I. O homem que perdeu o púlpito
Gösta Berling fora pastor, mas seu nome passou a circular como advertência. Havia nele encanto suficiente para convencer uma sala inteira e fraqueza suficiente para destruir a confiança de quem o seguia. Quando perdeu o lugar sagrado que ocupava, não perdeu apenas um cargo: perdeu o espelho em que ainda tentava ver alguma forma de dignidade.
A neve de Värmland parecia guardar seus passos. Nas estradas frias, entre aldeias e propriedades, ele carregava uma espécie de brilho ferido, desses que fazem as pessoas quererem salvar alguém antes de perguntar se esse alguém deseja ser salvo.