Canto I Cantos da Solidão · Capítulo 2 de 5
Obra Menu

Canto I

Canto I

Ao ermo, ó musa: - além daqueles montes,

Que, em vaporoso manta rebuçados,

Avultam Já na extrema do horizonte...

Eia, vamos; - lá onde a natureza

Bela e virgem se mostra aos olhos do homem,

Qual moça indiana, que as ingênuas graças

Em formosa nudez sem arte ostenta!...

Lá onde a solidão ante nós surge,

Majestosa e solene como um templo,

Em que sob as abóbadas sagradas,

Inundadas de luz e de harmonia,

Êxtase santo paira entre perfumes,

E se ouve a voz de Deus. - Ó musa, ao ermo!...

Como é formoso o céu da pátria minha!

Que sol brilhante e vívido resplende

Suspenso nessa cúpula serena!

Terra feliz, tu és da natureza

A filha mais mimosa; - ela sorrindo

Num enlevo de amor te encheu d'encantos,

Das mais donosas galas enfeitou-te;

Beleza e vida te espargiu na face,

E em teu seio entornou fecunda seiva!

Oh! paire sempre sobre os teus desertos

Celeste bênção; bem-fadada sejas

Em teu destino, ó pátria; - em ti recobre

A prole de Eva o Éden que perdera!

1/1
Menu

Fazer anotação