Aos Pernambucanos Segundos Cantos · Capítulo 19 de 23
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Aos Pernambucanos

Aos Pernambucanos

Salve, terra formosa, ó Pernambuco,

Veneza Americana, transportada

Boiante sobre as agoas!

Amigo genio te formou na Europa,

Genio melhor te despertou sorrindo

Á sombra dos coqueiros.

Salve, risonha terra! são teos montes

Arrelvados, innumeros teos valles,

Cujas veias são rios!

Doces teos prados, tuas varzeas ferteis,

Onde reluz o fructo sasonado

Entre o matiz das flores!

Outros, patria d’heroes, teos feitos cantem,

E a bella historia de colonia exaltem,

E os nomes forasteiros;

Não eu, que nada almejo senão ver-vos,

Tu e Olinda, ambas vós, co’os olhos longos,

Expraiados no mar!

Ambas vós, sobre tudo americanas,

Doces flores dos mares de Colombo,

Filhas do norte ardente!

Virgens irmãs, que vão de mãos travadas

Sorrirem d’innocencia á propria imagem,

Que luz em claro arroyo.

Andei, por vós somente, em vossas matas,

Colhendo agrestes flores na floresta,

Não respiradas nunca,

Singelas, como vós,-como vós, bellas,

Ennastrei-as em forma de grinalda

Fino, extremoso amante!

Não vivem muito as flores: são meos versos

Ephemeros como ellas; côr sem brilho,

Ou perfume apagado,

Ou trino fraco d’ave matutina,

Ou echo de um baixel que passa ao longe

Com descante saudoso.

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