Parte 5 Zé Brasil · Capítulo 5 de 9
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Parte 5

— E se você fôsse dono das terras, aí dum sítio de dez ou vinte alqueires?

— Ah, aí tudo mudava. Se eu tivesse um sítio, fazia uma casa boa, plantava árvores de fruta, e uma horta, e até um jardinzinho como o do Giusepe. Mas como fazer casa boa, e plantar árvores, e ter horta em terra dos outros, sem garantia nenhuma? Vi isso com o coronel Tatuira. Só porque naquele ano as minhas roças estavam uma beleza, êle não resistiu à ambição e me tocou. E que mundo de terras êsse homem tem! A fazenda do Taquaral foi medida. Os engenheiros acharam mais de dois mil alqueires — e êle ainda é dono de mais duas fazendas bem grandes, lá no Oeste. E não vende nem um palmo de terra. Herdou do pai, que já havia herdado do avô. E o gôsto do coronel é dizer que vai deixar para o Tatuirinha uma fazenda maior ainda — e anda em negócios com o Mané Labrego para a compra daquele sítio da Grota Funda.

— Então não vende nem dá as terras — só arrenda?

— Isso. Também não planta nada. O que êle quer lá é rendeiro como eu fui, e são hoje mais de cem as famílias que vivem no Taquaral. Dêsse jeito, o lucro do coronel é certo. Se vem chuva de pedra, se vem geada ou ventania, êle nunca perde nada; quem perde são os rendeiros.

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