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#Desafio 203
*Mãos Obscenas*
Minhas mãos são obscenas,
escrevem letras infames
em poemas.
Marcam textos profanos
a caneta,
e não apagam com borracha
o que vem à cabeça.
O papel recebe
tudo o que não se fala,
é o cúmplice dos segredos
dos poetas,
a voz do eu lírico,
autor, ator que disfarça.
E as mãos,
a elas dá o consentimento,
a caneta e as ordens
para que escreva.
Liberdade
pra suas desgovernadas letras,
sensações e sentimentos.
A palavra que ninguém fala,
escrevo…
e destas mãos
não guardo segredos.
Através delas
toco a profundidade das almas,
as invado,
penetro por dentro
e ascendo ideias e desejos.
Me lendo, de fato,
sorvendo dentro
meus poemas sem tato,
em sentido abstrato… ou não.
Despindo o íntimo
em qualquer lugar…
inclusive na cama,
com a palma
das suas mãos.
MarU
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#Desafio 202
*A mar(é)*
Inspiro profundamente
e não solto
o que iria falar.
As palavras me vêm
como ondas,
adornadas por conchas
e tantas outras coisas…
Talvez o amor,
talvez as circunstâncias…
Marolando ávidas
suas águas frias,
alegremente por dentro,
revolvendo-se
de encontro à beira-mar,
plácida, fluída.
Têm a intensidade
dos ventos norte,
com volatilidade
de rajadas fortes;
dispersa minhas palavras
de improviso no caminho,
como águas e ventos alísios
reconhecem nas praias
e na morada,
seu vício.
Efeito Coriolis:
ninguém mais vê,
nem sente como eu sinto.
Seguindo em linha reta,
me desvio para a direita,
sem perceber.
Admito!
Minto pra mim mesma,
almejando praia,
temendo a dureza
de um quebr(a-mar).
Às vezes, me mudo,
tentando segurar um oceano.
Me calo,
evitando um tsunami
ou o dissabor de um engano.
Para não transparecer
nas ondas de águas límpidas,
o sal que marolo em minha alma,
me banho calada
em palavras insípidas
exalando a (mar)é calma.
Me aquieto na praia.
As areias absorvem tudo.
Ou quase tudo.
MarU
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#Desafio 201
*Cheiro de Vida*
O mato cortado.
A chuva no mato.
As gotas na terra.
O som da chuva
no mato.
As nuances
dos elementos
me penetram.
A brisa fresca
faz questão
de me alcançar.
E aqui dentro:
o café fresco,
o bolo no forno
e o próprio instante
me fazem experimentar
uma sensação,
que reconheço
de antes.
Recosto no sofá,
com um cobertor fofo
e os braços
cheios de calor
do corpo
do meu filho
a descansar.
Os cheiros todos,
misturados,
trazem lembranças…
conforto.
E como mãe,
encosto o rosto
na minha criança
e sinto,
na fragrância de infância
do seu pequeno pescoço,
o alento mais gostoso,
para minha alma
enfim
repousar.
Cheiro de vida,
cheiro de amor,
cheiro da esperança
em algo tão belo,
que não quero
jamais
soltar.
Meu lar.
MarU
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#Desafio 199
*Podolatria*
Pés descalços,
dorso arqueado,
pele translúcida,
delicada, nua…
Veias finas,
detalhe anilina.
Deslizando as mãos,
embebidas de creme,
por sua pele macia,
nas bordas curvas.
Alisa…
suave, capricha.
As mãos,
os dedos…
entre os dos pés
e seus veios
delicados de mulher.
Entrando com facilidade
entre os dedos bem feitos.
Unhas pintadas de vermelho,
linhas quadradas,
harmônico placebo
te olhar.
Descendo e subindo,
do tornozelo de deusa
até as unhas perfeitas.
Alisando a pele
em movimento fluido,
ritmo continuado.
Sentindo a energia
na pele aquecida
e uma leve brisa fria
que arrepia os pelos
e sua pele eriça.
Da cama se levanta
e caminha…
anda.
Seus passos delicados
são uma deliciosa dança.
A cada passo,
desfilam,
invocam,
provocam
instintos antigos…
Idolatram.
Só com os olhos,
a admirar,
convidados à devoção
de uma obra-prima divina.
No chão,
cada passo
beijando o caminho
como a um relicário delicado.
Sussurrando
ao olhar apaixonado
seu mais profundo,
intenso
e absoluto prazer.
Seria pecado
se deixar perder…
ser teu chão,
o caminho
pra você?!
Espero
que não.
MarU
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#Desafio 196
*Brincadeiras entre adultos*
Adentrou a câmara,
despida de vestes.
Serena, nua, pura,
caminha, como faquir,
desfilando sob brasas.
Seus passos, uma dança.
Seu corpo, sinuosas curvas.
Convida, carente:
— A cama é sua. Vem!
Olhos abertos,
mede.
Chama em verde,
ao brilho
que repete
o convite.
Com as mãos esguias,
guia-se em seu templo,
alisando suavemente…
com autocuidado
e respeito.
Da boca ao pescoço,
desce… aos seios.
Vai descendo,
mamilos tesos.
Sua pele,
seus finos pelos…
O olhar fito convoca,
expressa desejo intenso.
Não para, tem tara.
Provoca.
Desliza seus dedos,
fazendo a curva
no umbigo.
Param um pouco.
Paralisa-o.
A ponta dos dedos,
apontam as unhas,
ao paraíso.
E, como se num aviso,
seus olhos,
sua boca,
sua respiração pouca,
premeditam.
Deslizando
em movimento
lento…
Todos os dedos,
descendo
rumo
ao monte Vênus.
Entrelaçando dedos
entre pelos,
fluidos e carnes.
Aos poucos…
os olhos se fecham,
a boca, levemente,
se abre.
Sem pudores
nem medos,
se possuindo com vontade.
Introduzindo seus dedos,
deslizando facilmente,
lisos…
Se melando de fluidos,
exalando cheiros
característicos,
e emitindo
som de gemido.
Suave…
Sentindo…
Transmitindo a ardência
em arfares reprimidos.
Explodindo em pulsares.
Abrindo os olhos…
E finalmente,
convida-o
com voz suave:
— Vem!
Sua vez
de brincar
com a minha tez.
MarU
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#Desafio 195
*Notificação*
Uma estranha mania
que adquiri recentemente:
perguntar como foi seu dia
e te contar o meu, alegremente.
Infelizmente… há dias
que a gente falha.
E não se fala…
e fica um vazio, de repente.
Em dias como este,
rolo na cama e não durmo,
olhando a tela no escuro,
aguardando uma notificação sua…
Mal acostumada, carente.
MarU
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