Parte 4 Zé Brasil · Capítulo 4 de 9
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Parte 4

— Eu era "agregado" na fazenda do Taquaral. O coronel me deu lá uma grota, fiz minha casinha, derrubei mato, plantei milho e feijão.

— De meias?

— Sim. Metade para o coronel, metade para mim.

— Mas isso dá, Zé?

— Dá para a gente ir morrendo de fome pelo caminho da vida — a gente que trabalha e planta. Para o dono da terra é o melhor negócio do mundo. Êle não faz nada, de nada, de nada. Não fornece nem uma foice, nem um vidrinho de quina para a sezão — mas leva metade da colheita, e metade bem medida — uma metade gorda; a metade que fica com a gente é magra, minguada... E a gente tem de viver com aquilo um ano inteiro, até que chegue tempo de outra colheita.

— Mas como foi o negócio da fazenda do Taquaral?

— Eu era "agregado" lá e ia labutando na grota. Certo ano tudo correu bem e as plantações ficaram a maior das belezas. O coronel passou por lá, viu aquilo — e eu não gostei da cara dele. No dia seguinte me "tocou" de suas terras como quem toca um cachorro; colheu as roças para êle e naquela casinha que eu havia feito, botou o Tótó Urumbeva.

— Mas não há uma lei que...

Zé Brasil deu uma risada. "Lei... Isso é coisa para os ricos. Para os pobres, a lei é a cadeia e se resingar um pouquinho é o chanfalho."

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