela sentisse o calor dele, o suficiente para que o perfume dele a envolvesse completamente. Ela fechou os olhos, permitindo-se um momento de vulnerabilidade. - Aquieta-te, desejo. - ela murmurou, mas as palavras eram uma mentira suave. Quando ele finalmente se ajoelhou diante dela, não houve toque. Apenas a promessa disso, um abismo de tensão entre dois mundos que jamais deveriam se cruzar. E ali, naquele instante suspenso, o silêncio tornou-se música e os suspiros, versos. O impossível permanecia intacto, mas o desejo… O desejo era eterno.

Comentários (1)

@tibianchini · há 9 meses
Que pérola! Que coisa mais linda de se ler numa manhã! Parabéns, mil parabéns!
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