A mulher na religião
A MULHER NA RELIGIÃO "A mulher e o homem fazem um perante Deus." S. PAULO. Assim como os mais escrupulosos historiadores orientalistas fazem remontar ao sânscrito todas as línguas antigas e modernas — assim também inferem que todas as civilizações antigas e modernas emanam da civilização hindu, que dista milénios da nossa — o que dá margem á seguinte frase histórica: "Estudar a índia é o mesmo que remontar ás fontes da humanidade." Como o objetivo deste nosso estudo é precisar o papel da mulher em várias religiões, principiaremos por demonstrar que ela foi introduzida em todos os mistérios da antiguidade e que, fazendo o respectivo confronto entre os cultos antigos e modernos, se chega á conclusão de que só a Igreja romana a excluiu do seu culto. Pelo que se sabe, a história clássica da índia começa com a invasão ariana — cujo povo errante, mas relativamente superior na sua moral e intelectualidade, fundou a primeira sociedade constituída — sendo, portanto, a sua religião a primeira organizada.
Maná, conforme o 1." dos seus livros sagrados — "Rig-Veda", que conta algumas mulheres no número dos seus colaboradores, insinua que Deus se dividiu em duas partes: metade feminina e metade masculina, de cujas fracções saiu tudo o que existe na natureza. Deste princípio fundamentalmente panteista — pois se refere á energia cósmica, temos de depreender que a igualdade dos sexos — que tanto ainda apavora os antifeministes d'hoje, data da primeira civilização conhecida. No fundamento desta religião estavam de acordo as duas tradições religiosas primitivas: védica e bramânica. Nessas épocas remotíssimas só á mulher era permitido o sacerdócio da religião, o ensino do dogma e o exercício do culto. Os seus ídolos eram femininos: Aditi e Aurora — mulher do Sol c filha da atmosfera, que inspirou os mais belos cantos do "Rig-Veda" e cujas invocações, diz o erudito escritor português Marques Gomes, "eram a santificação da mulher pela crença, a sua deificação ipeio culto, a sua divinização pela poesia." ' Os árias védicos, como se vê, não recusavam aos seus deirses o sexo feminino; no seu panteon os principais deuses têm mulheres; e o sexo feminino não ora mais que o masculino, excluído das cerimónias religiosas. Com uma nova c odiosa forma cia sociedade indiana, porém, Maná, nas suas contraditórias leis, pois no seu código se encontra preceitos favoráveis ao sexo feminino, faz cair a mulher do seu pedestal, na mais baixa condição servil — e esta revolução faz recuar séculos a índia! Facto notável e curioso frisantemente consignado na história: — com o progresso da mulher, a civilização progride; com a sua decadência, a civilização recua! Nos tempos primitivos dessa misteriosa índia, as Devadassi, admittidas no culto de Brama, eram virgens postas ao serviço dos pagodes e dos templos; várias e numerosas eram as suas funções: umas mantinham o fogo sagrado, que devia estar sempre aceso, perante a imagem simbólica da Santa Trimurti: — Brama, Visnu e Civa; outras davam oráculos no santuário. Outra classe de virgens tinha a missão de entoar cânticos sagrados nas festas ou sacrifícios familiares, e a sua presença era indispensável nas cerimónias funerárias. Os reis, nas vigílias de guerra e de grandes acontecimentos, consultavam as que recebiam revelações da divindade, e seguiam religiosamente os seus oráculos. As virgens consagradas do Egipto que dançavam ante as estátuas dos deuses — como o provam as representações litúrgicas dos Faraós; as pitonisas de Delfos transmitindo da sua trípode as revelações da divindade; as sacerdotisas do culto de Ceres que davam oráculos, e 'as vestais de Poma que conservavam o fogo sagrado, são herdeiras directas das Devadassi da índia. Convém, porém, observar a divergência que existe neste sentido, visto haver duas correntes de opinião: uns atribuem á índia a mais antiga civilização, outros ao Egipto, opinando que a civilização do Egipto é a mais antiga das civilizações humanas. (1) Neste último caso talvez as sacerdotisas egípcias, por serem de civilização mais antiga, não fossem herdeiras directas das Devadassi da índia — como pensa Jacoliot, afirmando e provando que a civilização do Egipto foi ali levada pelas emigrações do Oriente, que conservaram estes costumes hindus—do que também é impossível duvidar Em face da flagrante identidade existente entre as atribuições e a missão das virgens consagradas do Egipto, e as Devadassi da índia. As do Egipto, quando desempenhavam' os seus empregos religiosos, exibiam-se nas procissões. Com o um a das figuras mais salientes da antiguidade, temos a rainha do Egipto, Nefertite, oficiando como sacerdotisa. As Devadassi da índia, em consequência de bebidas excitantes ministradas pelos