A Primeira Alma Fiobhos · Capítulo 2 de 8
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A Primeira Alma

Fi­obhos abriu os olhos e olhou ao re­dor, to­dos já ti­nham se le­van­ta­do, en­tão po­de­ria sair de sua cama. Co­lo­cou os dois pés no chão de uma vez e res­pi­rou fun­do, era o dia que não gos­ta­va de lem­brar. Ou me­lhor, o dia que no­me­a­ram como seu. Como bom ha­bi­tan­te da co­lô­nia, ti­nha cer­te­za que aque­le não era o real dia de seu nas­ci­men­to. Es­ti­can­do os bra­ços, le­van­tou-se e ca­mi­nhou até a ba­cia de água, en­ca­ran­do seu re­fle­xo na mes­ma por um tem­po, seus ca­be­los bran­cos já não lhe in­co­mo­da­vam mais, mas suas iri­ses fi­ca­vam cada vez mais opa­cas e pon­tos bran-cos sal­pi­ca­vam as pon­tas, os mé­di­cos di­zi­am que era al­gum tipo de ce­guei­ra, mas ele en­xer­ga­va me­lhor que nun­ca.

Mer­gu­lhou as mãos na água e as le­vou ao ros­to, se­can­do em se­gui­da. Vall apa­re­ceu ao seu lado, lhe ba­ten-do nas cos­tas.

— Hoje é seu dia, meu ami­go! — ele deu de om-bros. — Oras, não fi­que as­sim. Seu pre­sen­te é uma bata-lha im­por­tan­te con­tra Imir. Está pron­to?

— Só pre­ci­so me ves­tir. — apon­tou para o cor­po nu.

— Esta sua ma­nia ga­ran­te que te­nha um tem­po a mais

na cama. To­dos se le­van­tam mais cedo para não o ver sem rou­pas.

— Um ban­do de to­los! To­ma­mos ba­nho na mes­ma área, que di­fe­ren­ça faz como me dei­to? — ves­tiu a ca­mi­sa, a cal­ça e sen­tou-se para cal­çar as bo­tas. — Não dis­se a mais nin­guém que dia é hoje, não é?

Vall ba­lan­çou a ca­be­ça em ne­ga­ti­va. Os ami­gos sa­bi­am que as da­tas men­ci­o­na­das como ani­ver­sá­rio dos in­ter­nos di­zi­am res­pei­to ao dia em que fo­ram dei­xa­dos lá e não ao dia de seu nas­ci­men­to, que era in­cer­to para a mai­o­ria.

— Não há ra­zão para tal, só va­mos co­me­mo­rar por­que vai dar uma sur­ra em Imir.

— Ele é três ve­zes mai­or que eu. — Fi­obhos sor­riu, se le­van­tan­do.

— E des­de quan­do isso im­por­ta para de­fi­nir suas ba­ta­lhas? — o ami­go co­lo­cou a mão so­bre seus om­bros e sa­í­ram do alo­ja­men­to para a noi­te sem nu­vens, te­ri­am pou­co tem­po para o des­je­jum.

As ba­ta­lhas eram even­to co­mum na co­lô­nia, era as­sim que os trei­na­do­res es­co­lhi­am seus alu­nos. O ro­dí­zio era cons­tan­te, caso não ven­ces­se a ba­ta­lha, o alu­no fi­ca­va uma se­ma­na com seu mes­tre e se a ven­ces­se po­de­ria ser re­que­ri­do por um mes­tre su­pe­ri­or.

No pri­mei­ro dia da se­ma­na, por sor­teio, era in­di­ca­do no pai­nel as lu­tas e no úl­ti­mo dia os ca­va­lei­ros anun­ci­a­vam seus alu­nos da pró­xi­ma se­ma­na.

Fi­obhos e Imir se en­fren­ta­ri­am na úl­ti­ma ba­ta­lha da se­ma­na, e to­dos co­men­ta­vam so­bre o pos­sí­vel re­sul­ta­do des­de que seus no­mes fo­ram lan­ça­dos. Fi­obhos co­meu de­pres­sa e ape­nas uma quan­ti­da­de que o fi­zes­se fi­car de pé.

