Hoje, como toda semana faço, eu mergulhei em busca da paz, que só o fundo das águas pode trazer, e em meio a paz que na profundeza eu deslumbrava, vi seu belo rosto se moldar na água, e então uma imensa paz abrandou meu coração, foi aí que percebi que só você era capaz de me dar mas paz do que as águas!
Não só de paz meu coração transbordava, mas também de amor e de alegria! E em meio ao meu delírio apaixonado, eu nadei como se eu fosse incansável na esperança de encontrá-la entre águas! No anseio de beijá-la, logo após minha próxima braçada!
Ao chegar ao final da piscina, fiquei triste por não encontrá-la, e por um momento minha paz foi embora, mas eu não não pararia tão fácil, então eu logo recuperei o fôlego, e voltei novamente para o fundo da água, só para sentir tudo de novo, só para vê-la novamente, só para nadar e nadar eternamente até finalmente encontrá-la, só pra nadar e nadar novamente até finalmente beijá-la! Só para olhá-la e dizer incessantemente "Eu te amo!"
Ah, como eu queria tê-la aqui perto, mas até lá terei que me contentar com sua imagem nas profundezas da água, por enquanto terei que me saciar com meus nados a sua procura, por enquanto irei me viciar em meus mergulhos apaixonados! Mas só por enquanto, pois sei que um dia eu estarei com ela!
Veneno, corre como veneno. A peste da adultice te dizendo: "Pense assim, pense acolá!" Te impedindo de imaginar.
O Embrolho, o Enruste, o injusto capitalismo. O executor de todos os sonhos, o carrasco do imaginário, a guilhotina do senso crítico.
Lute, corra, procure, ache logo esse maldito túmulo, pois pra viver tem que morrer! Morre o seu espírito, morre a esperança, morre o seu eu criança. Então lute! Lute pelo seu futuro luto.
Terno limpo, paletó liso, cinto apertado, bem apertado, até sobrar o que é preciso: lucro, dinheiro. E a gravata te sufocando, e o cinto te apertando, até que de você não sobre nada!
E então, no final da vida, verá que pouco dela foi vivida, mas muito foi sobrevivida! Mas agora já é tarde, não dá pra voltar atrás. Agora, depois de tudo, só te restou a sua casca.
Mais uma entrevista, mais uma moça simpática que me disse: "Vamos entrar em contato". No entanto, a essa altura, só me resta a esperança de ao menos me avisarem do "não". Entro em casa derrotado, me encontro com a solidão, vou à sala e vejo lá minha velha poltrona. Eu me sento, apago as luzes, fecho os olhos e me lamento internamente, pois, de tão sozinho, não tinha ninguém para dizer como me sinto. O dono dessa poltrona e a esposa que ele amava se foram; o destino os tirou de mim, e agora percebo o quão inútil eu sou. E por isso, permaneço de olhos fechados, me açoitando, me cortando e me torturando, fazendo do meu corpo o inferno da minha alma.
E quando me saciei da minha própria dor, abri os olhos e então eu vi. Vi, em meio à escuridão da noite, a silhueta de um homem, uma sombra. Eu não via o seu rosto, mas sentia; na verdade, eu sabia que ele estava olhando para mim, me observando, me julgando, me lembrando daquilo que eu merecia, mas meus pais é que levaram. Eu também olhava para ele fixamente. Eu estava paralisado, não conseguia mover um músculo; tudo o que conseguia era olhar. Olhar para a escuridão daquele corpo, olhar para milhares de abismos que, ao se chocarem, moldaram sua forma. Tudo o que podia fazer era sentir. Sentir o frio gélido que me congelava até que todo o quente se fosse. Só me restava ouvir. Ouvir os gritos de agonia das vidas que despencavam, se prendiam na espiral de espinhos lá de dentro do abismo. Suas peles eram rasgadas feito roupa sendo rasgada, suas carnes eram arrancadas e seus ossos triturados, feitos grãos da existência. E depois de tudo isso, só havia a inexistência.
Tinha medo e desejo. Eu queria e não queria. Lá, parado e indeciso, mantive tudo escuro. E a sombra se aproximava, seus abismos me fitando, salivando, cheios de fome! E a sombra vinha, vindo, me esganava e estrangulava, seus abismos me puxavam, me jogavam nos espinhos. O ar já não sobrava. Estava perto, estava perto! A dor logo passaria! Mas o medo me alcançou, me puxou e me levou, levou de mim a minha mão, que, indo até o interruptor, finalmente ligou a luz! Não foi dessa vez que a sombra da noite me levou.
Talvez este texto não tenha rimas, pois hoje eu não quero rimar. Digo "talvez" porque pode ser que, em algum momento, eu acabe rimando, mas te garanto que não foi proposital.
Hoje, eu só queria falar sobre me sentir invisível. Queria falar sobre outras coisas também, mas desisti enquanto escrevia. Percebi que ficaria grande demais ou pessoal demais. Talvez seja melhor falar de uma coisa de cada vez.
Às vezes, me sinto como um objeto em um canto, um nome esquecido, um espectro não visto. Eu finjo que não sinto, finjo que estão me vendo, finjo que ainda se lembram.
Isso faz com que eu respire, respire um pouco mais tranquilo. Mas, no fundo, me sinto invisível, e não sei como mudar isso. Não sei como ser visto. Talvez eu não mereça. Mas, enfim, é a vida. Talvez "invisível" faça parte da minha. Talvez faça parte da vida de muitos outros. E, para os outros, eu desejo o mesmo que anseio: que todos sejam vistos!