sacerdotes brâmanes, eram presas de delírio, e davam oráculos no santuário — guiadas por eles, dizendo-se intermediárias da divindade, e conseguindo a bel-prazer desses sacerdotes — cuja ambição era desmedida, dominar, em proveito (1) Em fevereiro de 1925 um telegramma de Cape Town veio em auxílio deste argumento, cientificando-nos de que o professor Dart calculava que os manapes viveram há 400 ou 500 mil anos, e que a descoberta dos respectivos vestígios arqueológicos vem em apoio da teoria de que foi a Africa e não a Ásia o berço da humanidade. deles, os reis e o povo. Foi na decadência da religião de Brama que eles se fizeram exploradores. N a religião védica, a mais antiga da índia, a mulher coparticipava do culto do lar e preparava o soma, bebida sagrada para libação aos deuses. N a religião de Buda eram assinaladas a consideração e estima pelas mulheres, julgadas tão dignas como os homens, de todas as honras religiosas. Muitas faziam parte do auditório de Çakiá-
Corre mundo esta ordem do reformador religioso, 5. Coríolano, na antiga França: "Todo aquele que conversar com uma mulher, sem testemunhas, além de ser posto a pão e água, sofrerá 200 chibatadas." Foram em número considerável os santos revoltados contra o sexo que tinha a desventura da sua natural sedução — rebaixando-o e infamando-o em todo o sentido. Seria fastidioso enumerá-los, e nem isso hoje se toma a sério. Esta repugnância, que os santos mais famigerados manifestavam pela mulher, estava certamente na proporção directa da fatigante dificuldade excitada pela absurda proibição do amor, imposta pela Igreja — que se denomina representante de Cristo — desse adorável Cristo que era o próprio amor, mentindo e deturpando, desta forma, a sua doce moral — essa moral a todos os respeitos sublime e cujos grandiosos ensinamentos vieram preencher o vácuo imenso e insondável da sedenta alma humana. Estamos ao lado dos historiadores que acham a lei do celibato sacerdotal uma ignominiosa afronta á nobreza da mulher, rebaixando a dignidade do casamento. (1) \\) Diz-nos a história pela pena de Sabatier, que na Idade-Média o culto dos panegirista> pela mulher era tal, que o século XIII foi caracterizado pela revolução dos padres contra a proibiçíio do casamento—que aliás o Evangelho autorizara na primeira epístola de S. Paulo a S. Timóteo. Na cidade de Praga, em meaJos de 1923 foi organizada uma nova seita religiosa denominada: "Neo-Catolicismo" cujo Comité, incumbido de formular as respe-
Abstemo-nos de dar o preciso relevo á inutilidade de uma lei — que ao proibir a união lícita estabelece a ilícita. Não obstante o progresso do século X X, existem verdadeiras imitações desses santos misóginos, impróprias da nossa época, entre as quais se salienta o interessante facto que a grande guerra, de envolta com outras surpresas, nos desvendou. Quem faz a espirituosa narrativa é o correspondente de guerra do "Petit Journal", Albert Lonares — mais ou menos da seguinte forma: Quando duzentos soldados franceses e russos, partindo de Salonica, (não se sabe com que destino), chegaram ao monte Athos — que levanta os seus rochosos píncaros na ponta extrema da península do mar Egeu, ali encontraram monges ortodoxos, russos, búlgaros, sérvios e gregos que, completamente divorciados do mundo, vivem, respectivamente, nos seus conventos disseminados por barrancos, rochedos, sob cascatas, e os quais foram em bandos, muito surpreendidos, ao encontro dos soldados que, ao verem centenas de homens desasseados, mal vestidos, no mais repugnante descuido de si mesmos — e mais poilus que eles próprios, empalideceram! Há ali naquele ermo seis mil homens que vivem na prece, da meia noite ás 6 horas, e até ás 8 em dias de festa; que dormem em seguida até ao meio-dia e trabalham do meio-dia ás 4, depois rezam, ctivas bases, estipulou, como princípios mais importantes: — o matrimónio facultativo para os sacerdotes, e a supressão da obrigatoriedade da confissão. comem azeitonas e tornam a dormir. Seis mil homens que nada admitem no seu principado que não pertença ao sexo masculino. Dali estão banidos todos os animais femininos; (até estranhamos que eles comam azeitonas — que pertencem ao género feminino...) com gesto de desprezo arremessam ao mar os peixes que têm ovas, e poucas preces dirigem á Virgem Maria... (1) Diz o referido cronista: "No meio da multiplicação dos monges, os soldados de Sanai! passaram, abrindo olhos espantados! Estavam fartos de aventuras desta guerra estranha, tinham visto os Dardanelos, a Servia, o campo de Salonica, os montes de Athenas; apesar de tudo, esses monges cabeludos, esses entes originais, os surpreenderam. Depois da trincheira, a cela do convento; estava escrito que o poilu do Oriente devia conhecer