A are­na es­ta­va lo­ta­da pe­los in­ter­nos e a par­te re­ser­va­da aos mes­tres ca­va­lei­ros tam­bém, após a ba­ta­lha anun­ci­a­ri­am seus alu­nos da se­ma­na. Fi­obhos re­pa­rou na pre­sen­ça de um ca­va­lei­ro di­fe­ren­te, mas não se pre­o­cu­pou mui­to, eles iam e vi­nham em uma fre­quên­cia in­fa­me.

Imir o es­pe­ra­va no cen­tro da are­na, eles se cum­pri­men­ta­ram e se co­lo­ca­ram em po­si­ção. Quan­do o sino to­cou, o si­lên­cio se ou­viu, nin­guém se mo­via, es­pe­ran­do o pri­mei­ro ata­que. Fi­obhos es­tu­da­va o opo­nen­te e men­ta-li­za­va seus pon­tos fra­cos. Imir era alto e for­te, dois anos mais ve­lho que ele e três graus aci­ma do seu, isso era mal para ele, mas suas per­nas eram um pon­to des­pro­te­gi­do, as­sim como seu pes­co­ço e de­vi­do ao peso para man­ter a for­ça, ele era mais len­to e se re­cu­pe­ra­va de um fe­ri­men­to so­bre o olho que pre­ju­di­ca­va um pou­co a vi­são. Sor­riu, a ha­bi­li­da­de de es­tu­dar o opo­nen­te em se­gun­dos era sua prin­ci­pal cau­sa de vi­tó­ri­as.

Imir veio em sua di­re­ção e ele es­pe­rou pa­ra­do. Os ca­va­lei­ros mes­tres se le­van­ta­ram cu­ri­o­sos pela ba­ta­lha, quan­to mais o opo­nen­te se apro­xi­ma­va, mais pes­so­as se le­van­ta­vam para ver o que acon­te­ce­ria, fal­tan­do pou­co para Imir o acer­tar, Fi­obhos im­pul­si­o­nou o cor­po para o lado e para bai­xo, pe­gou uma das per­nas do ra­paz e vi­rou-se, o der­ru­ban­do es­tron­do­sa­men­te ao chão.

Le­van­tou-se e es­pe­rou, o ra­paz se er­guer com san­gue sa­in­do pelo na­riz e fu­ri­o­so, no­va­men­te avan­çou con­tra Fi­obhos. Quan­do Imir se apro­xi­mou o su­fi­ci­en­te, se aga­chou, le­van­tou o cabo da es­pa­da, e acer­tou seu quei­xo, o fa­zen­do se ajo­e­lhar com as mãos no ros­to, ui­van­do de dor. Se apro­vei­tan­do de sua fra­que­za, su­biu em suas cos­tas e deu-lhe com a es­pa­da na nuca, o des­mai­an­do. O po­bre tom­bou ao solo com ele ain­da em suas cos­tas.

Um uivo de ale­gria ex­plo­diu nas ar­qui­ban­ca­das, ele sor­riu e saiu de cima do ra­paz, le­van­tou a es­pa­da sem san­gue para os mes­tres e a de­vol­veu ao juiz da ba­ta­lha. Ele se ne­ga­va a fe­rir qual­quer um de seus opo­nen­tes des­de que co­me­çou a lu­tar, di­zia que não der­ra­ma­ria san­gue de ino­cen­tes e o pro­va­va ao le­van­tar a es­pa­da ao fim de seus em­ba­tes.

Dei­xou a are­na sem olhar para trás, pre­ci­sa­va des­can­sar um pou­co e se lim­par. Vall veio atrás dele e o aju­dou a jo­gar água so­bre a ca­be­ça.

— Vai tro­car de mes­tre com fa­ci­li­da­de!

— Sei, sei. Como Imir está? — se pre­o­cu­pa­va. — Já acor­dou?

— Sim! Es­tão es­tan­can­do o san­gra­men­to no na­riz e boca. Como con­se­guiu der­ru­bá-lo tão de­pres­sa?

— Era seu pon­to fra­co, mui­to gran­de, — deu de om­bros. — ata­quei o que po­dia tra­zê-lo ao chão! É sim­ples e sabe que me en­te­dia ba­ta­lhas lon­gas.

