Minha filha
Minha filha, instada para consentir na reimpressão destes conselhos, que há três anos te ofereci, sem nada mudar da simplicidade de seu estilo, eu quis ajuntar a eles os quarenta pensamentos, que, te sendo por mim igualmente dedicados, te farão, pelo numero, pensar naquelle periodo de minha vida, em que tanto me tens ouvido falar, almejando attingil-o na esperança de contemplar-te então um modelo das virtudes que me hei esforçado sempre por inspirar-te.
12 DE JANEIRO DE 1842. Eis o primeiro dia do ano para mim! Ele me recorda, no luto mesmo de meu coração, o nascimento de meus queridos filhos, e faz-me sentir a doce consolação de suas inocentes caricias, ventura preciosa, e digna de ser preferida a todas as venturas! É pois hoje teu aniversário, minha querida filha. Doze anos completas hoje mesmo às 9 horas da noite, hora, em que também veio ao mundo tua mãe! Que te oferecerei neste dia, que mais digno seja de ti, e de minha ternura? alguma linda alfaia somente? não; pois ela te não falará de tua mãe, nem te servirá mais que de um passageiro adorno, cujo luxo tenho-te ensinado a desprezar. Aceita portanto minha terna filha, o singelo presente destes Conselhos que, há pouco mais de um mês, escrevi para ti; eles poder-te-ão ser mais úteis que esses loucos enfeites da moda, se, como eu me lisonjeio, tu fizeres bom uso deles. Tua sensível mãe, tua melhor amiga: N. F. B. A.