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@CrisRibeiro há 8 meses
Público
#Desafio182 Se é pra ter um amigo imaginário… Papo com Drummond Ah, Carlos, andei trocando confidências com o silêncio e ele sussurrou teu nome. Diz que você ainda acredita em anjos, mesmo os de asas tortas. Eu também. Mas confesso: às vezes eu os alimento de desespero e café preto. Viraram criaturas noturnas, amantes da dúvida. E a seta? Ah, errou feio. Mas vai ver era pra errar mesmo. Vai ver errar é o novo acertar. Fica tranquilo, tá? Mesmo que o coração aperte como calça jeans lavada, mesmo que a vida nos balance como rede velha em dia de vendaval, o meu peito ainda abriga. Cabe o mundo, tua tristeza, e até o estalo seco de quem nos quebra por esporte. Coração de mulher, Carlos, é mistura de construção e demolição. A gente tira os escombros dançando. E ainda planta flor entre os entulhos. Porque fé aqui é planta daninha: brota até em concreto. Acredito sim. Acredita comigo? Que o anjo bom já enrolou o outro num lençol pesado, amarrou uma pedra no pescoço e mandou pro fundo. A ferida lateja, mas já tem cheiro de cura. Tem gosto de amanhã. Vem comigo, Drummond. Você se enganou. E tudo bem, acontece até com os poetas. Os suicidas não estavam certos. A vida é crua, mas é banquete. Vamos brindar à dor com conhaque e gargalhada. Vamos nos perder entre estantes e hashtags. Nos despir de ego e de medo. Vamos chorar em verso, amar em caixa alta. Porque, você sabe, melhor que ninguém , o tempo não é pão para guardar. É vinho para derramar. Vamos amar, Carlos. Com todas as letras. Cr💞s Ribeiro

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