— O sei!

— Ca­va­lei­ros, o mes­tre os aguar­da na are­na! — um ca­va­lei­ro gri­tou, cha­man­do aten­ção de to­dos.

Fi­obhos e Vall vol­ta­ram a are­na, sen­tan­do-se na ar­qui­ban­ca­da. Os mes­tres ca­va­lei­ros es­ta­vam no meio da are­na, aguar­dan­do que o mes­tre da co­lô­nia se pro­nun­ci­as­se.

— To­dos se sa­í­ram mui­to bem na úl­ti­ma ro­da­da de ba­ta­lhas e por isso, con­si­de­ra­mos jus­to que su­bam de ní­vel. — to­dos ova­ci­o­na­ram, mas ele le­van­tou a mão e ra­pi­da­men­te os in­ter­nos es­ta­vam em si­lên­cio. — Es­tão a um pas­so de se tor­na­rem ca­va­lei­ros. Va­mos as es­co­lhas des­ta se­ma­na, lem­bran­do que Austhe­rus fi­ca­rá co­nos­co e irá trei­nar al­guns de vo­cês.

Após as di­vi­sões, tan­to Fi­obhos, quan­to Vall fi­ca­ram com o novo mes­tre. Após as es­co­lhas, eles ga­nha­vam um dia de fol­ga. Fi­obhos e o ami­go dei­xa­ram a co­lô­nia an­tes do ama­nhe­cer e acam­pa­ram na flo­res­ta, a fim de fi­ca­rem mais per­to da ci­da­de.

Vall sen­tou-se em um tron­co de ár­vo­re e en­ca­rou as es­tre­las en­quan­to Fi­obhos ar­ru­ma­va o abri­go. Ao ter­mi­nar, sen­tou-se ao seu lado e olhou para a mes­ma di­re­ção que ele.

— Sei que não se im­por­ta mui­to com esta data, mas... — pu­xou algo de den­tro da bol­sa. — Fiz para você.

Fi­obhos olhou para a pul­sei­ra de cou­ro nas mãos do ami­go, era o pri­mei­ro pre­sen­te que ga­nha­va na vida, o pe­gou de­va­gar e ad­mi­rou os tra­ços.

— Obri­ga­do! Usa­rei sem­pre. — o ami­go lhe sor-riu. — Te con­si­de­ro mi­nha úni­ca fa­mí­lia, Vall. E sabe dis­so.

— Sim! E fico mui­to fe­liz por ter al­guém. — bai­xou a ca­be­ça.

Fi­obhos sa­bia que o ami­go ti­nha es­pe­ran­ça de que, como com al­guns, um dia seus pais apa­re­ces­sem na co­lô­nia e ex­pli­cas­sem suas ra­zões para o dei­xa­rem ali.

— Por que in­sis­te nis­so? Sou sua úni­ca fa­mí­lia, ra­paz, e me sin­to pés­si­mo quan­do age como se isso não im­por­tas­se. — pas­sou o bra­ço por seus om­bros.

— É cla­ro que é im­por­tan­te, mas te­nho uma fa­mí­lia, ou ao me­nos al­guém com quem vivi an­tes de vir para cá. Não fo­ram os ca­va­lei­ros que me de­ram um nome.

Fi­obhos en­go­liu em seco, era hor­rí­vel se lem­brar de que os re­jei­ta­dos ti­nham os no­mes es­co­lhi­dos pe­los ca­va­lei­ros da co­lô­nia, e este era seu caso, mas não o de Vall, ele foi dei­xa­do lá ain­da bebê, mas al­guém se pre­o­cu-pou em lhe dar um nome.

— Sei que acre­di­ta que eles eram pou­co abas­ta­dos, mas já se fo­ram de­zes­seis anos, eles de­ve­ri­am o pro­cu­rar. Só vem para co­lô­nia, três ti­pos de pes­so­as: — Fi­obhos lis­tou. — fi­lhos de trai­do­res, fi­lhos de fa­mí­li­as po­bres que não tem como man­ter os seus e...

