Rochas, túmulos e memória
Rochas, túmulos e memória
Nas encostas e paredes de pedra, multiplicavam-se aberturas, monumentos e sepulturas. A cidade parecia menos construída sobre a terra do que retirada de dentro dela.
A arquitetura conservava uma nobreza estranha: mesmo ferida pelo tempo, ainda impunha medida, proporção e espanto.
O viajante observava os sinais como quem tenta reconstruir uma voz perdida. Cada fachada sugeria poder; cada ruína sugeria abandono; cada caminho sugeria passagem.
Petra, nesse olhar, não é apenas cenário. É personagem: guarda seus mortos, oculta seus corredores, oferece beleza e recusa explicação simples.