tudo!" E nós acrescentamos: é até onde pôde chegar a degenerescência humana! Estes misóginos obstinados do nosso tempo são, relativamente, mil vezes mais retrógrados — pois recuam, não somente aos primeiros séculos da nossa éra, como a épocas anteriores a Cristo o que é simplesmente imperdoável, de parceria com santos e antigos sábios que igualmente se celebrizaram: os primeiros, no seu ridículo ódio á mulher — os segundos, na inferioridade em que a colocavam. O rosário de absurdos desfiado por (1) Em 1927, um jornal norte-americano, referindo-se a esta célebre comunidade, dizia constar-lhe que o ex-presidente Pangalos legislara a revogação dos estatutos da ordem. grandes vultos da antiguidade e pelos santos, chega a causar nojo! que esses filósofos á altura da sua época se quizessem notabilizar em tão baixos conceitos,, Vade! Mas os santos... perderam inteiramente, para com o sexo feminino, tão contraditória denominação. Temos, entretanto, no seio do catolicismo excepções muito honrosas para o feminismo. O abade Naudet deu-nos a seguinte definição: "O feminismo é uma doutrina que reivindica: no Código, certos direitos, desconhecidos pelas leis; na sociedade, um lugar justo c legítimo, recusado pelos costumes." M. Joset, director da Ação Católica de Bruxellas, define: "O feminismo é o conjunto de doutrinas e aspirações que visam o melhoramento da condição social da mulher." No século XVIII, Fénelon, o ilustre arcebispo de Cambrai, vendo a oposição do masculinismo contra o movimento feminista da época, louva a mullher que procura pensar por si própria — convicto como estava de que o desabrochar da alma feminina para uma vida consciente trazia para a humanidade tudo quanto é bello, útil e elevado. Animava as mulheres a pensar visto que não tem valor o acto realizado sem o pensamento livre. Destas teorias dimanaram óptimos resultados e as mulheres souberam libertar-se da prisão em que desde longo tempo as suas faculdades de inteligência se achavam comprimidas e neutralizadas. Da atualidade é ainda o gesto eloquente de D. José Pereira Alves, Bispo de Niterói (Bra- sil), manifestado no discurso que S. Exa. proferiu ao entregar ás alunas da Escola Feminina de Comércio, de Natal •— capital do Estado do Rio Grande do Norte — os respectivos diplomas, e do qual extraímos este significativo trecho: "A Igreja abençoa tanto a mulher que trabalha, para viver honradamente, no escritório comercial, como dactilógrafa ou contabilista, ou no exercício das profissões liberais, ou desempenhando funções administrativas — como a que vai purificar as urnas, com a sua fé intencional, c participar da vida pública do País". Entre as excepções a que já aludimos, achase S. Jerónimo — que viveu entre os séculos IV e V; era feminista, advogava a igualdade dos sexos, opinando que ambos deviam ser submetidos aos mesmos deveres. Santo Agostinho, que também pertence aos séculos IV e V, exprobrou a lei Vaconia. que, sensendo feita somente no interesse dos homens, aviltava as mulheres; e insinuou, convicto, que elas eram iguais aos homens. 5. Gregório 1.°, o Grande, (540 a 604), reconhecia a necessidade da boa educação das mulheres, colocava-a acima da dos homens afirmando que os defeitos humanos resultam quasi sempre de uma má direcção materna. U m teólogo da Idade-Media, 5. Tomás, queria a mulher igual ao homem: interpretando a parte do Génesis relativa á criação de Eva, conclui que Deus a criara de uma costela do homem, isto é, do lado, e não dos pés ou da cabeça, para insinuar que ela lhe não devia ser superior nem inferior, presidindo, evidentemente, ao acto, a preocupação da igualdade dos sexos. Logo, também Deus é feminista. Consequentemente o feminismo é tão antigo como o mundo! Ora, sendo feministas Deus e Cristo, qual seria a razão que levou a Igreja romana a fazer-lhe tão sistemática oposição? Entretanto: Deus é superior á Igreja — e não a Igreja superior a Deus. É oportuno esclarecer neste ponto o seguinte facto: o Catolicismo, conquanto não seja feminista, tem o culto da Mulher — verdade perfeitamente reconhecida no culto de Maria, e das santas; mas a política da respectiva Igreja tem usado de processos contraditórios neste sentido: — ora atraindo a mulher, ora hostilizando-a, conforme a oportunidade que impele a tal flutuação. Dos exemplos acima expostos se deduz que os católicos que hoje condenam e ridicularizam o feminismo — (porque os há...) são católicos ultraintolerantes, o que quer dizer retrógrados, visto que católicos insuspeitos o amparam e acham justo, colocando-se até á frente de tão simpático movimento. V Em a propósito salientar este flagrante facto: quando o feminismo se manifestava apenas por teorias e exigências que ao masculinismo pareciam absurdas e