— Os fi­lhos da de­son­ra! Fi­lhos de vi­o­lên­cia con­tra uma mu­lher ou de mo­ças que se cor­rom­pe­ram. Eu sei as re­gras... — Vall chu­tou uma pe­dra. — Pro­va­vel­men­te nós dois nos en­cai­xa­mos nes­sa úl­ti­ma.

— Isso não im­por­ta mui­to, sabe! — Fi­obhos co­lo­cou a pul­sei­ra no bra­ço. — Sem esse pe­que­no con­tra­tem­po, não o te­ria como ir­mão. — Vall sor­riu, sa­bia que ti­nha ra­zão.

— É ver­da­de! — deu um soco no bra­ço de Fi­obhos. — Não se­ri­a­mos pró­xi­mos sem isso.

Fi­obhos sor­riu, mas seus olhos não acom­pa­nha­ram seus lá­bi­os. Esse era seu pior fan­tas­ma. O acom­pa­nha­va dia e noi­te e por ve­zes ti­ra­va seu sono. Ele era um fi­lho de de­son­ra e não que­ria sa­ber se era fi­lho de vi­o­lên­cia ou de mo­ças cor­rom­pi­das. Ven­do como os ca­va­lei­ros tra­ta­vam as mu­lhe­res, pro­va­vel­men­te não eram cor­rom­pi­das e sim ilu­di­das. Pre­fe­ria não sa­ber por­que o jo­ga­ram na co­lô­nia, as­sim, ti­nha pelo me­nos um pou­co de paz.

*

A ci­da­de es­ta­va lo­ta­da. Sem­pre era as­sim quan­do os alu­nos da Co­lô­nia ti­nham uma fol­ga. Tyar fi­ca­va pe­que­na para tan­tos me­ni­nos e as pes­so­as te­mi­am sua pre­sen­ça, já que po­de­ri­am tra­zer al­gum pe­ca­do à tona, mes­mo que com sua apa­rên­cia.

Fi­obhos e Vall ca­mi­nha­vam pelo mer­ca­do com suas pou­cas mo­e­das, eram es­per­tos o su­fi­ci­en­te para aju­da­rem al­guns co­mer­ci­an­tes an­tes da noi­te co­me­çar e ga­nhar al­guns tro­ca­dos para gas­tar.

E com­pra­ri­am algo que lhes era ines­ti­ma­do nes­ta ida­de, gu­lo­sei­mas. Mas não para comê-las já, e sim para dei­xa­rem guar­da­do na co­lô­nia, nada des­se tipo era ofe­re­ci­do lá.

Era o dia pre­fe­ri­do da se­ma­na para os ami­gos, es­tar fora da Co­lô­nia era sem­pre um alí­vio. Po­di­am ser me­ni­nos, ou pes­so­as nor­mais, sem toda aque­la vida tru­cu­len­ta que le­va­vam. Os dois se sen­ta­ram em um dos ban­cos da pra­ça e olha­ram para os tran­seun­tes.

— Às ve­zes me pego pen­san­do em como se­ria nos­sa vida se vi­vês­se­mos aqui.

— Se­ria um pou­co di­fe­ren­te, mas no fim, bem pa­re­ci­da. Ti­ra­rí­a­mos ape­nas as ba­ta­lhas in­ces­san­tes to­dos os dias. — os dois ri­ram.

— O que vai fa­zer quan­do sair da Co­lô­nia? — Vall per­gun­tou, co­men­do de sua por­ção.

— Me tor­nar ca­va­lei­ro. Não vejo ou­tra op­ção e você?

— Que­ro cons­ti­tu­ir uma fa­mí­lia an­tes de me tor­nar ca­va­lei­ro. Não pen­sa nes­ta pos­si­bi­li­da­de? — Fi­obhos ba­lan­çou a ca­be­ça em ne­ga­ti­va.

— In­fe­liz­men­te mi­nha apa­rên­cia não aju­da mui­to nes­sa ideia, e não me ima­gi­no dei­xan­do mu­lher e fi­lhos para trás para de­fen­der o clã. — olhou as mo­ças que pas­sa­vam e um jo­vem lhe cha­mou aten­ção, ape­sar de es­tar en­tre a mul­ti­dão, pa­re­cia ob­ser­vá-lo.