Mas, enfim, era isso! Era o que eu tinha guardado no peito. Talvez vocês não gostem, mas precisava ser dito. Eu precisava dizer, em algum lugar. Precisava falar. Peço desculpas se pareceu pessoal demais, mas eu precisava escrever. Precisava postar porque... eu também mereço ser visto.
Aos que leram, obrigado por isso. É sempre bom ser lido. Aos que acharam errado e de mau gosto, que pensam que eu só escrevi isso por atenção... bem, não me culpem. Eu só escrevo o que o eu lírico manda.
Do sol se espalha a luz no céu! Oh, que beleza é ver a luz! E é só a luz o que cai do céu!
Mas, oh, meu Deus, a luz é bela, mas não basta a luz! Quero que caia mais que luz do céu!
Do céu não vejo cair a vida, ninguém volta mais, a alegria também não cai!
Mas, nos dias tristes, a luz não sai, e do céu caem todas as lágrimas não choradas, que se misturam com nossas lágrimas, para que não vejam o que cai dos olhos!
Mas, oh, meu Deus, a chuva é bela e esconde os choros! Mas só a chuva já não nos basta! Quero que caia muito mais do céu!
Só que o meu querer de nada serve, infelizmente nada cai do céu. Eu vou correndo, vou voando atrás, mas vou sangrando e vou morrendo! Será que chego até o fim da linha? Por que não pode só cair do céu?
Alma vazia, solidão angustiante, o nada me abraça, me esgana, me tritura; minha mente se despedaça, o acaso me esmaga, o destino me larga!
Eu não queria estar no topo, e nem mesmo isso eu almejo; eu só queria estar em algum lugar, saber meu caminho, achar uma rota!
Mas, sozinho, na escuridão de meu sombrio aposento, me vejo perdido nas penumbras da noite, consumido pelas incertezas da vida!
São tantos os caminhos à frente, que me perco enquanto cruzo todos eles, sem nunca chegar a lugar algum!
Me olho no espelho e me vejo preso! Preso aos prazeres que não tenho, preso aos sucessos que não tive e que tanto desejo! Preso, perdido e vazio!
Até quando ficarei perdido no mar imenso de água escura, que me guia sem rumo, que me prende a tormentas da tempestade impiedosa? Até quando ficarei eu, preso, perdido e vazio?
Olá pessoal , queria compartilhar com vocês a sinopse do meu livro "La Cruz: Entro o Sangue e Fé". O livro ainda está sendo finalizado, mas a expectativa é que esteja pronto para a publicação até o fim do ano! Enfim espero que gostem!殺
"Fé" é uma palavra tão pequena, mas tão complexa! Sem dúvidas é uma palavra dificil de compreender, ela tem tantos significados! Pode-se ter fé em tantas coisas! Pode-se ter fé nos homens, em Deus, no Universo ou até mesmo em coisas como dinheiro e poder!
Falando assim, ela até parece ser bonita! Parece significar algo bom e puro, algo divino! Mas a verdade é que, normalmente, há muito sangue escondido, há muitos corpos empilhados! Há muitas injustiças nunca vingadas! E tudo isso está escondido sob as saias do divino! Sob o símbolos que criamos! Sob os alicerces das igrejas! Sob o dinheiro guardado nos bancos!... Tudo isso é escondido e justificado por uma mesma palavra: "Fé".
Até onde você iria pela sua fé? O quanto você sacrificaria?! Quanto sangue você derramaria pela sua fé?! Até onde você iria por uma incerta promessa de salvação?! Até onde você iria pela sua própria ascenção?
Mas acho que a principal questão é por que lutar? Por que lutar por algo que esconde tanta morte!? Por que lutar por algo que manipula e controla tanta gente!? Será a fé algo de todo o mau? Ou teria ela algo de bom a nos oferecer!? Talvez sejam perguntas demais pra responder, talvez elas nem mesmo tenham respostas! Mas todas elas atormentam a mente dos que pisam em La Cruz!
Ossos, carne, órgãos, sangue, nervos, veias, articulações, juntas, pele... O corpo completo, vivo, consciente, perfeito!
A máquina perfeita. Quem a construiu? Será as mãos do Divino? Ou será a natureza que, por mero acaso, fez surgir esse organismo tão organizado?
A perfeita simbiose, a orquestra em harmonia, a paisagem irretocável! Tão perfeita! Mas tão frágil!
Tão facilmente podem ser quebrados, destruídos, devorados, mutilados, enterrados, esquecidos... Com a mesma facilidade com que nascem, morrem!
Quem será nosso arquiteto? Aquele que nos moldou tão perfeitos e, ao mesmo tempo, tão frágeis, pequenos e quase irrelevantes para a imensidão do universo!
Será que nos fez assim por maldade? Ou queria nos mostrar algo que talvez nunca tenhamos entendido?
Talvez quisesse que filosofássemos. Ou talvez sejamos apenas um teste, um experimento! Ou quem sabe sejamos apenas uma piada mal feita, onde a graça está em como seres tão perfeitos são, ao mesmo tempo, o cúmulo da guerra, da violência e da imperfeição!
Perfeitos e imperfeitos, seguimos perdidos em nossos achados inventados e propósitos que só entre nós fazem sentido!
E, no fim, morremos sem saber por que vivemos, sem saber se acertamos ou se erramos em tudo!
Enfim, chega a finitude. E assim como nascemos sem saber de onde viemos, nem por que existimos, morremos sem saber por que morremos, sem saber se há algo depois!
Nascemos do mistério e morremos no mistério. Terminamos onde começamos, e tudo o que sabemos é que não sabemos de nada!