irrealizáveis, não era somente ridicularizado e combatido por antifeministas leigos — era-o 'também sempre, e principalmente, pelo clero em geral, que de forma alguma admitia o progresso feminino, a sua independência, a igualddade dos sexos, em suma, nos seus direitos civis e políticos. Hoje, porém, que as aspirações femininas se vão realizando em toda a parte, uns e outros remetem-se ao silencio imposto pela realidade á qual têm, fatalmente, de se submeter. E agora á medida que a onda do progresso feminista sobe até penetrar na Igreja e até nos meios menos avançados, a agressão masculina a esse progresso... desce. Demais, levantar voz antifeminista, hoje que as mulheres em todos os países progressistas já ocupam todas as posições masculinas, sendo colocadas em todos os postos administrativos e tendo até já conseguido importantes direitos civis e políticos, é o mesmo que abusar impunemente do acanhamento do meio ambiente — com relação ao progrseso feminista que, não obstante a reprovação sistemática de todos os retardatários, vai transpondo todas as barreiras, rompendo todas as peias até atingir a sua vitória completa: a igualdade dos sexos Em todos os seus direitos. Em maio de 1904 efectuava-se em Paris um Congresso feminista por iniciativa do Feminismo Cristão que realizava as suas sessões no Instituto Católico, sob a presidência do seu reitor. Vemos, por consequência, que o feminismo não tem, como é natural, uma determinada religião, está em todas. Pela nossa parte advogamos calorosamente o Cristianismo do Cristo, não o de muitas individualidades. Somos entusiasta pela racionalíssima moral do atraente Nazareno, e somos espiritualista: julgamos que a crença em Deus é uma necessidade imprescindível para a nossa quimérica felicidade. O mistério que em volta do fenómeno da vida em tudo respira, e o restricto alcance da nossa mentalidade, que não pode admitir o efeito sem causa, a isso nos impelirá eternamente. A certeza da morte — desse fenómeno fatal da vida, cria em nossa alma a pessoa intangível de Deus — que nela solidifica os alicerces do seu trono ideal. Além disto, em religião como em todos os assuntos que nos prendem á vida, somos intransigente partidária do ecletismo. Aproximamo-nos das teorias de Montaigne. Consequentemente temos a seguinte opinião: — para que a mulher seja verdadeiramente reabilitada, deve apoiar-se, na rápida e acidentada travessia da existência, ao bordão do espiritualismo mais são e racional que se lhe apresente — que a sua razão aceite, pois é inadmissível uma religião imposta. Entendemos que a única religião que se impõe, é a religião do bem, e a do dever cumprido, incumbindo a todos os membros da sociedade humana a obrigação de a professar e de a pratiticar; a religião mais digna de ser aceita é a que fala á nossa alma, dizendo suave e convincentemente: Segue-me pelo coração. Nós extraímos de todas as que conhecemos a melhor parte moral e racional, e formamos assim a nossa religião no íntimo da alma — pois que, em tese, o alvo de todas é sempre o mesmo Deus. Não há dúvida que em todas as variadas instituições antigas surgem, á luz da nossa época, pontos evidentemente anacrónicos.
Umantifeminista notável, M. Joran, autor do livro "Mensonge úu Féminisme", observa: "O que me inquieta na agitação feminista é que esta cruzada é pregada, não em nome de Deus, mas em nome da razão... "Objecta-lhe a distinta escritora francesa, Claire Galichon: "Se o Deus dos antifeministas não suporta o exame da razão, não será um ídolo quimérico? O Deus do espiritualismo suporta o exame da razão e e por isso que o feminismo espiritualista se apoia ao mesmo tempo na razão e em Deus." O bom tempo antigo era pródigo em santos e santas; a época moderna — em confronto com a antiga, substituíu-os por heroínas e heróis — que aliás sempre houve, com uma notável diferença entre uns e outros: — naqueles a abnegação e o martírio fundavam-se na espectativa de uma eterna recompensa, o que hoje é tachado de egoísmo; e nestes, martírio e abnegação têm por alvo o amor á sciencia — á humanidade, que aufere os saborosos frutos do belo progresso advindo da moderna civilização, e desse gêneroso sentimento que nos enaltece e que conhecemos pelo nome de altruísmo. Aos mártires da Igreja era-ihes por ela imposta, em troca de uma eternidade de gozos, uma abenegação superior ás forças humanas; deviam renunciar aos próprios dons com que o autor da natureza os presenteara; como se Deus afagasse o capricho de apreciar o doloroso espectáculo de Tântalo: tentar-nos com a exposição apetecível de tudo quanto de bom e de belo nos deu, para go- zar com a nossa tortura de nem sequer nos permitir a respectiva aproximação. Voltemos, porém, ao ponto principal; — é amargo para o