— Fala de seus ca­be­los bran­cos? As mu­lhe­res sem­pre ba­bam por você, gos­tam do di­fe­ren­te. — Fi­obhos sor­riu. — Que tal par­ti­ci­par­mos dos jo­gos?

— Quer fa­zer os me­ni­nos da ci­da­de cho­ra­rem?

— Mas­sa­geia meu ego sa­ber que so­mos bons em algo que eles não são.

— Va­mos!

Eles par­ti­ci­pa­ram dos jo­gos e com fa­ci­li­da­de ga­nha­ram no arco e fle­cha, lan­ça­men­to de dar­dos, que­da de bra­ço e ou­tros jo­gos. Vall ain­da par­ti­ci­pa­va de al­guns quan­do Fi­obhos se can­sou e fi­cou ob­ser­van­do a mul­ti­dão. O mes­mo ga­ro­to que viu an­tes es­ta­va por per­to. Por que lhe pa­re­cia tão fa­mi­li­ar? O ra­paz ace­nou e apro­xi­mou-se dele com um sor­ri­so.

— Mi­nha nos­sa! Vo­cês são bons mes­mo em qual­quer arte. — pa­rou ao seu lado, olhan­do a per­for­man­ce de Vall na que­da de bra­ço.

— Quis di­zer em arte de guer­ra? Sim! — o ra­paz se vi­rou para ele. — É o que apren­de­mos na Co­lô­nia.

— Ima­gi­no que sim! — sor­riu e ha­via sin­ce­ri­da­de nele. — Sou Is­tras. — lhe es­ten­deu a mão.

— Fi­obhos! — aper­tou-lhe a mão. Ain­da não en­ten­dia o por­quê da pro­xi­mi­da­de.

— A Co­lô­nia os dei­xa mui­to bem pre­pa­ra­dos caso quei­ram se tor­nar ca­va­lei­ros. Que­ria eu ter co­me­ça­do meu trei­na­men­to tão cedo quan­to vo­cês, ne­nhum dos que es­tão na aca­de­mia che­ga per­to de suas ha­bi­li­da­des.

— Trei­na­mos mui­to e to­dos os dias, tal­vez por isso. E não exis­te 'um caso quei­ra­mos', to­dos nós es­ta­mos des­ti­na­dos a ser ca­va­lei­ros.

— A aca­de­mia não é tão cri­te­ri­o­sa, não sa­bia que eram obri­ga­dos a se­rem ca­va­lei­ros.

— As pes­so­as não se im­por­tam mui­to com o que acon­te­ce na Co­lô­nia.

— De­ve­ri­am tra­tar os in­ter­nos de for­ma me­lhor. — Fi­obhos se as­sus­tou com suas pa­la­vras, as pes­so­as não li­ga­vam para os in­ter­nos. Ele per­ce­beu seu es­pan­to e sor­riu. — Pa­re­ce es­tra­nho, eu sei! Mas não pen­so como todo mun­do.

— Isso per­ce­bi, mas, por quê? — Is­tras deu de om­bros.

— Te­nho meus mo­ti­vos para tal. Não acre­di­to que de­vam vi­ver iso­la­dos pela sua con­di­ção de nas­ci­men­to. — al­guns ami­gos o cha­ma­ram e ele ace­nou. — Pre­ci­so ir, es­pe­ro vê-lo em bre­ve.

Is­tras se afas­tou ao mes­mo tem­po que Vall che­gou, o ra­paz olhou para o gru­po que se afas­ta­va e ba­teu o co-to­ve­lo no bra­ço de Fi­obhos.

— Quem era o ra­paz?

— Se cha­ma Is­tras, Boa pes­soa... me pa­re­ce fa­mi­li­ar...

— Não caia nas con­ver­sas des­ses no­bres, meu ami­go. Va­mos, está fi­can­do tar­de.

Fi­obhos olhou mais uma vez em di­re­ção ao gru­po de Is­tras, que o viu e ace­nou. Ti­nha algo de er­ra­do com aque­le ra­paz, ti­nha cer­te­za dis­so.

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