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@chico-viana-lwd0u há 5 meses
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CASO SÉRIO – Pai, urge que o senhor aumente a minha mesada. – “Urge”?! O que é isso? – A professora de redação ensinou que a gente deve dizer “urge”. Tem mais força do que “é preciso”, “é necessário”. Parece, tipo assim, o rugido de uma fera. URRRGEEE! – Calma, tudo bem. Não precisa me morder. E pra que é que você quer mais dinheiro? – Vou fazer o Enem, não vou? Preciso ler, me informar. Destarte... – “Destarte”? – Sim. Destarte, dessarte... A professora falou que é melhor do que “então”, “logo”, “diante disso”. Ela quer que a gente arrase na prova. E quer, outrossim, um pouco de fama para ela também, claro. – “Outrossim”? – O senhor não conhecia? – Não. Conhecia “outro não”. Era o que eu ouvia de sua mãe toda vez que lhe pedia um beijo. Ela dizia: “Outro não, Valfredo. Por hoje basta.”. – Ah, pai, o senhor é mesmo ignorante. Não é “outro sim”; é “outrossim”, entendeu? – Não estou vendo diferença, mas entendi. O contrário, então, deve ser “o mesmo sim”. E não outro! – Caramba, pai! Achei massa essa história do beijo. Então ela lhe dava um fora... Que sádica! E o senhor, entrementes, o que fazia? – “Entrementes”? Deixe eu ver... Primeiro preciso saber o que é “entrementes”. É alguma coisa como “escorraçado”? – Nada a ver. Significa “nesse espaço de tempo”. – E por que você não falou isso? – Porque a professora disse que “entrementes” impressiona mais. – Nesse caso, pode entrementar à vontade. O importante é que você arrase na redação. – Esse é meu desiderato. – Como? – Desiderato, objetivo, pô! Também o senhor não saca nada da língua portuguesa! – Desculpe, ando meio desatualizado. Embora, aqui pra nós, esses termos que você está usando sejam um tanto serôdios. – “Ser” o quê? – Serôdios! Sua professora não mandou você usar essa palavra no lugar de “antigos”? Se ela ainda não fez isso, vai fazer. Com certeza. – Epa! Nada de “com certeza”. É “indubitavelmente”. E sabe de uma coisa? É mister que eu não converse mais com o senhor. – “Mister”?! – Isso mesmo. E não fale mais da minha professora, viu? Não quero ouvir. Se fizer isso, que seja à sorrelfa. – “Sorrelfa”!? Essa também veio da professora? – Negativo. É contribuição minha mesmo. Pesquei no dicionário para fazer uma surpresa a ela. – “Sorrelfa”... Socorro, Alaíde! Vem cá ouvir teu filho. Alguma coisa muito séria está acontecendo com ele!

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