feminismo cristão reconhecer que o desprezo da mulher — como o afirmam todos os historiadores conscienciosos, viesse do Cristianismo — dolorosa contradição devida a padres e teólogos de todos os tempos, q>ue, aviltando o sexo da Mãe do Crucificado, apresentavam a mulher como única oausa de todos os flagelos e, pungente ironia, era, por consequência, em nome do Cristo — em quem admiramos não só o primeiro feminista do mundo, mas o mais intransigente protector do sexo ultrajado, que a Igreja romana pôs em dúvida a existência dia alma feminina! Os santos que mais vilipendiaram o sexo contrário pertencem á época em que a Igreja alimentou tal dúvida. Clamaroso contraste: — muitas mulheres renunciaram ao mundo e sacrificaram a existência em holocauto ás imposições dogmáticas e em troca das promessas de um gozo eterno com que essa mesma Igreja lhes acenava tentadoramente para lhes salvar a alma — que ela própria lhes negara! Contam-nos todos os historiadores insuspeitos que num célebre concílio do século VI da nossa era, depois de se discutir muito seriamente se a mulher teria alma... (cúmulo do obscurantismo!) a Igreja se pronunciou, afinal, afirmativamente! Para os não citarmos todos, damos a palavra ao distinto escritor português, Carlos de Melo: "No concílio provincial de Macon, em 581, renovou-se a tese se a mulher deveria ser incluída entre o res racionais ou entre os brutos. U m bispo chegou a preguntar se a mulher tinha alma, se fazia parte da humanidade, se se lhe poderia chamar homo?! Este concílio acabou por ordenar aos padres que evitassem a sociedade das mulheres — até mesmo a das próprias parentas! O concílio de Metz, em 888 confirmou estas disposições." Continua o citado cronista: "O concílio de Toledo permitia e autorizava, no século IV, que o marido amarrasse em casa a mulher que pecasse, e a maltratasse, contanto que lhe não pusesse a vida em perigo." Recorrendose a alguns cronistas vê-se que em tempos remotos também a mulher foi reduzida á revoltante humilhação de ser presa com um cadeado na ausência do marido!... Realmente, comparada a época desse ignominioso cadeado com a atual... o progresso feminino depara-se-nos simplesmente assombroso! Há poucos anos que a imprensa nos informou de que o Código Civil de uma República sulamericana fora modificado quanto ao direito que dava ao marido de assassinar a esposa em flagrante de adultério •— como sendo, claro, propriedade sua! Não ha dúvida — tal modificação já foi um progresso!... Uma pregunta se impõe aos partidários de tão justas teorias sustentadas por santos e quejandos inimigos da mulher: — como se concebe que, proclamando com tanto ardor a segregação da mulher, do seu convívio, aceitassem e exer- cessem, (e exerçam ainda), o contacto feminino na confissão auricular? Em conclusão: a Igreja não só nos negou a alma, mas até o fazermos parte da humanidade! Para os muçulmanos, de acordo com as leis do Alcorão, também só o homem tem alma, e portanto só êle espera o eterno prémio das suas acções no paraíso de Mahomct — onde gozará todos os prazeres dos sentidos entre as belas huris. Ao passo que o Alcorão concede a existência da alma só ao homem, relega a mulher para a categoria dos irracionaes. d> E não devemos estranhar tais belezas st atentarmos Em que as leis elaboradas entre nós, conquanto não sejam muçulmanas, e apesar de serem promulgadas em países que se dizem civilizados, estabelecem uma moral de dois pesos e duas medidas: uns para o sexo masculino, outros para o feminino... É de justiça, entretanto, registar que a Igreja romana dá ás vezes um ar de sita gtpça... ao feminismo. Em 1908 o Congresso Católico Alemão consagrou uma das suas sessões ao papel da mulher na sociedade moderna como sendo uma das grandes questões da atualidade, — assunto amplamente desenvolvido em sessão plena, pelo Dr. Zahn, professor da Universidade de Stras— burgo, para esse fim convidado pela mesa do Congresso. Em 1920 a imprensa comunicou que o papa Benedito XV concedeu uma audiência particular a Mme. Adelaide Sanza, conhecida propia- (1) Os Rabinos também recusaram a alma á mulher hebreia por achá-la um ser impuro e inferior... gandista do sufrágio feminino na Republica Argentina, o que revela no extinto chefe supremo da Igreja um espirito moderno e esclarecido. Nada, porém, perdeu a mulher, civilmente, com o ostracismo a que a Igreja a votou; na Idade-Média — exactamente quando o Cristianismo se espalhou por todos os países civilizados, além de ser inspiradora de todas as virtudes no liris- m o dos trovadores, ela foi entusiasticamente cultuada pela sua beleza e pelos seus predicados; (mas a cujo culto seria preferível uma educação que a fizesse evolver, em vez de a deter estacionária em frivolidades romanescas...) É oportuno frisar que a Igreja protestante se mostra mais feminista — e isto concebe-se pelo facto de ser mais moderna. Com o se sabe, foi em princípios do século XVI que a Reforma separou da Igreja romana uma grande parte da Europa setentrional. As prerogativas que a respectiva religião concede á mulher, estão de perfeito acordo com a liberdade que brilha em várias teorias e diversos ramos da sua doutrina; pelo que, em confronto com a Igreja romana, se nos patenteia mais progressista. N a eleição dos seus ministros, presbíteros e diáconos, a mulher tem o direito de voto, a carreira eclesiástica é-lhe permitida. Entre as muitas mulheres que têm sido nomeadas pastores da Igreja protestante, lembram-nos Mrs. Constabre na Igreja congrenanista de Sheffield; a Reverenda Margaret Cook prega nas igrejas unitarianas; Miss. Marta Stcinewick, depois de concluídos os seus estudos na Universidade teo- lógica, conquistou o lugar de vigário da Igreja de Cristiania. (1) Segundo uma notícia publicada no ano corrente, as primeiras mulheres que receberam o grau de ministras-apostólicas no seminário de Oxford, na Inglaterra, são dez. A primeira mulher-sacerdote nomeada co-tpastor d'a Igreja Batista foi Mrs. Constance Coltman — juntamente com seu marido. (2) Na seita metodista, que é de uma moral rigorosa, as mulheres podem exercer a função de ministros. No casamento, a religião protestante dá aos dois cônjuges os mesmos direitos, e deveres igualmente rigorosos; em caso de infidelidade conjugal tão disciplinado é o marido como a esposa. Entre, porém, certos pontos de contacto que existem nas duas religiões — romana e protestante, um se salienta inegavelmente deprimente para o sexo feminino, o que prova até que ponto está arraigada a sua tradicional sujeição á humanidade... masculina; assim, no casamento protestante como no católico romano, o homem promete (1 Em algumas localidades da lnd
Schopenhauer julga o contrário: acha as mulheres crianças grandes. E não está só, neste seu julgamento. O primeiro que teve esta luminosa idea, foi Chamford; o segundo foi Rivarol, o terceiro é êle. E é por isso que estamos reduzidas, desde épocas imemoriais, a essa inferioridade sancionada no Sincdrim conservador dos antifeministas... Impôs Deus, portanto, á mulher, como condição sine qua non da felicidade conjugal, a obediência ao marido. A isto objecta Claire Galichon: "Logo, onde ha serva não ha esposa, e se não ha esposa não há casamento. Consequência: o casamento é uma instituição social e não divina. O que é divino é o amor. O pacto laico ou religioso é simplesmente humano. Impondo as leis obediência á mulher, com relação ao marido, protegem o homem contra a mulher e não a mulher contra o homem". Consideram-na, portanto, um ser hostil a seu marido e tratam-na como fera encarcerando-a na jaula da obediência ao homem! No antigo Egipto era o contrário, os maridos juravam obediência a suas esposas. O historiador grego Deodoro da Sicília conta que as mulheres eram mais importantes na escala social do Egipto do que os homens, e que eram elas quem determinava as cláusulas do casamento. Mas, analisemos a contraditória filosofia de tais leis. — Legislando tal obediência, tornam a mulher irresponsável; entretanto: se ela comete uma falta — é chamada á responsabilidade pela sociedade, — se comete um crime, pois que tem sido igual ao homem somente perante o Código Penal, é chamada pelas mesmas leis que a irresponsabilizaram! Inaudita incoerência! U m dos característicos da sujeição feminina, a que as mulheres, em geral, ligam capital importância — talvez por ser dele portador o casamento, é o adoptarem quando casam, o nome do marido, preterindo o seu. Pela nossa parte, se a nossa opinião tivesse algum valor, aconselharíamos a mutualidade do nome; ao mesmo tempo que provava a igualdade dos sexos, simbolizava a devida e imprescindível reciprocidade no amor conjugal. É humilhante para uma mulher que tenha um nome pomposo na sociedade, usar, em vez do seu o nome do esposo — pelo qual é unicamente conhecida. Há historiógrafos que afirmam ter este costume começado com os antigos romanos, nos tempos áureos do Império, em que a mulher acrescentava ao seu prenome o do marido; por exemplo: a Júlia mulher de Octávio e Octávio mulher de Cícero, chamavam-nas os romanos — Júlia de Octávio, Octávia de Cícero. Nos séculos XVI e XVII caiu este uso. No reinado de Isabel de Inglaterra, diz Smith, os tribunais britânicos decidiram que a mulher perdesse com o casamento o seu apelido anterior e recebesse em virtude da lei o de seu esposo. Sendo a indissolubilidade do casamento uma conquista da civilização, vem daí todos os códigos adoptarem, nas suas disposições, o costume da mulher usar o apelido do marido.
No atual Código Civil russo o seu Art. 4." diz: "As pessoas unidas pelo casamento escolherão livremente o nome a adoptar, se o do marido, o da mulher ou os dois combinados. Pelo estabelecimento da absoluta igualdade civil e política entre os dois sexos, tanto o homem como a mulher podem deliberar qual o nome a ser usado pelo casal. Tratando-se dos filhos de casais divorciados, eles usarão indiferentemente o nome do pai ou da mãe. Em caso de luta o Tribunal decidirá." Santo Agostinho cita uma passagem de Varrão afirmando que na primitiva Atenas as crianças usavam somente o nome de suas mães. No antigo Egipto, provavelmente em consequência da existência do primitivo sistema de filiação materna, que ali se conservou até aos Ptolomeus, os actos públicos só mencionavam, na maior parte das vezes, o nome da mãe; e quando o nome do marido estava junto ao da esposa — era muitas vezes precedido do da mãe desse marido. A humilhação legal da mulher casada, que se dá relativamente á perda do seu nome, dá-se com a perda da sua nacionalidade. N a legislação de quási todos os países a mulher, pelo facto de casar com estrangeiro, perde a sua nacionalidade, sem ganhar a do marido: fica sem pátria! Consta-nos que na Espanha, Vencsueta, Nova Zelândia. e alguns Estados australianos, a mulher casada conserva, por lei, a sua nacionalidade. O Art. 5.° do Código Civil russo, diz: É facultado aos cônjuges guardar cada um seu domi- cílio e sua nacionalidade. Se os pais são de nacionalidades diferentes e disputam sobre a do filho, será este considerado russo até á maioridade — então êle escolherá livremente." Aqui no Brasil, em 1923, foi no Senado ventilado o assunto, e cremos que ficou decidido dever-se conceder á mulher casada com brasileiro, que ela escolha entre a sua e a pátria do marido. Tão nula os legisladores têm considerado a individualidade feminina, que não têm trepidado em feri-la nos seus mais nobres direitos sociais. Vimos a este respeito, em uma revista feminista, mais ou menos a seguinte lógica conclusão: "A lei que obriga a mulher casada a perder a sua pátria, torna-a suspeita em ambas as pátrias enl tempo de hostilidades: na dela-que siga o patriotismo do marido, na dele—que ela seja mais leal á sua" — o que aliás é natural. Já no Congresso feminista realizado em Paris em 1900, foi o facto calorosamente discutido, pois representa um dos mais delicados problemas da atualidade que exigem solução favorável á mulher. Os congressistas acabaram por concluir que ela pode conservar a sua nacionalidade — salvo se pedir o contrário. Vejamos o que a tal respeito se passa no Continente americano. — Nos Estados-Unidos da Norte-America, pela lei de 1922 é dada á mulher casada nacionalidade autónoma. A mulher estrangeira casada com americano pode adquirir — se assim o desejar — a nacionalidade do marido, bastando para isso residir nesse país um ano; a americana casada com estrangeiro conserva a sua cidadania, querendo. No Equador a lei respectiva é liberalíssima: a mulher casada com estrangeiro pode adoptar a pátria que quizer. Não sabemos o que a lei formula relativamente á mulher estrangeira casada com equatoriano. No Uruguai, tanto a nacionalidade da mulher como a do homem, é a do seu país de origem — seja qual fôr o seu estado civil. No Chile é a lei simplesmente odiosa para o isexo feminino... estrangeiro: " A mulher estrangeira que casa com chileno não adquire a nacionalidade do marido. A mulher chilena que casa com estrangeiro não perde a sua cidadania!" (1) (1) Em março do ano corrente (1930), realizou-se em Haya um comício feminino promovido pela "Aliança Internacional pelo Sufrágio Feminino". A presidenta foi a advogada escocesa Chrysfa' Alaemi!,- lan — oradoras: a deputada alemã Atsibeth Lurders, a filandesa Annie Furnhjelm, a Sra. Majid Wood Park — presidente da "Liga Nacional de Mulheres Eleitoras" dos Estados Unidos; a deputada holandesa Betzy Baker Nortli; a princesa Cantacuzena -- intendente municipal da capital rumena, e a advogada! e leader francesa Marie Verona. Sustentaram as oradoras perante as delegadas á Conferência da Codificação do Direito Internacional Privado da Sociedade das Nações, a debatida tese: "Á mulher, casada ou solteira, deve assistir o mes- m o direito que ao homem, de conservar ou mudar a sua nacionalidade." Nada mais justo. Baseada na mesma aspiração se havia manifestado, oportunamente, a comissão inter-americana de mulheres, sendo autora da proposta enviada á referida Conferência, a representante brasileira Sra. Flora d'Oliveira Lima.
A delicada questão está afecta á Sociedade das Nações — para resolver sobre o assunto. E nós concluímos de tais leis que a mulher, para ganhar o casamento, perde o nome e a pátria. Por que preço lhe fica o marido! N a obrigatoriedade da obediência feminina estão, pois, de perfeito acordo as religiões — protestante e romana. U m dos pontos em que divergem, é o que se refere á Mãe de Cristo. A Igreja romana, que por intermédio dos seus maiores santos tanto tem depreciado o sexo feminino, — flagrante contradição! tem a maior das idolatrias pela Mãe do imortal Nazareno, que representa o sexo vilipendiado; ao passo que a Igreja protestante — que tanto dignifica este sexo, considera- a um ente bemaventurado, sim, mas o pedestal em que a coloca não tem a superioridade e significação morais daquele em que a coloca a Igreja romana, d> (1) Com o nos referimos ao Protestantismo, apioveitamos a oportunidade para a seguinte narrativa.—Perguntando nós a um digno ministro protestante a razão da ausência da cruz na sua Igreja, desse símbolo indestrutível da fé, que tão querido e adorado é de todos os outros cristãos, deu-nos esta interessante resposta, em forma de pregunta: "Se um bandido nos arrebatasse por meio do punhal, a vida de um ente querido, adoraríamos esse punhal?"
Onde a mulher conservou uma sujeição revoltante, foi na Japão e na China: solteira, obedecia ao pai, casada, ao marido e viúva, ao filho — que assim o impunha Confúcio. Mas, realmente, o facto não nos deve surpreender: não é mais ou menos isto, o que se tem observado entre os povos civilizados? Como por toda a parte, porém, irrompe o clamor das mulheres pedindo liberdade e justiça, na China e no Japão já há muito existem jornais feministas fundados por mulheres que pedem concessões a seus governos. As mulheres da Rússia Oriental, muito antes da guerra, mandaram um requerimento á Duma pedindo protecção contra o despotismo de seus maridos. Na Indta e no Egipto o mesmo movimento feminista libertador. Não conhecemos em obra de arte, uma imagem de mulher que melhor exprima a ignominiosa servidão em que Cristo a veio encontrar, do que uma gravura que reproduz um grupo em mármore existente no Vaticano, intitulada: "Jesus abençoando a mulher". Quanto á expressão fisionómica do Cristo, temos visto várias que, como esta, correspondem mais ou menos á que nossa alma contemplativa nos retrata; mas a expressão impressionista da mulher que êle abençoa — e que simboliza o sexo oprimido, é de uma flagrância única! O artista que materializou tão magnificamente a idea da antiga situação feminina, além de ser um artista perfeito e consciencioso, soube traduzir magistralmente para o mármore em que subscreveu esta imortal página artística, a sua concepção inspirada no amor á verdade e á libertação do sexo escravizado. Ninguém pode negar, em face da história, que a doce imagem do Cristo ficou para sempre ligada á angustiosa imagem da Mulher. Como já dissemos, somos extremamente entusiasta por este iluminado vulto que tão profundamente se insinuou na alma feminina! Empolga-nos um ve/dadeiro assombro ao meditar na convicção com que as multidões submetiam á sua sentenciosa apreciação os mais graves problemas da vida — como se nas suas mãos se concentrassem os poderes de um governante, de uni legislador, quando era apenas um adorável reformador idealista! É que jesus falava-lhes á alma! É que o amorável Nazareno, para escrever essas inapagáveis páginas de amor na história da humanidade, embebia a pena no próprio coração. Apraz á nossa alma ávida de tudo quanto é grande, de tudo quanto é belo, que Cristo, cuja imagem — ao mesmo tempo antiga e eternamente nova, perpassa inigualável pela nossa mente sonhadora, invôlta na luminosa visão da mais encantadora moral, seja o inovador extraordinário e excelso, o revolucionário incomparavelmente sublime que veio ensinar-nos a dar a vida pelos mais nobres ideais — sendo ao mesmo tempo o mais arrebatador e inconfundível símbolo da indulgência e do amor. Não pode o sexo feminino esquecer que o meigo Nazareno transformou a condição social da Mulher, realizando o empolgante milagre de arrancá-la ao repugnante lodaçal em que ela se submergia, incutindo-lhe na alma entorpecida, com a inigualável unção da sua palavra, coragem e amor — que a colocaram ao nível da belíssima moral que lhe dava direito á consideração da Humanidade. Foi por isso que o Cristianismo incipiente teve uma enorme influência na sorte das mulheres, que chegaram a gozar as honras de diaconisas — oficiando, pregando e dando a comunhão. Eram as grandes sacerdotisas do Cristo. Entretanto, a sua exclusão do culto, pelo dogmatismo romano •— estranha contradição, veio mais tarde com o Cristianismo! E o singular reformador, proclamando a igualdade das almas, insinuava a dos sexos, transmitindo-nos através dos séculos este preceito encantador: "Todos somos irmãos" — isto é, todos somos iguais. Não o têm, porém, assim entendido as nossas leis porque... são feitas pelos homens.